segunda-feira, dezembro 12, 2011

Luz

Não tremas, nem temas. O frio desaparece e o medo dilui-se na noite. As vozes ecoam na igreja larga lá na Praça do Santo, na árvore de todos os sonhos. Nasceu, Ele. Yehi Or! Faça-se luz.
Do que vale ele nascer todos os anos quando a paz está longe? De que vale nascer ele se a igreja é a mesma, o ouro que percorre todas essas basilicas, que chegaria para dar de comer e de beber a tantos milhares de pessoas? De que vale?
É apenas um Deus vazio, escrito num livro de histórias, alteradas ao longo do tempo que eles querem encobrir, para vocês, homens de fé, que de pouca culpa têm, oferecem metade do vosso pão a quem já tem um banquete montado. É pena que seja sempre nesta altura que nos lembramos das pessoas. Os supermercados e as grandes marcas lembram-se sempre de mim, com grandes reclames para eu comprar, antecipando saldos e encobrindo uma crise que está no soalho do meu quarto. Alguns mais generosos ainda se lembram dos outros. A maioria da família. Vazio.
Velho ditado esse d' "O Natal é quando um homem quiser", mas cada vez há menos Natais, menos união, faternidade e todos aqueles adjectivos que estão em perigo de extinção, apenas perservados pelos dicionários.
É fundamental ajudar. Fundamental dar. Não só para eles. Para nós. Preencher o espaço Vazio e chamar-lhe aquilo que os Homens já não conhecem: o Amor, a Amizade, Lealdade... Tantas coisas que já não compreendemos. Porque na nossa mente existe apenas um longo e grande silêncio: Vazio.
Porque...
Eu não tento, eu consigo
Eu não procuro, eu encontro
Eu não protesto, eu exijo
Eu não caminho, eu galopo
Eu não recebo, eu dou
Eu não quero ser,
Simplesmente.
Sou.

terça-feira, novembro 29, 2011

Radiografia I

A espada cruza os ares na longínqua Alagaesia, terra de dragões e cavaleiros. Ninguém me manda ler Eragons, nem Eldests nem Brisingers. Ninguem. É apenas uma busca, um sonho, uma fuga ao dia-a-dia, na bitola de quem encaixa pedra sobre pedra, estaca sobre estaca, erguendo uma personalidade, uma mentalidade, um rosto.
"Jovem com talento sonha alto...", e eu procuro sonhar, procuro na base do encontrar, um poema num desenho, encontrar um estranho, com o Sam The Kid moldo personalidades, atribuo idades, procuro assim muitas e novas identidades. Procuro e encontro, porque a vida me dá, espécie de segredo que nos fará, viver, este enredo. Quero gostar, quero ver, quero amar, ser um miudo produtivo, ser profissional no bom sentido, no desenho da vida que escrevo com caneta sem apagar a tinta preta que me leva a loucura, vida dura que perdura sempre à perna, ela não é eterna.
No sentido busco a face na plateia, que me leva a outro lugar, numa outra dianteira, na base do creativo-lógico, eu crio e rimo e só jogo no analógico, dessas fases da vida bem ou mal passadas, elas não são erradas, mas estão atrofiadas, por outra vidas que passam e tu não vês, nem se quer a palavra que está escrita tu lês?
É facil e barato, procura no chinês, que a realidade vai surgir das duas às três. E é levado para outro mundo, outro tempo, outro segundo, uma realidade quadrada vamos do punhal a espada, e nada parece. Acordo e pergunto, não fujo do assunto, o teu órgão já foi doado, foste operado, a tua vida não tem mais lugar se não deitado, e enquanto tentas sobreviver, voltas a reviver, tudo aquilo que tens a perder. Espera aí, vou contigo! E a teu lado sigo o caminho, a morte e dura realidade, a capacidade de mortal de quem nunca vai ficar, de quem nunca vai errar, nem o buraco a si no chão cavar. Eterno.

quarta-feira, setembro 14, 2011

Dar

De palavras duras é feito o mundo, não fosse este cruel e instável, como a dureza do meu nome no dominio da mesma letra eu hoje ouço e apenas partilho.
Não se trata de massajar as missangas da rapariga dos cabelos castanhos, de olhar nos olhos dela, de pegar na mão dela: o problema é um e só um: mentalidade. Os dias correm bem, outros correm mal, conclusão brilhante como só podia ser, não é? É como as palavras que eu escrevo. Agradam, não agradam... enfim.
O mundo é redondo, tem oportunidades novas aqui e além fronteiras, onde o desconhecido espreita, mas enfrento sem medo porque começo a compreender a palavra Dar. Aliás quero-me esquecer da palavra receber. Porque eu olho para o rapaz que vai descalço buscar água a um poço na Etiópia que fica a quilómetros, com o risco de ser raptado ou levar uma bala, vejo uma menina na india privada de sair, de estudar porque os pais não querem simplesmente ou porque não tem dinheiro para isso, e apenas me pergunto: sou assim tão infeliz? Não, não sou.
As coisas mudaram e o tabuleiro está do meu lado embora tu penses que está do teu. Porque eu não desmotivo, moralizo-me, não volto a cair porque nunca cheguei ao chão nem nunca, mas nunca vou esquecer, porque eu perdo-o.
Perdoar não é esquecer, é apenas apagar ligeiramente para que não se repita, e hoje eu sei mais de ti do que alguma vez poderia saber. São ilusões, puras, simples e cruas. Começo a conhecer um universo que não é aquele que conheci e hoje acordei e pensando bem, sempre o soube. Mas o vento é forte, e os nomes que escrevi na areia já estão apagados.
As pessoas passam, mas apenas algumas permanecem. Não sei se será o caso, não sei qual é o teu caso. Mas agora sei que não conheces as pessoas, nem te sustentas na minha linha. Aliás tu não passas a linha da minha meta.
És capaz de Dar? Pois, talvez adiemos a pergunta, talvez nos devemos divertir com outras falsas histórias.
Porque eu hoje sei mais de ti.
Sei exactamente onde se encontra o peão nº5 ou onde está a torre que inicia na parte direita. A rainha essa desapareceu, e o cavalo perdeu-se no G6. Eu sei o teu jogo, sei o teu ritmo. Conheço-te com um promenor que tu não sabes, até porque se soubesses quem eu sou, jamais estarias do outro lado do tabuleiro.
Tudo isto porque precisamos de aprender a dar e a resistir a distâncias, tempos, enfim, problemas. Porque não nos queremos mentalizar do que realmente queremos. Porque a base de tudo é a mentalidade. Só e apenas isso. E a minha não sei se será evoluida, mas não será certamente a tua.
É por isso que um dia mais tarde quero partir como voluntario, conhecer outras pessoas e culturas e dar o valor aquilo que é a vida. AMI, VIDA ou ADDHU. São possibilidades.
Porque a palavra Dar é mais importante. Um dia tu vais perceber e espero que não seja tarde, porque eu já renasci, e assim assino o meu nome com a mesma letra que comecei e assim termino,
O meu nome é Daniel e quero ser feliz.
"In the End"
http://www.youtube.com/watch?v=eVTXPUF4Oz4&ob=av3e

segunda-feira, setembro 12, 2011

Two Towers

11/9

2001, Faro, Algarve, Portugal

É curioso nesse dia estar de férias no Algarve. Não é curioso porque estou cá todos os anos, normalmente. É curioso é estar em Faro. Posso dizer que entrei em contacto com esse mundo que é o terrorismo numa loja de electrodomésticos onde as televisões anunciavam um desastre aereo de um Boeing. Era mais novo, mas não foi esta a minha impressão quando chocou o segundo contra a outra torre. É evidente que um avião que vai com extrema velocidade e com um objectivo de acertar em determinadas vigas do edificio, não pode ser um desastre.
Humor é o facto de ninguém as ter reconstruido e eu já ter visto milhares de vezes, elas a desmoronarem-se. Ou então a fé derrubar edificios mas não mover montanhas.
A evolução da humanidade faz-se por momentos, e este foi um deles. Crescemos mais a nivel de segurança, não só os EUA mas também a Europa e cada um de nós. As pessoas cresceram e estão mais conscientes. É pena que nem todas :)
Mas que interesses políticos estarão por de trás de guerras abertas pelos EUA? Interesses económicos? Segurança Nacional, sim, mas não me convencem apenas com esse argumento.
É preciso repensarmos neste acontecimento, na horrivel sensação de perda e de pânico, de actos aberrantes para a humanidade, mas também nesse majestoso orgulho de ser dono do mundo exibido pelos States. Afinal, foram duas torres que mudaram o mundo?

Talvez haja outros momentos mais certos para o mudar.

quarta-feira, setembro 07, 2011

Até já Florida!

Ninguém me diz o que se passa,
Ninguém me fala da conquista
Ninguém me diz o que me ultrapassa
E põe-me fora da pista.

Diz-me aquilo que me escondes,
Porque eu não sei se possa celebrar
Se vá cair eternamente num abismo
Até a eternidade me levantar.
Eu sei do que falo,
Sei o que tu dizes quando eu calo,
Sei que não me contas o que sabes...
Sei que nada sei, e nada saberei enquanto não me disseres
Que o pior pressentimento é esta ansiedade
E colorido vou ouvindo pelas ruas dessa cidade...

Que cada lágrima é uma cascata,
Que cada sorriso é um mundo.

sexta-feira, julho 29, 2011

Saudade.

Combinamos palavras na inequivoca esperança de um regresso, de uma frase solta, de um grito que nao amplificamos ao mundo. Esperamos eternamente por volta a esse tempo, mas nada mais resta que uma palavra portuguesa, tao portuguesa como o Fado, ou serao estas duas uma so?
Interrogo-me e escrevo o que se passa no mundo, o que pode ser um futuro ou que acontecimentos passados se verificaram mas se escrevemos e porque a nossa alma tem um processo cognitivo de continua aprendizagem, no qual a memoria tem um significado propenso que auxilia nesta demanda. E na memoria que guardamos a saudade, que exultamos e por vezes ate demais, damos um novo brilho e toque pessoal de algo.
A saudade provem de coisas boas disso acho que podemos estar todos de acordo. Podemos recordar momentos tragicos e marcantes mas eles nao derivam da saudade que tambem temos. "Por favor, abraça-me", acabo de ouvir a expressao na televisao, mas a saudade trouxe-me a expressao para outros campos: a memoria de outros abraços, de outros beijos e sobretudo do que nao disse.
E as vezes arrependemo-nos tanto do que ja poderiamos ter dito... E acentua-se mais quando vemos que alguem esta longe. Fisicamente ou Espiritualmente.
Temos todos de ganhar coragem. Temos todos de deixar de ser-mos Seres humanos para passarmos a ser pessoas! Custa muitas vezes, mas tera de ser.
Saudade e assim a marca do passado no nosso presente.

domingo, julho 24, 2011

Sometimes your smile is a Waterfall

I turn the music up...
Caminho devagar, a camisola encharcada da chuva miudinha que cai sobre a manha do Lago Como. Loucura em vir correr tao cedo, mas sobretudo um teste fisico a resistencia e um alimento para o corpo e para a mente: Saude.
O ipod deslizava sobre a bolsa pequena que trazia sobre o pescoço a descer na diagonal do tronco contendo aquilo que necessario era. A musica estava mais alta porque eu a quis por mais alta. Parecia que a ouvia cantar outra vez como na noite passada, mas nao ha nenhum Chris Martin, nenhuma Amy Winehouse nem qualquer outro que substitua a voz dela. O amor e cego, mas tambem e meio surdo e quantas vezes tambem nao e mudo?
I got my records on...
Mais e mais discos que tenho na estante, ao chegar a casa, ponho a tocar. O velho radio ainda le cd's apesar de mal apanhar as frequencias. E ai, I shut the world outside until the lights come on, e isolo-me do mundo, porque o mundo e um lugar cruel no qual somos postos.
And I feel my heart start beating to my favourite song, essa musica que nao e musica mas sim, o eterno regresso de dias felizes, de noites passadas, de sorrisos rasgados por entre lagrimas. E uma batida assim miudinha, uma viola e pouco mais que fazem esta magia, provando que nao e preciso muito para algo acontecer. And all the kids they dance!
E por isso ouço vezes sem conta cantar a rapariga dos cabelos castanhos, e sempre que ela se cruza comigo na vida a musica regressa com ela. Desde ontem que ouvi-la cantar no bar do tio me enche nao so de sorrisos como de orgulho.
Nao se deixem no entanto enganar pela voz dela, porque o sorriso da rapariga dos cabelos castanhos por muito belo que seja, nao e sempre feliz. As vezes esconde outros sentimentos, que eu ja começo a conhecer, mas duvido que voces saibam. Tambem porque nao a veem, eu sei, mas mesmo que a vissem. Ela e especial essa tal rapariga.
Ansioso espero sempre que ela rasgue o sorriso nas lagrimas e me conte tudo ao luar, como sempre o faz, fingindo estar tudo bem, fingindo estar contente, fingindo que From underneath the rubble, sing a rebel song que a alegra nesta mistura de ingles com portugues.
Porque por mais que ela queira, ela nao e essa "Cathedral" de pedra que tudo resiste, la no fundo eu sei e digo-lhe sempre que "it's allright" e a vida continua, cheia de esperança que melhore. Melhorou substancialmente desde que a conheci, e fica a esperança que ela ache o mesmo. Nao sei exactamente a definiçao de namorar, mas se me perguntarem se ando com ela eu respondo "As we soar walls, Every siren is a symphony"
E ela continua cuidando dos irmaos, fazendo o trabalho dela para ganhar o seu. E sei o esforço que faz! Sei mesmo, tanto que vou começar a trabalhar tambem para a ajudar, para pelo menos dar um auxilio. E se ela nao quiser aceitar, nem que eu tenha de enviar o dinheiro como segurança social, ou qualquer coisa do genero. Porque a rapariga dos Cabelos castanhos e teimosa, mas tem azar porque eu sou mais. E por tras daquele sorriso...
"Every teardrop is a waterfall"

sexta-feira, julho 22, 2011

De que cor sao feitos os sonhos?

O reflexo do lago faz-me confusao nos olhos e os pedaços de sal bailam-me sobre a vista. Sobre o lago, a imagem da rapariga dos cabelos castanhos faz-me regressar ao passado e os grossos pingos rolam pelo meu rosto de incompreensao e frustraçao. Nao queria nada discutir com ela, mas foi mais forte e as duvidas levaram-no a essa calamidade.
- Nao tens que ficar assim.
Quem falaria? Nao era possivel que ela o tenha seguido. As raparigas eram orgulhosas, raramente nos perseguem (talvez aquelas que nao tem um palmo de testa), mas sobretudo o facto de ela me ver chorar tornou-me mais embaraçado. Ela porem nao pareceu estranhar, pois os "homens nao choram". Mentiras, e claro que a rapariga dos cabelos castanhos nao acreditava nisso e ela propria tinha ido atras de mim. Se ainda nao acreditava que ela era diferente ai estava uma prova, e isso fez com que eu ainda me encolhesse mais.
- Mas... nao compreendo... Porque e que aquele tipo te obrigou a dar dinheiro? Porque e que tu aceitas-te sem mais nem menos?
- Ele e um cobrador. O meu pai devia-lhe.
Agora fazia mais sentido. Mas porque e que ela nao tinha dito isso mais cedo?
- Nao te disse porque como sabes ele morreu e... bem o meu pai morreu porque apanhou uma infecçao.
Infecçao? Que seria aquilo?
- O meu pai morreu de Sindrome de Imunodeficiencia Adquirida, aquilo a que tu e muitos chamam SIDA. Ele... ele...injectava-se... eu tinha treze anos... e eu... eu tentei... eu juro que tentei... mas ja era tarde... ele ja ha muito que estava fragilizado... eu juro que tentei... eu juro!
Finalmente o castelo desmoronou-se e as verdadeiras razoes da rapariga dos cabelos castanhos eram mais fortes e eu merecedor dessa confiança quando tinha questionado e chateado por uma ninharia, por um problema que era tao mais grave para ela e me deixava numa posiçao desconfortavel. Abracei-a mais uma vez porque ja se vira que os abraços sao o reconforto de uma alma angustiada e beijei-a. Senti nela um tremer, um gosto a sal misturado com o perfume que ela propria continha e mais que um beijo foi a certeza que ali estava. Ela precisava de tudo, e eu queria fazer tudo por ela.
- Eu... eu...
- Tu nao sabias, nem tinhas dever nenhum de o saber. Agora sabes porque es a pessoa em quem mais confio. E se um dia os meus sonhos premitirem quero que fiques comigo.
Era forte, tal como o monte que esculpia uma das margens do Lago Como, e nesse momento me parecia bem mais facil de trepar de que os problemas. Eu queria trabalhar, queria fazer alguma coisa para ajudar a rapariga dos cabelos castanhos, a minha rapariga dos cabelos castanhos, porque eu sabia que apenas podia ser minha, se o mundo tinha-me dado tao grande dadiva como alguem assim. Eu sabia que era o momento e nada mais fazia sentido do que ajuda-la.
- Nunca te abandonarei.
A palavra era certa e a noite tratou de a consolidar, de novo junto daquele lago tao unico como ela, a rapariga dos cabelos castanhos que agora apenas pertencia a mim. Tinha a certeza agora que ia dar tudo por tudo por ela e para a ajudar. Ela merecia mais do que a vida lhe dava, do empenho que cuidava dos irmaos, do afinco que trabalhava...
- Um dia vou saber de que cor sao feitos os teus sonhos
- Tenho a certeza que descobriras.
E sorriu.

quinta-feira, julho 21, 2011

Review

Faz tres anos que os nossos destinos se cruzaram num bar no centro da cidade. Era entao ela um pouco mais nova como e suposto, desfilando com os olhos, com aqueles grandes olhos, no rodilho da carpete vermelha do centro de uma pista que nao era mais que a fila de duas ou tres pessoas que tentava chegar ao balcao. Captei-a como uma Canon capta a fotografia e gravei-a nesse momento no cartao de memoria. Nao podia perder aquela rapariga.
Os 16 anos da rapariga de cabelos castanhos nao eram distinguiveis ao tacto e na primeira impressao ela pareceu-me mais velha, tirando-me algumas hipoteses de tentar falar com ela, tal rapariga convencida que nao se da com miudos.
Olhei mais um pouco com atençao e reparei que passava agora para o lado de dentro do balcao do Platinum e atendia o homem atarracado que se encontrava ao canto. Nao conhecia aquela rapariga e certamente que ja tinha passado varias vezes por aquele bar. Nao perdia nada. Dirigi-me ao balcao.
Pedi uma cola e a rapariga olhou-me desconfiada mas nao questionou. Talvez ela pensasse que um rapaz daquela idade nao pedisse colas numa noite de diversao, mas se assim pensava estava bem errada a cerca do que eu sou. E cada vez mais quis saber o que aquela rapariga dos cabelos castanhos pensava de mim e ainda mal me conhecia.
As horas passaram e eu deixei-me adormecer na cadeira e ter um sonho com a rapariga dos cabelos castanhos. Durou pouco porque logo fui acordado. Estava sozinho e apenas a rapariga se encontrava. Melhor que o sonho e mesmo a realidade, pensei.
- Hey rapaz, olha ja e tarde e o meu tio ja foi. Fiquei eu a arrumar as coisas, mas vais ter de sair.
-Anh? Simm. Ah pois... Desculpa.
A rapariga achou talvez que a desculpa era sincera e ofereceu-me uma cola para me ir embora ao qual recusei e disse que preferia antes que ela me fizesse companhia a casa. Talvez o sono me tenha levado a tal pergunta, mas agora estava feita. Ela nao se sentiu muito a vontade mas perguntou:
- Onde moras?
A Rua Carmaloggi ficava a um quarteirao e era sensivelmente perto para um curto passeio a pe. A rapariga acedeu, superando as minhas melhores expectativas. Estava ganho a primeira batalha.
O relogio na Torre Fiori marcava as 4 e 50 quando a rapariga dos cabelos castanhos fechou a porta do bar e me conduziu a casa. As perguntas fervilhavam na minha cabeça e tinha que começar por algum lado a desbravar e a clivar o diamante que tinha encontrado.
- Pois... Ah... Entao e como te chamas mesmo?
Ela respondeu-me um nome, mas que nao interessa para o caso porque para mim sera sempre a rapariga dos cabelos castanhos e nada mais faria sentido que lhe chamar isso. Respondi-lhe com o meu nome, mas ela gravou outro. Talvez mesmo o do rapaz de olhos avela, mas isso nunca saberei.
Perguntei-lhe porque trabalhava ela, que idade tinha... enfim! Todas essas coisa que se perguntam nesta situaçao. E nao foi por menos: a rapariga trabalhava porque tinha irmaos mais novos e nao tinha pai. A idade era 16 embora para mim ela parecesse mais velha que eu. Era alguem que a vida tinha pregado uma partida.
Sentamo-nos nas escadas e começamos a falar de coisa que nunca esperara falar com a rapariga dos meus sonhos: economia, finanças, musica e ate desporto. Era impressionante aquela rapariga saber tanto de tantas coisas e a mim so me deixava estarrecido. Era uma perola.
As horas passaram rapido e o frio chegou. Na despedida lembro-me apenas de um abraço que foi o suficiente para eu saber que tinha ali dois braços frageis prontos a serem amparados na mais escura das noites...
E foi assim que descobri a rapariga dos cabelos castanhos.

quarta-feira, julho 20, 2011

Cielo Stellato

00h28, Lago Como, Cidade de Lecco, Lombardia, Pensinsula Italica.

Os pequenos fios de agua espelham a imensidao do ceu, com finos pedaços de cristais sobre a onduçao quase nula do Lago Como, reflectindo esses pequenos mundos distantes ao qual chamamos Ceu, distante longiquo da nossa realidade. A cidade descansa da imensa actividade diurna e parece suspirar a paz junto ao grandioso espelho de cristal que nasceu muito antes da propria cidade de chamar Lecco ou o proprio lago florir com o nome Como. Aqui e alem e possivel ouvir sons de jovens ainda divagando pelo vazio das ruas ou saindo e entrando em discotecas e bares numa zona mais afastada. Premoniçoes.
Vidrada e enfeitiçada pelo lago, percorre a rapariga dos cabelos castanhos a margem esquerda, junto a grandes cedros que la cresceram, muitos deles mais antigos que metade daqueles edificios construidos sobre o solo dessa cidade. A noite desceu ha muito e os feitiços das princesas ja se desfaziam havia meia hora, lembrou-se sorrindo da historia que contara nessa noite a irma mais nova, e no qual tinha captado um sorriso acompanhado de uma resposta que eram horas de dormir, trocando o habitual beijo deslizante sobre a testa da pequena. Era sabado e nao era noite para se ficar a olhar pela janela.
A saida servia mais para, por momentos, desfazer-se da realidade, ganhar assas na nova forma de vida, olhar o mundo e sentir. O lago Como era desde sempre o lugar onde vira os primeiros cisnes, brincara a sua primeira vez com as bonecas que o tio Julien lhe tinha oferecido e se sentira uma princesa ao receber o seu primeiro fiozinho de ouro. As coisas simples sao aquelas que nos trazem mais felicidade, quem diria?
A maioridade ja se fazia notar naquela rapariga, que desde cedo se diferenciar de tantas outras pela maturidade que talvez a vida tivesse ensinado. Os olhos da rapariga de cabelos castanhos ja se encontram com algumas olheiras, algumas noites mal dormidas, mas continuam belos. Como de resto ela nos habituou.
A velha cave, essa esta igual, e nao voltaremos la mais, pois se nao "cada lagrima sera uma queda de agua" citando Coldplay, citando o mundo, citando o sentido existencial da vida.
Pois, eu, o rapaz dos olhos cor de avela, ri-se quando acha que atribuindo o nome assim, parecera mais importante. Nem por isso. A vida foi dura com ela, e eu quero que ela sinta que a vida faz sentido talvez comigo e se nao for comigo tenho a certeza que sera com alguem. Lamechas no minimo, mas sentido, porque ate os rapazes de olhos avela dizem coisas destas. E tambem os louros, os morenos, os africanos, os asiaticos. Todos eles gravam a palavra amor, embora poucos a pronuciem.
Eu vejo de novo a rapariga de olhos castanhos em redor do lago onde ja foi tao feliz e saber que todos os feitiços ja foram... Mas sabem que mais? Ela continua a ser magica para mim.
O rapaz da moldura, era o pai que partiu. Acham que e justo a vida assim?
Ouço-a chorar baixinho. As palavras nao querem nada com ela, nao fala, nao me diz o que se passa e eu? Eu observo ao longe, ansioso para que tudo acabe e o sonho se dissolva na tunica branca que traz vestida, por sinal muito bonita. Tenho de fazer alguma coisa...
Sento-me ao lado dela, ela deixa de chorar. Faz-se de forte comigo, talvez porque comigo ela nunca queira mostrar a sua parte mais sensivel, a sua parte mais fraca, a parte que diz que tambem e uma pessoa que sofre, tambem e uma pessoa que chora e se emociona e nao a dureza das pedras que transmite.
O abraço surge quase como automatico e ela mais uma vez larga as lagrimas. Ganho finalmente coragem para lhe falar e digo-lhe: Nem sempre temos um ceu tao estrelado como hoje.
Ela nao me responde, apenas rolam mais umas lagrimas. Eu nao consigo saber o que dizer, o que fazer, mas sei, porem que, nada melhor sera que dar-lhe atençao, dar-lhe carinho. Beijo-a na testa e os problemas que a atormentam dissolvem-se mais uma vez. Ela sabe... Eu sei que ela sabe.
O silencio e total, quebrado esporadicamente por um grito de uma ave ou de um cisne como esses que dao asas aos contos de banda desenhada, as historias encantadas de princesas e dragoes, de principes e de reis que nao saiem do livro. A vida real nao e isso.
A Fix you toca no meu telemovel e ouvimos a noite inteira os cd's dos Coldplay, os temas dos The Script e sussuramos segredos um ao outro. O ceu esta estrelado e as noite e longa... Ela sabe.

quinta-feira, julho 14, 2011

Para la da linha do Horizonte...

A rapariga dos cabelos castanhos passou deslizante sobre as escadas de pinho, curvando-se para nao bater no tecto. As luzes da cave estavam apagadas. O silencio dominava cada canto da secçao da casa, um eco do mundo, um eco do vazio.
O tick-tack do relogio alarmava a dimensao de perda que nesse momento se debatia e o som dos ponteiros indicava as 4 horas da madrugada. Escuro, inerte, vazio.
A rapariga dos cabelos castanhos acendeu o candeeiro de mesa, ao fundo, sobre uma mesa de cabeceira de cama, num sitio errado, num espaço errado, mas no tempo certo. A luz esculpiu as sombras das paredes humidas e cinzentas e engoliu a escuridao. A rapariga dos cabelos castanhos reparou assim no retrato da moldura antiga, no rosto loiro do homem ou rapaz que nessa madrugada lhe parecia mais distante, mais dissolvido no tempo e no espaço, na fome de quem acreditava na sua volta. Mas nao. A rapariga dos cabelos castanhos poisou o retrato na mesinha ao centro e afastou a hipotese. A vida e um ciclo e esse ciclo um dia tem o seu fim. E preciso aceitar o fim.
A rapariga dos cabelos castanhos, que ja nao sao assim tao castanhos, pareceu escutar uma voz. Mas apenas a sombra lhe fazia companhia, o retrato e a tenue mesinha. A noite ia avançada, e a lua agitava-se por entre as nuvens visitando a cave nos intervalos das paredes aos quais damos o nome de janelas. Janelas nao era bem aquilo que se podia chamar aquele pequeno buraco envidraçado que ficava na parte esquerda da divisao mesmo junto ao tecto.
E foi num desses intervalos em que a lua espreitou que a rapariga dos cabelos castanhos sentiu frio. O frio que fazia naquela noite de Julho nao era fisico, mas psicologico. E as lagrimas rolaram sobre o banco de jardim, coisa inapropriada como tudo o resto naquela cave, e cairam sobre a madeira velha e desgastada, sobre o chao duro e de fina camada de poeira que se abatia nos cantos mais reconditos da cave. A chuva era miudinha, mas la fora nao chovia. Os animais tambem nao emitiam qualquer sinal, mas o sussurro da divisao de baixo apagou todas as duvidas.
E nesse instante a rapariga dos cabelos castanhos sentiu um calor inesperado, a certeza que as duvidas e memorias que se caiam sobre ela se dissolviam na penumbra e a segurança de uma voz mais grossa que a sua sussurou baixinho no seu ouvido: Vai ficar tudo bem. Eu estou aqui.
A rapariga dos cabelos castanhos nao precisou de olhar nem de voltar-se para descobrir quem era. A sua voz era desde algum tempo, presença na sua vida de um olhar de segurança, de um gesto protector.
E o rapaz dos olhos avela apresentou-se como da primeira vez, sorriu-lhe como se fosse a ultima e beijou-a como se a vida fosse apenas e so aquele momento. As lagrimas ja nao rolavam, o frio era substituido pela esperança, e o olhar enchia-se de carinho. As maos cruzaram-se e os olhos viram "para la da linha do horizonte".
E para sempre.

quinta-feira, junho 30, 2011

Tick-tack

Tempo leva
Tempo suga
Tempo pára
Tempo: fuga.

Contra-tempo, rasgo
Contra-tempo, perco
Segundos de mim
E sem querer me cerco
Ao longe sem fim.

Vago, tempo concreto
Na procura do sempre
O eterno é discreto
Na vivacidade de quem caí
E nunca mais se levanta.

Tempo é coveiro,
Tempo é berço,
Tempo é parteiro
De um novo começo.

E de todos os segredos
Que a Terra nos dá a conhecer
Revolta-me saber:
Tão pouco tempo, tanta coisa para fazer!

terça-feira, junho 14, 2011

Eternamente*

Sofrimento,
Forma de estar,
Forma de ser,
Ser Humano.

Ninguém exulta, ninguém quer
Ninguém escuta, ninguém fere
Eterno letárgico sofrimento.
E ouso eu, esquecê-lo?
Esquecê-lo não, mas atenuá-lo
Contigo, com o mundo, com a voz
De quem me chama no silêncio
De quem me grita quando estamos sós
Um momento... um momento.

Sou eu, sou tu, sou nós.
Vagos passos do amanhecer tardio
Que ecoa nesta estrada de alcatrão
E me vira o coração,
Eternamente o miocárdio,
Eternamente paixão.

Silêncio, sofrimento,
Eu, tu, rimo-nos de tudo sem nos vermos
Rimo-nos de tudo e choramos. Choramos de tanto nos rirmos
E por vezes só choramos.
Porque eu sou tu, quando tu és eu,
E assim nos ligamos,
Como tal nunca me aconteceu.

terça-feira, junho 07, 2011

Portugal: sempre a um passo da glória.

Euro 2012, Qualificações, Estádio da Luz, Sábado, 4 de Junho, Jogo do Grupo H:
Portugal vs Noruega.

Queiroz não deixa memória de boas coisas na selecção tanto a nível de simpatia, como a nivel de resultados desportivos. Ninguém dúvida que é profissional e competente e por vezes faltou-lhe sorte. Mas a Portugal faltou sempre alegria. E essa alegria vê-se na selecção de Paulo Bento. Talvez seja a troca de treinador que levou a que isto acontecesse, mas foi Paulo Bento que colocou Portugal na rota da vitória, e agora dependente apenas de si próprio para vencer o grupo e qualificar-se para o Euro2012, realizado na Polónia e Ucrânia.
Quando falamos de Portugal, relativamente ao futebol, é impossivel não lembrar Scolari, e as competições que esteve presente. Portugal com Scolari conquistou uma posição confortável no futebol mundial e talvez não tenha sido construida por ele, mas foi ele que elevou a selecção a esse estatuto. A organização do Euro 2004 foi estrondosa para o crescimento de Portugal, tanto como a nivel interno (campos, estruturas, etc) mas também a própria selecção elevou alguns patamares até ao topo do futebol mundial.
Nesses dias, a derrota inicial com a Grécia foi como que uma premonição, e levou a uma desilusão para os portugueses. Mas a selecção respondeu logo no jogo seguinte com um 2-0 demolidor face à Russia, impondo assim uma nova face lavada da selecção.
Eis que chegou então o jogo decisivo com a Espanha, aquele que seria o tudo ou nada. Um jogo dificilimo com os rivais da peninsula ibérica, e que criou de novo duvidas sobre a nossa selecção, pois era um teste complicado. No entanto o golo de Nuno Gomes colocou de novo a esperança dos portugueses e Portugal qualificava-se para os quartos de final.
Nesses quartos de final, foi finalmente elevado o patamar de Portugal ao eliminar a Inglaterra nos penaltys, e de seguida a poderosa Holanda na meia final, com golos magnificos e um futebol que encantava.
Enfim a Grécia chegou, e de novo o pesadelo ao perder a final no próprio país perante um estádio cheio de portugueses a apoiar os nossos. E a cabeçada de Charisteas foi decisiva. A um passo dessa glória, e o resultado ficou para a historia com a Grecia a levar o troféu.
Depois seguiu-se o mundial com uma grande participação ao alcançar as meias-finais, na minha opinião o jogo que menos merecia perder e no qual o árbitro da partida (Larionda?) favoreceu demasiado os gauleses e caiu o sonho de Portugal onde já com a baixa moral, perdeu 3-1 na disputa da medalha de bronze. Já depois de eliminar a Inglaterra de novo nos penaltys e de novo a Holanda.
Ainda com Scolari estivemos no Euro 2008 na Austria e Suíça, no qual perdemos nos quartos com a poderosa Alemanha de novo. Já na era decadente de Scolari.
Agora reacende-se a chama, e quando chegarmos ao Euro 2012, vamos de novo esperar mais de Portugal e colocar sempre grandes expectativas. No entanto é preciso cuidado com essa elevação de expectativas para não cairmos num poço de ilusões...

segunda-feira, maio 23, 2011

Optar pelo Centro

Os temas são mais que muitos neste período de campanha eleitoral e eu, embora condicionado por duas razões (a de não poder votar por só fazer 18 em Agosto e as sistemáticas discussões sobre os assuntos do FMI), tomei por uns minutos atenção ao pequeno rectângulo que está sobre o móvel da sala.
Curiosamente, num desses apelos de partidos políticos, reparei num pequeno partido denominado PDA ou Partido Democrático do Atlântico. Não que me fizesse um verdadeiro apelo ao voto, pois as ideias eram demasiado separatistas no que diz respeito à regionalização e aspectos descentralizadores, já para não falar no facto do partido defender "apenas" os cidadãos do Norte do país e Açores, que não deve ser o objectivo de um partido político. Mas o tema que me levou a escrever esta pequena crónica (por enquanto é pequena, ainda não sei o que virá aí!) é a Regionalização.
Ora é incontornável que se pensem em diversas questões sobre este tema, como se estamos centralizados em demasia, ou quais são mesmo as divisões que temos tanto fisicamente, como socialmente. Por um lado, e começando pelo foco deste pequeno partido, temos o NORTE e VALE DO TEJO, que significa a concentração maior da população portuguesa, quer queiramos quer não. É no Norte que o lucro é maior, vindo comprovar estatísticas do INE, tal como a produção, a exportação, que por vezes esse tal lucro não chega para pagar os prejuízos de Lisboa e Vale do Tejo, a tal região onde tudo acontece, a que chamo carinhosamente a "grande aldeia" de Portugal. Essa tal “grande aldeia” tem de facto uma enorme evidência: têm quase 3 milhões, ou seja, mais de 1/4 da população portuguesa vive nesta região, mas não só esta região como todo o litoral tem a maior fatia populacional. É certo por isso que os maiores investimentos tenham de ser feitos nestas zonas (considero ainda mais valorizada Lisboa e Vale do Tejo), mas às vezes há outros investimentos que deveriam ser feitos noutras zonas. É o caso do Interior, é o caso do Centro.
Talvez esse tal investimento que falta, levasse a uma regionalização, com cada região a produzir e investir naquilo que produz e não a ser investido pelo poder central que não conhece inteiramente a realidade (Sim para mim é preciso apalpar o terreno e sentir a terra todos os dias para saber o que vai ela dar!). Dando exemplos concretos, falo do facto de Bragança e Portalegre serem ainda os únicos distritos que não tem auto-estrada (embora a A4 esteja a ser prolongada até Bragança), ou que Viseu e Coimbra não estejam ligadas por uma Auto-estrada mas sim por um IP3 que está num estado lastimável, ou que Coimbra-Castelo Branco seja praticamente o mesmo (ou talvez mais) que Coimbra-Lisboa (uma distância bem maior em linha recta). Mas não são só redes rodoviárias com sentido fulcral no desenvolvimento da região (sim porque a maior percentagem é sempre no litoral), mas também investimento maior no turismo (tanta potencialidade no Centro tão pouco aproveitada, infelizmente!) e preservação do ambiente, na produção agrícola e naquilo que a região pode oferecer. Cada região deve ter a sua marca, e o Centro tem a sua marca se o deixarem com as mesmas oportunidades que maior parte das regiões têm. O Algarve só é o que é porque existe um Aeroporto Internacional, uma A2, uma Via do Infante, entre outras infra-estruturas do estado. É por isso que quando se coloca uma questão simples como a possibilidade de a construção de um aeroporto no centro (existe já um em Beja e Bragança), eu digo sim!
As pessoas têm uma ideia errada! Não se pretende um Aeroporto como o Sá Carneiro ou o da Portela, mas sim um aeroporto que seja para voos domésticos e de low cost, um aeroporto de baixo custo era mais que uma vantagem pois traria preços bem mais competitivos que ir a Lisboa (do género de ter de pagar um preço de comboio maior que o de avião numa low cost) e que traria turismo à região. É preciso criar condições. Troços como a A24 com ligação para Coimbra e melhoramento de acessos litoral-interior e entre pontos do interior, só vai melhorar a vida das pessoas e trazer investimento.
Não aponto culpados, mas sim um culpado: O Governo Central sucessivamente. Não foi Sócrates ou Guterres ou Portas ou Santa Lopes e Durão Barroso. Foram sim eles todos. Até porque por exemplo Sócrates tentou mesmo construir algumas ligações e investir no interior, mas a crise impediu-o de o concretizar.
Para se ver que a ideia não é absurda, há factos que apoiam, como empresas dispostas a investir sem grandes custos para o estado, com apenas aumentos de aeródromos e construção de infra-estruturas necessárias, como se fez e está a fazer em Beja e Bragança. Para se ver que primeiro voou-se de Bragança e só depois lá chegará a Auto-estrada. É triste, mas é o nosso país, ou a nossa "grande aldeia".
A ideia não é uma separação do país, mas uma afirmação de um produto do país. A região Centro é o produto e a nossa marca. E se não avançarmos ninguém avançará por nós. São tempos difíceis, mas questões a pensar.
·         Texto de mera opinião pessoal sem afirmação ou intenção política

quarta-feira, maio 18, 2011

Ma thuật

Fala-se no borburinho
Certa noite encantada
Que mora acima do ribeirinho
Uma eterna bruxa malvada

Nariz empinado
Costas curvadas
De quem carrega o alto fardo
De deixar feridas saradas.

Sátira do destino
Nos entoam feitiços
Embalando o seu pescoço fino
Em gestos mestiços
Do leito divino.

Belzebu quem será Deus?
Deus quem será homem?
Das rezas sagradas dos teus
As almas e os espiritos tomem.

E tudo isto se acaba
Na cabeça do pequeno
Que o sonho se desaba
E volta ao gesto terreno

E ele de jeito mansinho
Entra na cama da mãe
Puxando os lençois bem devagarinho
E agradece aos poderes que ela tem
Em transformar uma bruxa num lindo coelhinho.

"The world is a place of magic".

sexta-feira, maio 06, 2011

O lado Bom das Catastrofes

Foi ainda há bocadinho que o Porto e Braga se qualificaram para Dublin. Sou benfiquista, e estranhamente não estou triste. Aliás estou até a apoiar Jorge Jesus e a rir-me do Futebol Clube do Porto de André Villas-Boas e Pinto da Costa. É que mais uma vez Jorge Jesus deu uma lição táctica a Villas-Boa. O treinador do Porto esperava que o Benfica se qualificasse e pudesse finalmente massacrá-lo como tem feito sempre, e JJ estudou bem a lição e passou a perna ao FCP. E ainda há descaramento para o criticar?! Quem não souber ver este pensamento táctico não é adepto de futebol.
E mais! O Benfica acabou de fazer história: alcançou um dos maiores números de golos consecutivos sofridos numa sequencia de jogos e por época. E não acaba aqui! O Benfica deixou o Braga alcançar a final de uma competição e chegar a um grupo restrito de equipas portuguesas a esse feito. O Benfica fica na história não só de ele próprio como dos outros. Um exemplo meus senhores.
É natural que se fale de Pinto da Costa. Jornais espanhóis afirmam que a direcção jantou com os árbitros do jogo, e fala-se em corrupção desportiva. Julgo que estes senhores não sabem as fontes em que se informam... Jorge Nuno Pinto da Costa nunca na vida deu jantares a árbitros. E aí está o lapso. Pinto da Costa pratica sim uma corrupção passível de sobremesas. Nunca ninguem falou em frangos de churrasco (exepto quando se fala do Roberto, mas isso são coisas que eu moralmente não comento, não por ser benfiquista, mas por ser adepto do Sport Lisboa). Ninguem falou em leitões à bairrada nem tripas à moda do porto. Fala-se sim antes, de cafés com leite ou chocolatinhos. E isso meus senhores é muito pouco para um jantar. No máximo seria uma pausa a meio da tarde. É vergonhoso que se ponha o nome de um dos homens mais exemplares deste país na lama. Chega a ser caricato todo este aparato. O caso em principio será sempre arquivado...
Mas calma, o senhor Presidente da Républica falou... de futebol. Felicitou o facto de "duas equipas europeias estarem na final da Liga Europa". Hum... curioso. É mesmo raro. Normalmente as finais tem sido um Boca Juniores vs Orlando Pirates ou um Lakers vs Jazz. Que grande feito.
Falando de outras catástrofes, enfim a Troika lá negociou o plano de investimento. Curioso como os jornais se preocuparam em dizer que o senhor que conduz as negociações tem olhos verdes, que veste Zara e come raviolli. Acho que haverá um assunto qualquer mais importante que esse, mas agora também não estou bem a ver qual é. Pura ironia.

sexta-feira, abril 22, 2011

Éfe Éme Iee

A actualidade tem sido bastante interessante e produtiva em relação a parvoíce, com o acréscimo Paulo Futre ao futebol espectáculo fora dos relvados. Eu que só me ria com os discursos do Sr. Jorge Nuno, agora passei a ver neste novo comediante, um talento raro: conseguir fazer rir o país, falando a sério e ainda por cima sobre economia. Mas calma! Eu apoio o Futre. Tanto o apoio como penso que o Sporting devia ser nacionalizado e ser aposta do governo esta coisa do "vai vir 400 charters e sponsors para apoiar o jogador chinês". Aliás se forem a ver o governo está já a seguir a técnica dos 19+1, mas de uma maneira mais soft. Está a apostar no 16+4, ou seja, os 16 ministros + 4 tipos do FMI para ver se não há falcatruas e aldrabices. Enfim, coisas pouco habituais naquela casa.
E digo mais: Portugal deveria criar um Ministério da China. Para já para resolver assuntos relacionados com restauração, lojas e afins, depois para contratar mais jogadores para a Liga Zon Sagres. Seria optimo. O Estádio de Aveiro e o de Leiria cheios como nunca acontece para verem o Kim Djung ou o Zhu Zaimedesta, fantastico!
Mas não nos escape o assunto principal desta agradável tertúlia: o F.M.I. entrou de facto em Portugal. Ainda não tive oportunidade para o comprimentar porque ele ainda não passou cá por casa, mas até agora noto algumas diferenças: Socrates tem estado calado, o Benfica perdeu demasiadas vezes com o Porto esta época e o PCP e BE não negoceiam com o FMI, mas vão concorrer as urnas na mesma. Lindo! Espero que o facto de eles não quererem o FMI seja por terem a medida do Futre na manga. Se for assim, eu sou Comunista desde pequenino.

domingo, abril 17, 2011

Calpe '11

Há um ano nem sequer sabiamos que destino escolher. A escolha residia, pensávamos nós em Lloret. Tinhamos começado a nova comissão eu, a Sofia, o Daniel e a Soraia e as coisas pareciam vagas, sem saber bem o que fazer. Começámos a definir uma estratégia de ganhar dinheiro. Sucederam-se meses de reuniões, começaram as primeiras entradas para a viagem. E eis que chegou o Verão.
O Verão, foi sem duvida o ponto de partida para esta viagem, com as Festas da Vila, Taskinhas 2010 que nos levou a uma almofada de dinheiro e permitiu saber aquilo que percisavamos a partir de agora. As coisas correram bem, e diria que esperávamos até menos do que fizémos, já que a época era de crise e os números era melhores que o ano anterior. Mas ainda acrescentams dinheiro de duas ou três festas no Verão, que apesar de serem em cafés, nos deram ainda algum dinheiro.
Começaram depois as aulas, e então apareceu a X-travel. Já conheciamos o Bruno e a Barbara, por terem sido já agentes da Sporjovem, e depois de ter investigado com base nos factos que eles me deram, soubemos que a Sporjovem recebeu demissões de vários agentes e directores. Basicamente, as coisas estavam muito más na Sporjovem e isso deu-nos logo alento para confiar na X.
Mas as coisas não foram assim tão simples. Tivémos bastantes agencias a tentar convencer-nos, e especialmente a Sporjovem. A SPJ, como lhe chamo para não ser acusado de difamação, incutiu-nos de veneno ao tentar convencer da pouca credibilidade da X-Travel. Entretanto o Bruno mostrou-nos Calpe e Lloret. Calpe foi a bomba! Aliás em muitos sitios Calpe foi mesmo a bomba, e as coisas nao avançaram nesse sentido pela pressão da SPJ. No nosso caso avançaram, e não iamos voltar atrás, apesar de nos dizerem que Calpe tinha procissões na Páscoa e mais 20 mil coisas que no fim de contas eram mentira.
Tivemos uma ou 2 festas até Dezembro, e nesse dia 17 do mês em questão, foi o Baile... Magnifico. E tanto trabalho que deu... Mas foi mesmo o máximo.
As coisas avançaram com mais uma ou duas festas e claro a Full House que nos marcou para sempre, dando o conforto financeiro que precisávamos. Digo-vos que as contas foram melhores do que alguem esperou. E finalmente chegámos à viagem, que neste momento em que escrevo, já acabou.
Foi tão curto para o tempo que trabalhamos... Mas valeu a pena. Foi a melhor semana das nossas vidas, e duvido que tenhamos uma assim... Pelo menos tão Cedo.
Queremos voltar!!! CALPE.
Obrigado Sofia, Soraia e Daniel. Tudo foi possivel com vocês.
A comissão: Daniel Matos, (P), Ana Sofia Jardim (VP), Soraia Macedo (S), Daniel Almeida (T).

segunda-feira, abril 04, 2011

E tudo o que eu te dou...

Nada mais adequado a começar com um titulo de uma musica de Pedro Abrunhosa, no dia em que este visitou a minha escola e tive a oportunidade de falar com ele pessoalmente (o quanto possivel), alem da nossa entrevista para o Diario de Notícias.
Mas esse título remete-me também para o esforço colectivo: a amizade, o amor, a confiança. Falar de amizade é falar de essência, é falar de vida, é um sentimento que reside dentro de nós e que nos transporta para uma dimensão pessoal, um estado de alma.
Ser amigo é dificil de definir, é ser mais além, é dar algo mais. Confundo amizade com amor, mas talvez a amizade tenha sempre mais hipotese de prevalecer e sendo esta uma forma do próprio amor, é sem dúvida o sentimento mais sentido e mais marcado na nossa vida. Passar pela vida sem ter amigos, é como ser um fósforo no meio de um eucaliptal. Amigo é transcender, transpor barreiras, começar novos caminhos, definir novas metas, é ter na voz as almas de poetas e viajar por aí. Ser mais, melhor.
Amigos são suportes, bases de piramides, rectas paralelas ao sentido universal da nossa vida. Amigos são desafios superados, cavalos montados, lições de vitória. Amigos são irreconhecivelmente a marca da nossa história.
E amar? É ir e nunca mais voltar, é tudo dar. É ser mais pelo outro, é ousar. Querer e gritar o nome dela pela cidade toda de porta em porta como se o amanha não chegasse ou como se o hoje fosse coisa eterna, o ontem passado-presente de um tempo futuro. Realisticamente, às vezes nem notamos quem nos ama talvez porque estamos demasiado obcecados na precariedade da vida. Mas quem nos ama, quer-nos bem, quer-nos sempre e para sempre. E dá tudo. Carinho, atenção, festas lisas na cabeça suave, passa a mão pelos caracóis e diz sempre como estás linda hoje... Amar e amizade confudem-se no universo global do carinho.
"E tudo o que eu te dou,
e tu me dás a mim,
Tudo o que eu sonhei
Tu serás assim,
E tudo o que eu te dou... e tu me dás a mim,
E tudo o que eu te dou"

domingo, março 13, 2011

Samuel Mira

Porquê falar de alguém? É raro de facto falar de pessoas individuais, mas falo de Samuel Mira, jovem português de Chelas, ou para quem ainda não chegou lá, STK: SamTheKid. Samuel Mira, começou no hip hop bem cedo, e é de facto uma afirmação, para muitos (e para mim) um dos melhores rapper's portugueses, ou se não o melhor. Samuel representa uma geração, representa o protesto na música de intervenção e sempre com batidas que são audiveis, sem grande peso na cabeça. Poeta limpo que condiz as palavras com a sua situação: a situação das ruas, bairros sociais, droga, protesto, a tendência da abstenção, a falta de politicas entre tantos outros assuntos residentes nos nossos lares e no nosso país.
A poesia/canção de intervenção não é feita ao acaso. Samuel Mira parece transportar para si uma forte carga de simbolismo nas suas musicas, "Nao e correcto e sou mais poeta que vocês, todos voz do rock,pop,hip hop escrita em ingles", a critica à pouca aposta na musica nacional e no cantar em português. Samuel ainda aponta tantas outras caracteristicas e podres da sociedade. Os albuns especiais e sequenciais que Sam produziu: Entre(tanto), Sobre(tudo) e Pratica(mente). Estes albuns apresentam uma evolução notável no artista, o amadurecimento de um protesto que não deixa a quem ouve, indiferente.
Digo-vos com toda a sinceridade que ouço (sobretudo o pratica(mente)) do principio ao fim, sem interrupções. Samuel junta ainda aos seus "beats" partes de musicas ou declamações de poemas/textos que tornam mais ricas a composição musical e voltam a frisar o valor nacional como o diz: "Mas aqui o samuel é madredeus é dulce pontes/ porque ha uma identidade, voces sao todos identicos/ são...autenticos mendigos vendidos por centimos/ não...compreendem o meu sentimento e mentem....".
Mas musicas como "Negociantes" ou "Abstenção" referem temas também muito importantes como o tráfico e a politica vista pelos jovens. Samuel é para mim, fonte de inspiração e por isso identifico-me com a musica que ele produz. Tantas e tantas criticas que precisavam por vezes de uma maior divulgação.
"Juventude, é mentalidade!" :)

quinta-feira, março 10, 2011

Coerência: O princípio do Vazio

Ninguém ouve o vazio do silêncio na noite que corre porque é o vazio que se destingue de tudo o resto, e o resto, esse, é deveras subjectivo. É o vazio que percorre o céu. É o vazio que avança pelo mar. É o vazio que rouba as almas. É o vazio subjectivo se o resto for concreto. Ou vice-versa?
Rasgos da intensidade, meras palavras do vazio que escrevo, do vazio, esse, residual na minha cabeça, residual na nossa projecção de relação, na nossa intimidade que é sobretudo ela, vazia, ou no máximo, reduzida. Reduzida, melhor que vazio. Prespectivas optimistas do mundo ouvem-se com a palavra reduzida. Nada tem sequência no que escrevo, porque o que escrevo, apesar de coerente reflecte a minha cabeça e o meu coração: pedaços de nada, e sobretudo, vazio. Porque eu não sei, e a dúvida é cada vez maior. Mas aperta cá dentro, onde no fundo no fundo, não sei se haverá algo, talvez... Vazio.
Arrumamos em gavetas recordações do que fomos, e talvez, até do que não fomos. Somos a ignorância de seres, somos a prespicácia do contingente terreno que nos deu inteligência. Nem vale a pena entrar por aí. Porque a nossa inteligencia leva-nos, ou pelo menos está a levar-nos para o vazio. Nem meio cheio, nem meio vazio. Vazio de inteligência. Cheio só da ignorância.
Apetece-me não escrever correctamente (José Saramago?), mas ainda consigo ter consideração por alguma alma, essa talvez não-vazia leia o que escrevo. Se o que escrevo é tão vago, tão vazio de coisas e cheias de nada, e se pouco sentido faz ou pouca coêrencia têm, a mim isso não me importa.
O estado de latência, resulta da conservação da caixa do Nada, do vazio que enche os cantos da casa, e ouço, sobretudo, esse silêncio ensurtecedor da noite. Eu não sei. Doido. É talvez loucura sim. Podes-me chamar louco que não levo a mal. Porque dentro do meu cérebro e do meu coração só ouço o ruído visceral do vazio.
Mataram os pássaros num abismo, dinamitaram a Lua e afogaram os peixes. Abismo. Sabemos a depressão em que nos encontramos. Esta psicose e metamorfose mental que nos transforma.
Liga-me...
Telefona-me
Rouba-me 3 segundos. Porque aos pássaros, já não podes salvá-los, e eu ainda tenho uma mão no socalco, prestes a deslizar, por esse abismo imenso. Vazio: Chama-me em redor de mim.

quarta-feira, março 09, 2011

A Luta é... Ironia.

Acabo de ouvir o som dos Homens da Luta e a sua musica que ganhou o Festival Da Canção de apuramento para o Eurovisão. Além disso li também o comentário de Miguel Sousa Tavares à cerca desta mesma canção e noto a ironia com que podemos abordar o tema.
"A Luta é Alegria", é o nome da Canção. É bom ver como é irónico o nome, pois a luta nas ruas não tem servido para muito em Portugal. Estamos embrulhados num esquema de dívida e juros complexo que dificilmente conseguiremos sair rapidamente e onde a tendência é para piorar. Os mercados carregam cada vez mais em cima, e não nos conseguimos aliviar da divida externa.
Não pensem no entanto que eu acho ridiculo e partilho da opinião de Miguel Sousa Tavares. Apesar de saber perfeitamente que não é a melhor musicalidade nem a melhor letra, acho sobretudo importante por ser diferente e na prática, Portugal nunca se destaca na Eurovisão e obtem os mesmos resultados praticamente sempre. De que vale levarmos a melhor canção se não ganhamos?
Somos sobretudo dos unicos países que canta na sua língua. A Eurovisão está à muito reservada para Países de Leste. É um sentimento que percorre os países mais a Sul e é nitidamente isso que fica. Já vimos canções tão boas no sul que não vingaram e outras tão más do Norte e Leste que ganharam. É a triste sina.
No entanto, visto que a Eurovisão é na Alemanha e a plateia alemã vai estar a ouvir o que estamos a cantar, tendo em conta de a Alemanha ser o maior financiador da divida portuguesa, acho que não vai cair em boas graças a canção, mas no entanto, acho que como povo inteligente que são percebam o sentido de humor que leva a canção. E é isso mesmo: uma canção. Não vale a pena entrarmos em politiquices como estão algumas pessoas a tentar fazer. Força Jel, Força Homens da Luta. Não peço a vitória, mas façam o vosso melhor. "A Luta continua!"

terça-feira, março 01, 2011

Rebaldaria à Portuguesa

Forróbodó. Um termo esquisito, mas tão aplicável ao estado que nos encontramos em Portugal. Forrobodó, penso eu, como mero leigo que sou, quer dizer confusão e folia juntas. Rebaldaria é em Portugal, e só em Portugal. Introduzi assim o tema porque, para além de querer dar palha e encher a página, é um tema que rima com Justiça Portuguesa.
Estou mesmo a ver um slogan para um reclame face à Justiça Portuguesa. "Zero de Justiça, zero de preocupação, zero de aumentos, reina a insatisfação".
Mas não é só brincadeira. É até um caso bem sério. 13 anos depois a Judiciária chegou a uma conclusão que pelos vistos 3/4 da população portuguesa já tinha chegado e mesmo 7 ou 8 espanhóis: Rui Pedro foi raptado por aquele tal amigo. Ora eu digo que fiquei surpeendido com esta afirmação. Mas não pensem que foi pelo tempo que a PJ demorou a olhar de "novo ângulo" sobre o caso, mas sim o facto do caso ainda não ter sido, como a maioria, arquivado.
Portanto, há um tipo que é visto por umas quantas pessoas num carro a falar com um miudo de bicicleta. Apesar de as pessoas não terem a certeza de quem era, pelos vistos o miudo desapareceu e ninguem toma por suspeito esse tal senhor. Passado 13 anos a PJ resolve pensar que se calhar esse individuo estará envolvido. Não sei porquê mas é esquisito.
É esquisito porque normalmente em Portugal o caso ou é arquivado ou simplesmente arrasta-se até mais infinito. A segunda opção é para casos de corrupção. Não sei se conhecem o Apito Dourado, do qual nunca percebi bem as decisões do processo, e que com aquelas provas evidentes de escutas, consegue reduzir tanto a pena dos dirigentes envolvidos, o que sem duvida, não me admira.
Ou o processo Casa Pia que decorre ao longo de anos e ainda ninguem percebeu se afinal o caso está encerrado ou não. São coisas tipicamente Portuguesas. Deixar e deixar. Arrastar até à exaustão.
Qualquer dia reabrem o processos do homicidio do Rei D. Carlos... Enfim. Viva o Sporting e as suas exibições que sempre nos alegram mais devido à palermice pegada do seu futebol!

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Nha Cretcheu

A gente nasce. A gente cresce. A gente brinca.
Joga a bola na rua. Rie-se da piada. Vê os desenhos animados e ri muito. A gente dorme e adormece vezes sem conta no sofá da sala. E toca viola no canto do quarto, sozinho pensando na vida. A gente não sabe o que espera. A gente ouve aquela musica que nos pões a chorar.
A gente separa-se dos país, a gente enfrenta a morte de alguem, a gente enfrenta a traição, a intriga e a mentira. Aí a gente Cresce e fica mais maduro.
A gente sabe que a vida é dura. Mas a gente luta e luta e luta. A gente vence sempre, porque vencer é o acto heroico de lutar cada dia. A gente quer e alcança. A gente leva horas a decorar aquela matéria complicada, a entender aquela conta dificil, a traçar aquele desenho que à muito se encontra na cabeça e a escrever aquele texto que faz todo o sentido na nossa vida.
A gente procura encontrar a felicidade. A gente conhece alguem novo. A gente conhece-se, fala-se, abraça-se. A gente olha-se nos olhos. A gente gosta-se.
A gente vive o dia e tenta encontrar uma saida para a sua vida. A gente consegue o trabalho que quer, o trabalho que não quer, mas que ainda assim tentamos ser felizes. A gente toma então a decisão de viver o resto da vida com aquela pessoa que apareceu na nossa vida. A gente procura, a gente encontra.
Se a gente gosta, a gente cuida. A gente quer e procura resolver os problemas, atenuar as discussões e agradecer nos momentos mais complicados. A gente acarinha quem nos acarinha. A gente ama. Simples.
E a gente pensa que vai envelhecer ao lado da pessoa que a gente cuidou, que a gente cuida e que a gente cuidará, e nada fará mais sentido se isso não acontecer. A gente ama e não reclama. A gente quer, a gente pode, a gente sabe, a gente gosta, a gente ama, a gente é a gente, e a gente somos todos.
A gente ama nossa mãe, nosso irmão, nossa namorada, nosso primo, nosso amigo, nossa amiga, nosso cunhado, nossa sobrinha, nossa tia... a gente ama qualquer pessoa que nos chegue perto.
A gente cresceu e aprendeu a dizer Nós. A gente aprendeu a Amar.

domingo, fevereiro 27, 2011

Infinitivo

Sou,
Eu sou,
Resultado,
Soma do quadrado
Raiz de quem não sabe
Dividir os multiplos de cada lado.
E
Ouço, não quero
De quem comunga, ser a sensação
O calculo algébrico da resultante das forças
De quem do mesmo sangue retira o resto da equação

Passo,
Corro apressado,
De quem joga tudo
Em cada jogada do baralho,
Em cada passo do meu retalho,
Simples
A emoção,
De quem procura no coração,
De outro, de outra, de tomar a direcção
De sarar a ferida curada, de queimar a pele furada
De,
Quem bebe da vida,
De tragos muito pequenos,
De gestos superiores mas tão terrenos,
E ouvir falar é mais do que ouvir dizer
Ouvir, é o dom.
A palavra é a força.
Amor infinitivo.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Latência

Passam segundos, minutos, horas, tantos dias já somados, tantos anos já passados.
O meu nome é nada, o meu tempo é vazio, porque já não conto os dias que somo. Sou eu e apenas eu. Vá, eu e a minha barba, as minhas rugas, as minhas olheiras, os meus cansaços, as pernas que já não podem, os braços que já estão cansados e este sofá. Oh velho e glorioso sofá! Quantas memórias não desfolhei aqui da guerra, dos sons aterradores que ouvi, dos aviões que me fustigavam os ouvidos... São os meus traumas e os velhos arrepios.
Divago no vazio dos dias e na televisão procuro a companhia que ja não tenho, a que já partiu e nunca mais me aconchegou o leito, nem me aqueceu a água para os pés, nem sequer a voz, suave e limpa, soou pela minha casa. Partiu.
Já não faz grande sentido existir, pois não?
A vida passa, e os sonhos, pouco a pouco, vão se desvanescendo. Há quem lhe chame desilusão com a vida, eu chamo-lhe crescer e ganhar maturidade. A palavra velho deveria ser um posto e não um estorvo na nossa sociedade.
O meu sonho sempre foi ter filhos. Tive-os é verdade. Mas para quê os ter agora, se não estão perto de mim? Se não os ouço, nem à mãe deles? São livres, e voaram do seu ninho como pássaros crescidos. A minha mulher tinha razão: para mim nunca sairam da moldura, nunca sairam de casa, do ninho onde eu com carinho os aconchegava, sorria.
Passeávamos tantas e tantas vezes aos domingos e dias santos de guarda. Umas vezes iamos até à praia, quando estava bom tempo, outras tantas visitávamos os pais da minha mulher à terra perdida no tempo. E agora, na cidade que cresce a todo o ritmo, estou eu, perdido no tempo. Perdido de quem já não conhece o bom da vida, perdido de quem não sabe o que são carinhos, afectos e beijos. Perdido.
O meu sonho é ainda um: morrer rodeado do Pedro, da Rita e do Tomás. Os meus queridos filhos. Quero sair deste mundo com a ultima memória deles. Mas a verdade é que não sei.
O que sei é que a morte virá. Tão cedo ou tão tarde. Não sei. Virá apenas, e disso não resta duvidas.

"A morte não me assusta, o que assusta é a forma de morrer" Boss Ac.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Principessa.

Bonjorno Principessa. É o filme que marca uma época e que para mim, é um filme de eleição e considerado dos melhores de sempre. É comico-trágico, uma metragem em que Roberto Benigni (realizador e actor) protagoniza o papel de Guido Orefice, judeu, que procura conquistar a sua principessa, Dora, protagonizada por Nicoletta Braschi, uma professora primária.
A personagem de Guido Orefice, pai amoroso e muito inteligente, é servente de mesa junto com o seu tio, e coloca charadas a um cliente, o dr. Lessing, que mais tarde voltam a ter um encontro no minimo estranho e inesperado.
Para quem não está enquadrado, este filme expande-se ao longo da 2ª Grande Guerra Mundial, época de perseguição cega aos judeus nas ditaduras de Benito Mussolini e Adolf Hitler que consideram a raça Italiana e Ariana como puras e superiores a qualquer raça.
Guido Orefice consegue fazer Dora desistir do casamento com o Perfeito da Camara Municipal da cidade, o que resulta numa união entre os dois que mostra um amor diferente, sempre cuidado e muito partilhado entre os dois. Dessa união vai nascer o pequeno Giosuè, ou em português Josué ou José.
Pai, filho e o tio de Guido são levados para um campo de concentração e aqui começa uma das maiores e melhores cenas de cinema e da coragem de um homem. Mas nesta viagem Dora também embarca provando novamente o amor que tem por Guido.
Então para Josué, inicia-se aqui um grande jogo segundo o pai. É preciso fazer mil pontos e todas as torturas sofridas pelos judeus são escondidas pelo pai, como jogos. Por exemplo, quando o general alemão vai explicar as regras do campo, Guido oferece-se para a tradução para dizer que aquilo é um jogo, que não devem pedir comida, para que o filho não se aperceba do horror que aquilo envolve.
É o desenrolar da acção conseguimos perceber que Guido consegue sempre ocultar a verdadeira razão.
Guido encontra o seu cliente de vários anos que é doctor no campo de concentração. O doutor parece disposto a ajudar Guido, mas depois tudo se torna apenas num meio para conseguir desvendar uma charada. Guido desespera e vê como naquele caso, um problema tão grave como o dele é submetido para segundo plano.
O fim trágico com a morte de Guido no último dia que o campo é controlado por fascistas, é um abalo para os espectadores do filme, mas que nos deixa com o sorriso o facto de Josué conseguir o primeiro prémio: um tanque de guerra real que aparece vindo do Exército dos EUA.
Uma história que mostra como a vida é mesmo bela, e a grande inteligência de Guido ao conseguir ocultar aquele verdadeiro horror, e como consegue tornar a vida perfeita para a mulher e para o filho. Um filme que aconselho a ver, um livro que aconselho a ler.
A força de um home resiste a qualquer guerra.
Arrivedeci, Principessa*

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Sporting Clube de Portugal, um fenómeno.

Olhando para o título que eu escrevi, os sportinguistas são atraídos com vista a que eu vá falar bem do sporting, visto que, o título que seleccionei parece francamente positivo. Os outros adeptos sabem está claro que eu vim apenas para o achincalhamento e denegrição da imagem deixada por este real clube. Ou melhor, Surreal (sublinhe-se bem).
Antes de ir propriamente ao forro da questão, é natural que eu comece a achar que o S.C.P. faz de facto justiça ao seu nome. Cada vez mais o Sporting é isso mesmo, apenas e só desporto. É aquela tipica frase que os professores ensinam aos alunos: "ganhar ou perder é tudo desporto." É um pensamento que deve começar a entrar rapidamente na mente dos Sportinguistas. Aconselho ainda assim aos mais velhos a deixarem o clube devido ao aumento de probabilidade de ataque cardíaco. Sofre-se sempre até ao fim, e por vezes para nada.
E acho bem que Sporting seja de Portugal. Faz toda a lógica nos tempos que correm. Portugal é um país de sucessivas crises, demissões de primeiros ministros e toda a espécie de trafulhices (atenção: será dificil ultrapassar o Porto neste aspecto) e por isto mesmo é que se ajusta tanto ao nome do Sporting.
Só é pena de clube continuar a ter pouco...
Reparemos no seguinte aspecto que eu queria focar: os sportinguistas estão descontentes. Paulo Sérgio encontra-se também ele descontente com o facto de o Sporting não poder oferecer-lhe alternativas. Costinha demite-se porque continua descontente com a direcção do Sporting. A direcção do Sporting encontra-se descontente com o presidente e toda a gestão do clube além da parte desportiva que os deixa indignados. Bettencourt demite-se porque se encontra descontente basicamente com o Bairro de Alvalade todo e porque rebentou um tubo na canalização da sua sanita.
Isto levou a demissões. Demissões que não foram umas quaisquer. Bettencourt abandonou o cargo sem de facto ter abandonado (sim, porque ainda ninguem percebeu porque e que ele tem sempre qualquer coisa para dizer ao Jornal A Bola), Costinha demite-se (ou é demitido?) por aparentemente dizer verdades à cerca de aspectos relativos à grande instituição que é o Sporting Clube de Portugal.
Ao ver tantos lugares vagos, há claro uma onde de novos candidatos sempre a quererem entrar na esfera para resolver problemas. No entanto o fenómeno Sporting faz com que os candidatos se demitam de candidatos. É surreal. A grandeza do Sporting Clube de Portugal permite a demissão de pessoas que por e simplesmente não ocupam quaisquer cargos. Irónico.
Já para não falar que Paulo Sérgio que ao que parece é achincalhado por membros da direcção e adeptos do grande Sporting Clube de Portugal. Paulo Sérgio no entanto refere que irá dar sempre a cara e "levar com as balas".
É curioso que o Sporting está a dar pequenos passos para conseguir o estatuto do grande F.C.Porto. Lembro-me que adeptos do Porto e pessoas contratadas para o efeito (à que dar emprego a quem quer trabalhar!) é que costumavam perseguir, esbofetear, pontapear e ameaçar com armas jogadores, dirigentes e outras coisas, já para não falar na calhoada habitual ao autocarro do Sport Lisboa e Benfica.
Ora P.S. afirma aqui que está sujeito a levar com as balas, o que me só me dá para concluir duas coisas parecidas com o F.C.P.: O Sporting joga mal e além disso parece ter adquirido 25% do passe dos SuperDragões. Qualquer dia já se fala em Campeonato dos Túneis para os lados do Lumiar.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Diz-me a verdade Fernando

Porque não mataste Ricardo Reis? Porque vive eternamente Álvaro de Campos?
Se eles viviam na tua mente foi porque morreram contigo. Porque mataste o "Mestre" e deixas-te viver quem não era feliz? Ouves-me e percebes a minha frustação? Sou eu louco por querer saber de quem deixas-te ao abandono eternamente nas páginas dos meus livros de Odes? Ou serás tu mais louco do que eu por deixares viver eternamente alguém que não existe?!
Sabes bem que Ricardo Reis teria de respeitar o Fado e Campos tinha entrado na decadência por já não sentir como queria as máquinas. Perdoa-me por te falar na primeira pessoa, mas leva isto como sinal de amizade, porque se Caeiro era o teu próprio mestre, o meu mestre és tu. Sei que não me levarias a sério, mas o dom da poesia flui em ti, na Ode Triunfal de Campos, no Livro de Odes de Reis e nos poemas bucólicos do "Guardador de Rebanhos". Se em tudo isto não encontrares razão, ao menos deixa-me ser teu aprendiz pela tua inteligência.
Sabes Fernando, Saramago já te fez o favor de assasinar Ricardo Reis no "Ano da morte de Ricardo Reis" e já existem publicações da morte de Campos. Mas eu não concordo na maneira como eles assasinaram os teus poetas. Não aceito e tu não ias aceitar também. Eu vou partir à procura de quem os assassinou. E sei que vou encontrar quem cometeu horrendo crime. Prometo que serão mortos da maneira como tu querias.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

É continuar a distribuir Magalhães, senhor Engenheiro

Caro amigo, companheiro, camarada, engenheiro (duvida à cerca deste cargo), senhor, vossa excelência e claro, primeiro ministro do esbelto país de Portugal

Espero que esteja tudo bem consigo, tirando o facto de estar de mal estar de barriga e dores de cabeça de cada vez que é atacado pelo sindrome de Crise. É giro verificar como continua empenhado em manter o titulo que vem ganhando de à uns anos para cá.
Falo claro do título de Empregado do Mês Vobis, Worten e com sorte, operador do mês da TMN. Nunca vi nenhum primeiro ministro com tanto jeito para esse negócio e por isso congratulo-o por se esforçar tanto nessa área. É pena que isso contribua pouco para Portugal sair da crise, se não já eramos um dos mais ricos do mundo.
Mas talvez seria bom ler essa coisas que se vendem por ai em resmas de papel, chamados, penso eu, de jornais e até revistas. Ou então ligar o seu Magalhães e consultar as Noticias na Web. Web, é aquilo da internet senhor primeiro ministro... Sim, essa mesmo que tem aquele e'zinho no ambiente de trabalho... sim, quando abre o computador... Mas tem de inserir a pen da tmn... Essa branca... Não! Essa é a do orçamento de estado... Sim, essa da TMN. Muito bem. agora vá ao google e pesquise EDUCAÇÃO+PORTUGAL.
Comece a ver noticias.

Bem então eu destaco antes que voce termine o processo (espero que consiga terminar antes do magalhães "dar o berro") esta noticia: 35% dos alunos de 15 anos já chumbaram pelo menos uma vez.
Repare na "boa" colocação que temos: 5 lugar! Só superado por Espanha, Luxemburgo, França e Bélgica.
Curioso que todos estes países tem um enorme número de emigrantes portugueses, mas isto é apenas um método para o achincalhamento da nação por minha parte e para o perturbar claro.
É giro verificar que mais de 1/3 dos alunos portugueses com 15 anos chumbou. Então para contrariar os dados faça lá aquilo que quer fazer, de não existirem retenções e de os alunos passarem de um ano para o outro.
Acho que era a melhor medida para disfarçar problemas como sempre... Neste país é o que custumamos fazer... E melhor senhor primeiro ministro, continue a vender PC's e coisas assim para disfarçar os reais problemas da Educação. Uma salva de palmas para você, que curiosamente, acabou o seu CURSO num fim-de-semana. Será que você nunca chumbou, ou nessa altura já vendia magalhães?
Parabéns e um forte abraço. Já agora, deixe-me o seu número que um vizinho meu, que é um chato do tamanho do mundo, precisa de um projecto e você tem fama de Não ser engenheiro, logo, há aquela probabilidade de vir tudo a baixo.**
See you, and pratice Tecnic English Sir.

Quem responde às cartas que não te escrevo?

São horas de dormir
Mas o sono foi-se
A biologia quer-me ainda preso por mais uns minutos...

E eu divago no profundo de mim
De como é dificil
Não falar, não estar
E sobretudo não permanecer.

Porque aquilo que falo, não chega
Aquilo que digo, não se distingue
Aquilo que penso, dilui-se no ar
E o que escuto não é mais que meras palavras.

Porque eu preciso de sentir
Porque eu preciso de exprimir
Do verso solto que eu faço
Sobretudo de te ouvir
De ver, escutar.

Eu não sei se passo,
Apenas de isso mesmo.
De ser "um ser" ou ser "o ser"
Cada vez que olho através da janela que não existe.

Porque eu sou eu, e tu és tu.
E os passáros voam.
As serpentes rastejam neste mar de folhas
E tu és tu. Eu sou eu.
E o Nós?

Perguntas ao vento, quem sabe?
Perguntas ao mar, quem vive?
Perguntas ao céu, quem voa?
Mas perguntas sempre a ti propria, e não sabes...
Quem sente?

Porque eu sou eu e tu és tu.
E as palavras são curtas para eu falar
E porque são pequenas para eu escrever
E porque custam dizer para eu as ouvir
E porque... porque não?

Porque sou eu e tu, porque não nós?

E porque não está hoje o céu estrelado?
Será que brilha o céu amanhã?
Ou será que estará o rio mais limpo?
Porque o que sei, é que eu sou eu e tu és tu.
E para quando será o Nós?

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Plano De Guerra.

-Foge!
Eu não sei o que se passa...
-Foge!
-Mas o que se passa papá?
-Foge! Tu e a tua mãe! Escondam-se lá em baixo na cave.
-Papá... Vens conosco?
-Eu já lá vou ter filho, mas agora faz esse favor ao pai, fazes?
-Papá, e podemos jogar ao jogo das pedrinhas e dos castelos?
-Podemos querido, podemos. Mas agora vai lá para baixo com a tua mãe, sim?
-Sim Papá. Eu vou.

...

(O papá gosta muito de ti Sahid. Um dia vais perceber o que é o amor...)
...

As nuvens cresceram, e sinto o meu pé descalço. Espera, eu não sinto nada!
É noite escura e eu não vejo nada, mas o meu pé não está lá. Nem o meu pé, nem parte da minha perna. O que se passa? Devo ter desmaiado e agora tenho isto tudo pisado.
Ao longe oiço o barulho de balas atravessadas pelo vento, de explusões, agitação e caos. Entendo tudo. A minha perna não é uma perna. A minha perna está desfeita lá ao fundo no mar... Sinto-me incapaz. Incapaz.
Mas o pior é que vejo destroços por cima de mim. Pelos vistos não vou morrer com a bomba que aterrou ali a bocado, mas sim de fome.
E o meu filho? O meu pequeno filho. Será que ele foi para a cave com a mãe?
- Sahid?!!! Onde estás Sahid?!!!
Não obtenho resposta. Olho para o que resta da casa. Será que eles sobreviveram? Rastejo até à escada de acesso ao túnel que dirige a cave. Esta parte está intacta. Pelo menos eles sobreviveram de certeza.
Finalmente consigo ver a minha perna, ou o que resta dela. Estou a sangrar em abundância... Não sei se consigo aguentar até alguém chegar. No entanto, ainda arranjo um pano que talvez resulte para estancar o sangue. Acho que tenho boas hipóteses, mas tenho um corte tão profundo na outra perna que será muito dificil conseguir. Dói-me tudo. Tenho fome e sede. Não sei se conseguirei sobreviver.
O meu pequeno Sahid. Tenho saudades dele. Será que não o vou ver mais? Estou a experimentar o sentimento duro de perder um filho, mas sei que é ele que me vai perder a mim. Acho que já a algumas horas que sei isso...
E Ariana? Alá os proteja. Protejerá melhor que eu, se ficar incapaz. Mas sei que nem isso vou ficar, e não quero sujeitar-me a essa humilhação. Sei que vou morrer brevemente, não sei ainda é quando...
Gostava que eles soubessem os dois o quanto os amava, e não vou poder dizer-lhes... Eu não sei o que fazer. Não consigo chegar perto deles, e eles estão melhor lá em baixo. O bombardeamento ainda não acabou...
Isto é um som de um F-16 dos Infiéis Americanos? Sei que vai ser agora o momento final... O meu país é uma terra perigosa, mas muito mais desde que chegaram estes invasores. A minha nação será sempre a minha nação.
Oiço o missil. Vai cair aqui perto...
Será que vai doer, morrer? Talvez não. Pelo menos não me doeu a primeira bomba... talvez Alá me dê um lugar do paraiso. Só queria o meu filho, o meu pequeno Sahid...
Sahid!! Que Alá esteja convosco.

...

- Papá? Onde estás tu papá?
- O Papá não volta mais amor...
- Mas ainda não tinhamos jogado ao jogo dos castelos e das pedrinhas...
- O Papá agora foi para junto do avô
- Mas onde está o Papá?
- O Papá foi para onde vão os Heróis, Said...
- Mamã... onde vão os heróis?
- Isso só Alá sabe...
- Também posso ir ter com o papá?
- Não querido, só quando fores muito velhinho...
- Mas eu quero mesmo ir para o pé do pai... Quero ser um herói como o papá!
- Sim meu querido. És o meu herói. Sahid, não chores. O papá morreu como um verdadeiro herói.
- E posso ser o Homem Aranha?

...

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Ideias de um (justamente) Idiota

Ideia nº1 - Os politicos deviam desaparecer. Aquele parlamento está cada vez pior. Há revoltas em África e separaram a somália

Ideia nº2 - O rancor, a ingorância e a infantilidade das pessoas deveria acabar neste mundo. Há pessoas que estão mal por razões tão estúpidas

Ideia nº3 - O David Luiz faz mais falta ao Porto que ao Benfica. (Cao Azul) Com David Luiz o Benfica leva 5 no Dragão. Sem David Luiz consegue ganhar 2-0 mesmo acabando com um a menos.

Ideia nº4 - Justamente isto: Expulsar o Fábio Coentrão deixa-me sem comentários. Com 2 faltas cometidas um jogador está na rua... Bem prefiro não falar.

Ideia nº5 - Palermice. Devia haver mais cromos como eu que só dizem estupidezes* (reparem nesta palavra) e que tentam fazer pelo menos as pessoas não pensar nos problemas. No entanto, não tente por muita gente desta, porque individuos como eu, são desprovidos de inteligencia. Somo agora mais uma: Carlos Lopes.

Ideia nº6 - Reclames do Pingo Doce. Irritantes, irritantes, irritantes.

Ideia nº7 - A Manuela Moura Guedes na Sic. Rir x 3.

Ideia nº8 - Deus quer-nos felizes e sem problemas, por isso inventou a cerveja. O pior é a ressaca do diabo.

Ideia nº9 - Académica vs Guimarães. Vai ser giro ver as duas cidades tao iguais e tao rivais.

Ideia nº10 - Amor. Amor parvo, pacovio, estupido, preguiçoso, atrasado, completamente a anhar, mas de tudo, o melhor sentimento do mundo.

Ideia nº11 - Não publico esta porque 11=corno xD

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Eu tenho (quase) o 12º!

É um facto consumado nas nossas vidas. Se você que lê esta crónica ainda não tem o 12 ano e já tem mais do que a idade de ensino, está na hora de entrar para um Centro Novas Oportunidades! Não perca, esta promoção, já que lhe PAGAM para terminar os estudos e dão-lhe a possibilidade ( e veja só como isto é inacreditável) de ter acesso ao ensino superior.
Ora eu ando no Ensino Secundário, pago os meus livros, sem direito a subsidio nenhum, pago matricula, pago seguro escolar e mais umas quantas dezenas de outras coisas para chegar a ser alguém. As pessoas que não terminaram quando deviam terminar (peço desculpa pela frieza, e reconheço as circunstâncias da época) são pagas com subsídios que dão à vontadinha para deslocações e coisas do género. É que eu já nem vou falar em que consiste aqueles cursos, mas o facto de serem tão apoiados pelo estado levou-me a investigar o caso e vi logo que se tratava de mais um truque do senhor primeiro ministro.
Ora melhor caso foi eu constantar que a minha mãe (e eu apoio-a pela atitude) chegou a casa e disse que se inscreveu num curso desses de informática. Eu fiquei deveras contente porque gosto que a minha mãe se actualize. Mas quando ela me falou no subsidio de alimentação, ou lá o que é, eu fiquei, vá lá, obsuleto, mórbido e completamente fora do meu ser. A minha mãe disse-me que era muito injusto para com os jovens, e claro que eu apoiei logo a teoria.
Portanto, o melhor é esperar mais um bocado e entrar nesses cursos em que me pagam para eu lá andar. Dava-me um certo jeito mais um dinheirito para um café, ou assim. E reparem como aquilo é fantástico. Eles em pouco tempo fazem o 9ºano e o 12ºano enquanto nós andamos nove ou doze anos na escola a pagar, o que torna tudo muito mais giro. E claro, o ensino que lá se faz a base de trabalhinhos e coisas do género é mesmo fantástico, já que pelos vistos as pessoas que tem ingressado no ensino superior tem se portado como o exigido: não tem feito nada e acham aquilo extremamente complicado.
Pois claro, isto acaba por se uma anedota onde entra o senhor Eng. José Socrates, que ao que parece, concluiu engenharia ao domingo de manhã, logo, até eu me questiono: isto dá mesmo o 12ºAno ou o curso de engenharia agora é em modo Express?
*Fraquinha fraquinha.

terça-feira, janeiro 25, 2011

Um Coelho da cartola

Afinal Cavaco Silva não foi o grande vencedor das eleições presidenciais. Quem venceu afinal foi um nome, que se posicionou mais a baixo na tabela de votos mas que não ultrapassou o anterior e proximo presidente da republica só por uma razão: "As pessoas que eu atraio são pessoas mais jovens e não puderam votar porque foram para casa devido ao facto dos seus Cartões de Cidadão não estar legiveis e precisavam de ir pedir à sua Junta de Freguesia. Por outro lado, os apoiantes de Cavaco Silva são cidadãos mais idosos com B.I. vitalício e por isso não precisam deste tipo de coisas".
Falou bem José Manuel Coelho. Ele não ganhou porque, de facto, estas eleições são uma fraude, que deve ter sido comandada por esse Alberto João Jardim. Realmente se não fosse isso José Manuel Coelho não teria cerca de 4% e passava a ter 44%.
Não pensem que eu só quero troçar do respeitoso senhor. Eu estimo bastante José Manuel Coelho porque na verdade é o unico com coragem para dizer aquele rapaz novo que está no governo da Madeira pela primeira vez que ele é um fascista. É de facto exagerado. Mas Alberto João não será um santinho... no maximo um anjo, vá.
Mas este Coelho conseguiu mesmo ultrapassar Defensor Moura, uma pessoa muito mais conhecida no panorama nacional. E atenção: conseguiu mesmo ficar com 30% na Madeira. Atenção: Partidos Políticos ponham os olhos neste jovem com potencial. Tomara o Manuel Alegre conseguir tal percentagem.
Boa ideia falar de Manuel Alegre. É de facto o grande derrotado. Alegre tentou unir o país, mas nem sequer conseguiu unir PS e Bloco. Ou melhor, nem um nem outro sequer. Alegre pelos vistos alegra mais como independente do que num partido qualquer e, agora, é mesmo a risota geral dos outros partidos.
Um apreço meu ao senhor Fernando Nobre que conseguiu uma boa percentagem nas eleições, já que, não tinha apoio de ninguem excepto de si próprio e de uns quantos voluntários. Cheira-me que a AMI podia actuar em casos de ataque cardíaco de finanças e assim, mas por enquanto ninguem legaliza isso e não há nada a fazer. No entanto fiquei decepcionado. Fernando Nobre não mostrou dignidade suficiente para ser um candidato a cargo politico português. Para mim um verdadeiro político português só merece ser considerado isso quando manda meia duzia de papaias e atira uns quantos insultos ao ar. É isso que me indigna em Fernando Nobre. Ele apenas referiu umas ameaças que lhe foram feitas. Ficou com as favas. Aos outros não fez nada... Parece impossivel!
E claro, Cavaco Silva foi eleito, neste campeonato onde joga Manchester, Paços Ferreira e Alverca. Quem haveria de ganhar? Só Cavaco que é parecido com um certo senhor que já governou este país uns quantos anos. Pelo menos em termos de ideias estão de acordo...
Mas claro, nas proximas, Voto José Manuel Coelho!
*PS. O grau de loucura encontra-se no apogeu.

sábado, janeiro 22, 2011

A Carta que Nunca Te Escrevi

Os anos passam, as pessoas tornam-se débeis. Mas também se tornam sábias.
Nunca te escrevi uma carta. Faço-o hoje, um ano depois de tu teres partido. Não partiste porque quiseste eu sei. Mesmo assim fico feliz porque antes de teres partido para a tua derradeira morada, juntaste os teus 3 filhos. É isso que faz um homem feliz, e me faz a mim tambem, não só pelo exemplo que foste, mas pela referência que és. Um homem não chora, mas eu chorei naquele dia avô...
Eu sabia como já te encontravas mais débil, mas só no teu corpo que já estava cansado. A tua alma continuava a ser a de um menino livre que voa por aí. Mas eu chorei avô...
Eu sei que não querias, eu sei que tu querias que fossemos fortes e superássemos tudo, e superei, mas naquele momentos, as lágrimas venceram-me, avô. Porque me lembro da primeira vez que te disse que ia aprender viola e o teu sorriso foi evidente,  "um neto musico como eu",  e lembro-me de quando tu te rias das maluqueiras do Rex. E riamo-nos os dois. Chorei desses bons momentos, avô.
Mas eu superei avô, e sei como ficaste feliz por ver que eu finalmente tinha concretizado o sonho de jogar futebol. Cada jogo a partir daí foi sempre a pensar em ti. As boas exibições e as vitórias eram tuas.
Desculpa avô, mas eu não podia aceitar que fosse só aquilo. Ver descer-te à Terra foi o que doeu mais como uma ferida que sangra o coração. Eu não aguentava. A minha cabeça rebentava. Não pode ser só aquilo. Tenho a certeza que tu vives em algum lado, nem que seja dentro de mim.
Avô, aquilo que mesmo se alguma vez te disse, quero-te dizer agora: Eu amo-te e nunca me hei-de esquecer desses cabelos loiros e dessa face macia como a de um bébé. Era assim que eu te via. Nem me hei-de esquecer do grande homem que foste e que todos fossem assim, como tu.
Se me perguntares porqe copiei as palavras de uma passagem do princepezinho para a tua campa, eu digo-te avô. Eu via-te como um princepezinho. Loirinho e de olhos azuis-esverdeados preocupado com coisas que os homens já não se preocupam.
Esta pode ter sido a pior carta que já escrevi, mas para mim é a melhor que alguma vez fiz, por ser unicamente para ti. E se me premites, vou transcrever o texto outra vez:
"E caiu de mansinho, como caiem as árvores. Nem sequer fez barulho, por causa da areia"
Porque foi assim que tu me deixas-te. De mansinho e sem dor. Como um pequeno principe honrado, um passarinho que caiu do ninho por já não saber voar.

Um beijo avô,
"Eu vou com as aves"

<3

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Deixa cá experimentar a prenda...

É inacreditável quando eu leio isto no jornal e, fico mesmo de boca aberta. Sim, chego a bocejar ao ver o ritmo da campanha das presidenciais, mas não é isso que me refiro.
Todos os dias acontecem calamidades, destruições, mortes, feridos e acidentes, mas o que é mais estúpido é que eu continuo a olhar para aquela idiotice e ficar chocado. Devo ser o unico? Eu sei que não tenho as peças todas e tal, mas será que mais ninguém fica embabascado... (até fico gago das maos de pensar nisto) ... embasbacado?!
Bem hoje desfolhei o jornal e quando não é minha surpresa: "Adolescente mata pai e tia..."
Eu teria uns quantos adjectivos que serviam na perfeição a esta noticia, e claro, à credibilidade desta educação por parte dos país e assim. Pois claro, porque quem esta a ler esta cronica, não faz ideia do que se passou em promenor.
Ora ao que parece, o rapaz de 14 anos matou o pai e a tia com uma espingarda (e vejam só a estupidez disto), oferecida nos anos e, imaginem só, pelo pai! Ou seja, o pai ofereceu ao filho a sua própria morte, o que alem de reflectir a inteligência do pai e a educação que este dá ao seu filho, reflecte ainda o facto de o pai não tem noção.
Talvez, digo eu, o facto de oferecer uma arma de prenda de anos ainda por cima a um adolescente de 14 anos, não é uma boa ideia. É pouco inteligente. É que se ainda fosse uma bomba, o filho matava-se também, mas não. É que este pai ao menos joga pelo seguro e preserva a vida do seu filho, porque a espingarda e demasiado longa para ele disparar contra si proprio enquanto prime o gatilho.
No entanto não pensem que eu vou criticar este adolescente. Ele revela apenas curiosidade. Primeiro recebe uma prenda de anos e claro que quer experimentá-la. Quando os animais que abate já não metem piada, (sim porque um adolescente cansa-se da monotonia!) resolve matar o pai e a tia, já para não falar no avô que também foi premiado com um tiro no bucho. É toda uma nova prespectiva. E ainda por cima, nem precisa de sair de casa. Só vantagens!
Refiro ainda no facto de o rapaz querer ainda experimentar outra realidade. Este rapaz não fugiu. Telefonou calmamente a policia e esperou em casa para ser preso. Afinal retiro a má educação que o pai lhe deu. Este rapaz é um exemplo. Haja mais!

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Mais que um jogo...

É uma celebração entre dois povos, dois concelhos sempre tão rivais ao longo dos anos que já passaram, e quer queiramos ou não, devem permanecer. Todos querem ganhar e ultrapassar o velho rival, impingir uma humilhante derrota. Cabe a nós atenuar as brasas e reatar laços.
Não escondo a vontade de ganhar da minha equipa e estou certo da vontade de ganhar do Santacombadense. Respeito o adversário que para mim se encontra ao mesmo nivel do nosso, num ponto equilibrado e mais forte que no primeiro encontro da época. O terreno é outro, as equipas estão mais fortes (sim porque deste lado também nos reforçamos e estamos mais equipa), as condições são outras. O ambiente vai ser infernal, espero eu com a quantidade de gente presente. Espero que São Pedro ajude nisso, sim porque eu aposto que também vai estar muita gente de Mortágua no Estevão Faria.
O meu desejo pessoal é a vitória da minha equipa, claro, mas não posso deixar de expressar que um segundo objectivo: marcar um golo. A verdade é que nunca marquei um golo na minha curta carreira (é o segundo ano que jogo) e a minha posição (defesa direito/esquerdo) não me facilita esse desejo.
Mas queria-o fazer só para o poder dedicar a algumas pessoas. Uma delas já partiu, e foi alguem que nunca me viu jogar a bola mas que sei que o primeiro golo que marcasse seria para ele, inteiro. Também sei que ele não se importaria de dividir esse feito inédito.
Bem mas é melhor não discutir a probabilidade de isso acontecer até porque tenho intermédio na quarta e probabilidades é uma coisa que ... cansei, né? (Já para não falar que é altamente improvável)
Mas o jogo de sábado é mais que um jogo. É mesmo um jogo especial. Todos queremos ganhar. Ninguem quer perder. Um jogo de raiva, emoção e entrega até ao fim. Eu prometo isto para com a minha equipa e sei que todos vamos dar o maximo.
Desejo claro ao outro lado, onde tenho amigos, um bom jogo e um bom campeonato.
Saturday, 15PM, Estevão Faria Stadium, Santa Comba Dão, Portugal.

domingo, janeiro 16, 2011

Aconteceram Acontecimentos

É curioso que o caso Carlos Castro parece que, vulgarmente, as pessoas tem pensado so na parte do "castro", o que eu acho uma discriminação para o Carlos que me parece ser muito mais bonito e sobretudo limpo. Mas não vou comentar esse assunto, porque para idiotices é ligar a telivisão as 20h ou as 13h numa televisão de antena aberta.
Ao que parece não foi só o Carlos Castro que morreu. Parece que houve umas quantas matanças na Tunísia, mas claro que o que importou mais foi o facto das falhas de comunicação da embaixada com o governo português. São cosias que acontecem. Acontecimentos em geral.
Ao que parece já lhe chamam o 25 de Abril da Tunisia. Bem, talvez só lhe chamem 15 ou 20 individuos, todos eles com nacionalidade portuguesa. Mas o que é certo é que sairam de uma ditadura. Só que nao contentes com isso, eu penso que já se querem enfiar noutra. Esta gente é de mais. Já não bastava levarem uns quantos anos com um tipo a dar ordens e a silenciar a imprensa, agora está lá um que silencia a imprensa, dá ordens e põe tudo em tolerância zero. Aqui está a prova desses incrédulos na democracia. Ponham os olhos nesta Tunísia democrática. Afinal um tipo que diz que quem tentar impedir o governo de avançar, e de se manifestar na rua dão-lhe, literalmente, um tiro é de uma democracia medonha.
Além disso, aconteceram acontecimentos no Rio de Janeiro. Enxurradas e coisas do género. Tipo Madeira no ano passado, só que ligeiramente mais forte. Acho que apenas uns poucos milhares ou mesmo milhões de pessoas ficaram sem casa e outros morreram. Mas são coisas que passam por Portugal como o TGV. Vem como ideias e alertas, mas acabam por partir na mesma velocidade.
Mas claro, o povo Português está mais interessado em saber que Renato Seabra tinha ficado em 3ºlugar num casting qualquer e que Carlos Castro comia queijo frequentemente ao lanche acompanhado com leite e torradas. Alguém perceba este país... Não me peçam é para fazer frases, rimas ou anedotas com o nome do rapaz e do senhor de idade...
Mas a Sic adequou logo esta fase da Tunísia à sua programação com a vida privada de Salazar. Acho que de facto não podia ter havido melhor escolha.
Por isso grito a plenos pulmoes: Viva a democracia na Tunisia. Vá talvez so um grito pequenino, não vá a tolerância zero me dar um tirito no bucho.

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Biologia 2.15 PM**

14:15 Toca a campainha do bloco. Aula de Biologia. Ninguém de Ninguém à porta da sala do Bloco de Aulas principal da Escola Secundária.
14.17 Aproximam-se três ou quatro individuos da sala de aula
14.20 Chega a professora, pontualmente, mas 5 minutos depois.
14.30 Daniel Matos, depois de receber a chave da associação de Estudantes (já nem se lembra de quem), é o ultimo aluno a entrar na sala.
14.35 Inês Castro aprecebe-se da ausência de uma ou outra pessoa na sala.
14.36 Carlos Eduardo manda uma boca qualquer para André Martins. Carlos Lopes apoia e começa a troca de galhardetes entre este trio. Daniel Matos e Inês Castro observam e comentam a situação.
14.40 Jessica Pereira chama um nome que não vou citar a Inês Castro. Daniel Matos, Ines, Cátia e Daniela Lopes riem-se.
14.41 Daniel Matos aprecebe-se que ninguem presta atenção à aula. Está instalado o Caos.
14.42 Inês Castro diz qualquer coisa e Daniel Matos lembra-se de escrever esta ridicula crónica.
14.50 Começam-se a falar em gripes e constipações. Planeiam-se alvos possiveis, pessoas contaminadas e pessoas potenciais. Nada que tenha a ver com enzimas.
15.00 Toca para o segundo bloco e acabamos de dar a matéria. Começamos uma ficha. Como podem dar conta, tudo muito rápido, e bastante adiantado. Toda a turma suspira pelo segundo toque da campainha.
15.01 Segundo suspiro pelo segundo toque de campainha
15.02 Visualização das horas por parte de Gabriel Afonso
15.05 Inês Castro começa uma discussão à cerca de alguma coisa com Daniel Matos. André Martins adere. Segundos depois, metade da turma já aderiu
15.10 Depois de um exercicio, começa uma nova discussão sobre crimes envolvendo o caso famoso de Renato Seabra e Carlos Castro. Ouvem-se bocas por ser Castro como a Inês. Enxuvalhices jorram.
15.15 Mais um exercicio resolvido a custo. Mais comentários chovem
15.20 André Martins tem uma duvida e coloca a Daniel Matos: Vais ao treino? Daniel responde que sim, e olha para a professora, de certo deleitada pelo facto da entreajuda dos alunos.
15.25 Mais temas rolam na mesa. Começa-se a resolver outro exercicios.
15.35 Fala-se já de tudo e mais alguma coisa. Parece impossivel que exista ordem naquela sala. A professora acalma os animos e le um exercicio. Rui Afonso e Joel bocejam. David está ansioso por sair da sala de aula. Luis Garcia e Adriana Pereira discutem algo. Bruno deve ser o unico ser humano a prestar atenção.
15.43 Já ninguem quer saber de exercicios. faltam 2 minutos para tocar e já está tudo arrumado preparadinho para sair.
15.45 Brandem-se aleluias aos céus e vivas. Festeja-se como uma vitória na liga dos campeões, uma entrada no curso que queremos. É isto que dá alegria à escola.

*1- Decorrer de aula de biologia.
*2- Os factos enunciados estão assemelhados à realidade mas claramente exagerados pelo autor. O autor continua a ser um tipo pacóvio, com um cabelo desalinhado e despenteado. Ninguem deve levar a sério o que este rapaz diz.

terça-feira, janeiro 11, 2011

Campanha... Qual Campanha?!

É fascinante como eu assisto ao longo de anos a campanhas eleitorais, mas nunca a uma como esta. Está a ser de facto uma emoção, uma coisa expectacular e que me deixa a beira de um ataque de lágrimas. Por ser demasiado má claro. É que nunca vi ninguem como estes candidatos. São tão bons políticos que conseguem mesmo disfarçar os problemas do país e atirar culpas disto e daquilo para cima dos outros candidatos. Eu até tinha uma ideia, mas se calhar, e não querendo arriscar muito nem estar a dar dicas de um cidadão pacóvio e que nem terminou o décimo segundo ano (talvez nas novas oportunidades), era bom talvez... explicarem-se!
Acho que daria um jeitaço a qualquer tipo que habite neste país que é o nosso, perceber o que há de tão fascinante para votar em cada candidato. Parece burrice claro, mas era só uma ideia. Acho que os portugueses gostariam de ver uma campanha onde, para variar, os politicos fizem-se coisas inéditas: explicassem os seus pontos de vista.
Mas claro, o achincalhamento pessoal dos outros está sempre mais ao alcance de qualquer discurso ou debate realmente sério, que fale dos problemas do país. Tenho 17 anos e custumo dar opiniões e explicar pontos de vista. Se calhar ou sou mal-educado ou então estendo-me de mais. Na opinião de Cavaco Silva, acho que seria a segunda.
Se por um lado há uma campanha Silenciosa como sempre, do outro lado está a alegria estampada no rosto de qualquer militante (não porque haja de facto alegria, mas porque há lá um tal de Manuel Alegre) e nisto resulta um culminar de criticas a acções compradas e vendidas de bancos que já faliram e que tem sido injectados com dinheiro do estado. Quem diz do estado, diz meu mas talvez eu ainda não tenha reparado nisso, visto que sou um cidadão que explico ideias. Trata-se claramente de um indivíduo provocador.
Mas não é só no continente que as coisas acontecem. Na Madeira penso que também vai haver eleições. Pelo menos há lá um senhor de sotaque giro que fala da Madeira como fosse o seu país, além de basicamente na sua campanha apontar o dedo ao seu principal opositor: Alberto João Jardim. Curioso como eu ainda não vi a campanha de Jardim. Estou de facto ansioso por ver Jardim em acção. É que normalmente ele faz umas quantas inaugurações antes, e dava-me jeito que já existisse El Corte Inglês no Funchal.
Aqui fica o meu apoio!

domingo, janeiro 09, 2011

Derby é Derby: Um jogo especial

É verdade que defendo em campo as cores do Mortágua F.C. mas nunca sentia a minha simpatia pelo Vale de Açores apesar de reconhecer a qualidade que "os canarinhos" têm.
A verdade é que o resultado final, reflecte o equilibrio que existe sempre nestes jogos. Um empate a duas bolas completamente justo.
As coisas até começara melhores para o Mortágua que após tabelas e fintas por entre vários jogadores, há um cruzmento rasteiro chegado ao primeiro poste e o Daniel fez o primeiro golo do jogo com queixas por parte do guarda-redes dos verde e branco.
Mas logo a seguir, há um canto para o Sporting e surge um remate que vai embater na mão de um jogador do Mortágua. Penalty bem assinalado na minha opinião. O SCVA fez aí o empate. 2 golos em tão pouco tempo de jogo já prometia um jogo muito emotivo.
E não estava enganado. Surgiu outra vez um Mortágua forte, a destacar a sua qualidade individual, a maneira de trocar a bola, mostra que o Mortágua só pode ser Campeão da série e subir. Então vai surgir um livre na esquerda, bola cruzada para a área, e adivinhem quem? Daniel a bisar, num golo com algumas culpas do guarda-redes na minha opinião e também da defesa.
Mas para variar, o Sporting reagiu e antes da meia hora de jogo já estava de novo a empatar, numa má saida do guardião do Mortágua.
Relativamente a segunda parte, as coisas acalmaram mais e o Vale de Açores recuou (em demasia) embora com contra-ataques venenosos que podiam ter feito mossa no resultado. Quanto ao Mortágua os ataques organizados estavam a sair bem, mas faltou o golo devido à inspiração da defesa do Sporting que soube gerir as coisas.
Em relação à arbitragem, acho que não foi má de todo, apesar de existir um lance em que o jogador do SCVA puxa o avançado do Mortágua isolado que merecia Vermelho e não Amarelo como o que foi mostrado. No meio campo também existiram faltas mal assinaladas, ou que não foram assinaladas.
De resto, um jogo perfeito.
Resultado justo e adequado ao que foi feito.