terça-feira, janeiro 13, 2026

Votar pelo Seguro

A campanha de António José Seguro é uma campanha à sua imagem: honesta, íntegra e de uma positividade à prova de bala. É certamente uma surpresa para muita gente, mas garanto que não é para mim.

Apoiei AJS desde a primeira hora que soube da sua candidatura. É talvez um dos políticos mais íntegros de sempre e combina com isso humildade e responsabilidade. 

Arriscou mesmo sem certeza que o PS o iria apoiar, mesmo com varias criticas de dinossauros que agora sorriem ao seu lado.

Começou talvez com 10/12 por cento nas sondagens e duplicou o seu valor. Hoje parece ser o candidato mais bem cotado para chegar à 2a volta.

AJS assumiu o PS numa altura particularmente difícil, com a assinatura do compromisso com a troika depois de anos de governo socialista de José Sócrates. Foi fiel a si próprio e nunca virou a cara ao país, saindo de cena depois de uma grande derrota eleitoral nas primárias do partido (onde fiz questão de votar nele). 

Existe uma tendência para dizer que é um "miss mundo" ou que só diz banalidades, mas é um homem que defende sobretudo a constituição e é um garante da democracia. É um homem integro e que será um gerador de consensos. É por isso que o cargo lhe assenta tão bem.

Hoje está a ser levado em ombros pelo PS mas, no entanto, nunca pedinchou apoio nem foi empurrado pelo partido. Hoje é o PS que quer Seguro e não Seguro que precisa do PS. As suas escolhas para mandatários nacionais foram suprapartidárias.

É por isso que reúne votos à esquerda, ao centro e também à direita. 

Seguro é conhecedor do interior, das periferias, dos centros urbanos. É conhecedor do país real, dos portugueses. 

Arriscou quando poucos o queriam e agora poderá conseguir chegar onde muitos não lhe davam qualquer hipótese. 

Dia 18 janeiro é muito importante sair de casa e votar. Votar num presidente de todos, defensor dos portugueses, da constituição e dos nossos valores. Votar naquele rapaz nascido no interior profundo de Penamacor, agora às portas de Belém.

Dia 18 é votar pelo futuro. Por um Futuro Seguro.


António José Seguro, o meu presidente.

sábado, outubro 25, 2025

Um oásis Rosa no país da Laranja Mecânica


Finda a contagem dos votos e apuramento oficial de resultados, é tempo de balanços quer a nível nacional, quer a nível local.

No âmbito nacional, há poucas dúvidas que o Partido Social Democrata é o grande vencedor destas eleições. Conquista mais câmaras, mais juntas e mais votos, contando as corridas a solo e em coligação. É aliás notável a dinâmica de vitória criada no PSD que contribuiu também para a maioria das eleições em grandes concelhos, onde pesa muito a política nacional, dados confirmados pelos estudos do ISCTE e da Fundação FMS.

O PSD ganha Lisboa e volta a conquistar o Porto, mas conquista também Sintra, Gaia e Braga. É uma grande vitória, somando a isto a maior conquista de câmaras.

Embora mais tímido, o PS acaba por ter uma derrota pequena, pois foi vaticinado uma hecatombe eleitoral com perdas irreparáveis. É verdade que perde Lisboa e o Porto, mas acabou por vencer Coimbra, Bragança e pela primeira vez conquistar Viseu. Acaba por terminar com a conquista de menos 9 câmaras para o PSD, o que não é o “terramoto” anunciado. Não se podia pedir muito mais a José Luís Carneiro.

Nota ainda para a 3ª força mais votada, os movimentos de Cidadãos que, apesar de muitos deles serem de dissidentes de PS ou PSD, mostram como a maturidade democrática existe no nosso país e como se escolhem pessoas e não partidos nestas eleições.

Deixando o mapa alaranjado, é possível ver um quadradinho rosa rodeado de pontos laranja e um ponto cinzento (independentes). Esse ponto é Mortágua, onde o PS acaba por conquistar uma vitória expressiva

Os mortaguenses deram um voto de confiança ao Melhor Mortágua e ao Partido Socialista, voltando a eleger a equipa do Ricardo Pardal, com expressividade também na Assembleia Municipal conquistada pelo Dr. Acácio e nas juntas de freguesias.

Os números são o que são. Há quem os use para desvalorizar, mas também há quem tenha vaticinado vitórias taco-a-taco que não foram confirmadas.

Há uma diferença clara: os votos do PSD e do Renovar Mortágua somados, não chegariam para derrotar o PS.

Sinal também da dimensão da vitoria é o PS ter ganho a Câmara em todas as freguesias, com excepção do Sobral (onde ganhou uma das mesas).

Nas Juntas de Freguesia há que destacar os resultados inequívocos: o Ernesto em Trezoi faz 6-1 e o Midões na Marmeleira faz mesmo 7-0, prova do excelente trabalho que foram desenvolvendo. Também vitória expressiva em Espinho do Zé António, que tem demonstrado ser o homem certo para aquela freguesia.

Nas juntas com novos presidentes, confirmou-se a vitória do Nuno em Cercosa, a excelente vitória do Mauro em Pala (que já merecia muito, depois do “quase” de há 4 anos) e a boa vitória do Miguel na UF, uma freguesia de caráter mais urbano com votação mais incerta e que alguns diziam que podia mudar de mãos.

Justiça seja feita ao Miguel, que não sendo um homem de floreados, é uma pessoa com uma capacidade de trabalho fantástica e dá imenso de si à vida autárquica.

No Sobral, terei de tirar o chapéu ao Eurico, que mantém o grande bastião do PSD em Mortágua. É de facto uma pessoa unânime na freguesia e conquista um resultado muito bom. Desejo-lhe as melhores felicidades.

Os resultados globais acabaram por dar 3 lugares no executivo ao PS e 2 vereadores ao PSD, sendo a Assembleia Municipal um espaço mais plural com 8 deputados socialistas, 5 sociais democratas e 2 do Renovar Mortágua.

Em termos de Juntas, destaque para a eleição do Renovar com um membro para a União de Freguesias e para o Sobral.

Em jeito de conclusão, parece-me óbvio que o PS foi o grande vencedor da noite. O Ricardo, o Luís Filipe e a Ilda têm agora uma grande responsabilidade para construir uma Melhor Mortágua com a ajuda de todos nós.

Por outro lado, a Laranja Mecânica parece ter sido prejudicada talvez pelos 4 anos que esteve ausente, uma quebra no ciclo político que não ajudou à afirmação do partido, mesmo que todos os esforços tenham sido feitos (também existe máquina no PSD) trazendo um ministro e um deputado aos eventos principais da campanha.

Honra seja feita aos vencidos, personificada na pessoa da Emília, a quem tenho muito respeito e consideração e ao André Faustino, uma pessoa de enorme valor nas suas ideias que não duvido que tenha tentado dar o melhor de si. Aos dois e às suas equipas, enalteço a coragem de dar a cara pela terra e pelas ideias em que acreditamos. A diversidade é boa e só com ela se constrói uma democracia forte e madura.

A quem faz política, posicionar-se como paladino da verdade e da campanha limpa, carrega por si só um manto de hipocrisia. A política é rebater, confrontar ideias. É dizer porque se devia ter feito de outra maneira e criticar o outro. Ninguém tenha dúvida que isto é assim, mesmo que depois se apregoe outra coisa. Embora para tudo, exista uma balança e linhas vermelhas até onde podemos ir…

O povo foi soberano e decidiu.

O povo deu a vitória ao PS.

O povo deu a vitória à Melhor Mortágua.

Viva Mortágua! Que sejam 4 anos de crescimento.


terça-feira, outubro 21, 2025

Praia Fluvial em Mortágua? Faça-se!



Finda a época mais movimentada no concelho de Mortágua, com o regresso de emigrantes e alguns turistas, voltamos à rotina. Com umas eleições à porta, e para que não pudesse ser acusado de proteger o atual executivo ou de fazer uma crítica precoce a quem vencer as eleições, proponho-me a refletir sobre um tema que é quase tão caro aos mortaguenses como o novo aeroporto é para os portugueses.

Falo, evidentemente, da construção de uma praia fluvial no nosso concelho.

As dimensões do problema são até bastante semelhantes: qual a localização da praia? Que acessibilidades necessitam de ser construídas ou reforçadas? Que infraestruturas devemos oferecer? Onde é que podemos conjugar uma área generosa para banhos com segurança e qualidade da água?

Durante vários anos, existiu uma espécie de praia fluvial (não podemos dizer efetivamente que o era, pois não cumpriria os critérios dos dias de hoje) junto ao Parque Verde. Há quem defenda esta localização, possivelmente com um açude a ser colocado a jusante, embora duvide da manutenção de um caudal que permita profundidade suficiente para ir a banhos no pico do verão. Para além disso, existe ainda o fator de as infraestruturas se encontrarem em leito de cheia, sendo frequentemente inundadas no inverno. Claro que esta opção ganharia pela centralidade e também, possivelmente, pelo menor custo associado, uma vez que já existem bar de apoio e balneários.

Outra opção seria expandir a obra já realizada em Macieira, que dispõe de algumas condições para funcionar como praia, mas seria necessário aumentar a área de areal e construir novas infraestruturas, melhorando também a acessibilidade. Esta opção ganha sobretudo pela soberba qualidade da água, que penso ser a melhor entre as discutidas.

Por fim, existem outras três opções (refiro-me apenas às principais e que parecem ter maior significado), todas na Aguieira: Falgaroso, Almacinha e Valongo/Breda.

Nas duas primeiras, parece-me óbvio que os acessos são a mais-valia face à última, embora me pareça existir mais dificuldade em obter uma grande frente de praia com espaço para infraestruturas e parque de campismo (que, a meu ver, seria de aproveitar englobar nesta empreitada).

A última opção é aquela que parece ser escolhida pelo executivo atual. Aí existe, claramente, espaço para construir infraestruturas, mas será necessário reforçar a acessibilidade ao local. É ainda de salientar que, face a estas três últimas opções, a qualidade da água é muitas vezes posta em causa, o que deverá ser motivo de preocupação para quem decidir pela adjudicação da obra.

De todas as opções, há apenas um dado relevante: a cada ano que passa, existe uma oportunidade perdida. É por isso que o meu único repto é: Faça-se!

Daniel Matos


quinta-feira, setembro 04, 2014

Maré Alta


Um dia eu vou deixar de contar os passos, de apagar a luz, de acabar o trabalho que deixei sobre a secretária acumulado por vários dias. Um dia eu vou deixar de ser adulto, ou vou deixar de ser criança, ou talvez não deixe de ser coisa nenhuma.
Já te falei de histórias, de rouquidão, de choros e de gritos. Já me contaste os sorrisos, lembraste os rostos acenaste-me as caras lavadas e as mãos esfoladas, os dias cinzentos e as noites que contavas estrelas que passavam lá longe no horizonte, intermitentes e repetentes de coisas, de gostos.
Às vezes a noite vem depressa de mais, às vezes o coração bate depressa de mais, às vezes acontece tudo depressa de mais. Mas por acontecer não significa que está errado. Significa que era isto que buscávamos incessantemente, ao luar com dois copos de vinho verde na mão, o teu cigarro na ponta da boca e um cheiro a creme hidratante nos rostos avermelhados do longo dia de praia.
O cansaço dos dias apagava-se por ali, de quem anda a correr incessantemente atrás de pessoas que não sabem a cor das estrelas nem o sopro do mar. Pessoas escuras e ocas, sem o mínimo cuidado de conhecer o castanho profundo do teu cabelo, ou a tua cor morena da pele. Pessoas que não sabem mais do que contar notas de 20, ou de seja lá o que for. Pessoas que não conhecem o cheiro do mar, ou o cheiro daquele teu champô de tampa preta que passas cuidadosamente no cabelo.
Às vezes preferia desfrutar do asfalto, ou de uma calçada, enquanto passeávamos na praça. Mas o que desfrutava mais era de olhar para o teu rosto. Fixava-o tanto que nem as palavras chegavam para dizer o quanto o queria por perto. E por vezes nem palavras tinha para ti, por vezes nem sinais tinha para ti.
Os meus medos contigo sempre foram o passado. O meu e o teu passado. O passado em que fomos felizes, mas principalmente o que fomos tratados como indiferentes, por rostos fechados, distantes e escondidos, instantes e desaparecidos. O meu medo é ser pequeno de mais. O meu medo é querer demasiado, o meu medo é deixar-te ir. O meu medo é ser eu. Porque eu sou os meus medos.

E todos os dias, a maré subia e descia naquela praia, como que afagando as suas gotas de água em rochas escarpadas e em areias subtis. E o cheiro a maresia era inconfundível.
Adormeceste sobre a areia, e o teu biquini as riscas confundia-se com os guarda-sóis que repousavam sobre a praia. De novo fiz questão de te afagar a cara, de olhar as tuas linhas, o teu rosto.
E saberia sempre que ao fim do dia, por mais horas que o sol tivesse dado luz aquele mar, por mais vento que tivesse soprado no teu rosto, por mais areia que tivesse entrado nos teus sapatos, eu saberia sempre que haveria uma lua e umas estrelas para nós, um banco e um sorriso para os dois, dois pratos e um jantar partilhado, uma cama quentinha e o teu rosto, o teu bonito rosto para um novo dia, uma nova manhã, um novo acordar, uma nova realidade que seria enfim nossa.
E aí estava eu. Eu sem os meus medos. E ai estavas tu. Tu sem os teus medos.
E aprendemos a escrever uma nova palavra com 4 letras, com as mesmas do teu nome, e tão simples como tu, como nós. Aprendemos a dizê-la e a usá-la. Aprendemos a ser felizes.
Porque mesmo encobertos por esses medos, o luar está sempre lá, sempre disponível para nos olhar outra vez e nos dar a luz que precisamos.

quarta-feira, julho 23, 2014

Rusga


Ataram-me as mãos,
Enlaçaram-me os pés,
Chamaram-me nomes e
Atiraram-me ao chão.

Não compreendia,
Não chorava, nem conseguia,
O corpo dormente,
A mente vazia,
Da torrente, da tortura,
Do fim de uma aventura.

Gaza, Kosovo, Ucrânia,
O sítio tem pouca importância,
Os cheiros, os ritmos,
Os roubos, a ganância,
De quem de tudo nada tem,
De quem teme alguém.

A mão que treme,
A guerra que se teme,
O barulho ensurdecedor
Do silêncio, da morte,
De mais um barulho de motor,
Mais um cheiro a queimado,
Mais um dia baralhado,
Na imensidão do terror
Jaz para sempre enterrado,
Nos braços do horror,
De um golpe nunca sarado,
Na Faixa do Temor.