Finda a época mais movimentada no concelho de Mortágua, com o regresso de emigrantes e alguns turistas, voltamos à rotina. Com umas eleições à porta, e para que não pudesse ser acusado de proteger o atual executivo ou de fazer uma crítica precoce a quem vencer as eleições, proponho-me a refletir sobre um tema que é quase tão caro aos mortaguenses como o novo aeroporto é para os portugueses.
Falo, evidentemente, da construção de uma praia fluvial no nosso concelho.
As dimensões do problema são até bastante semelhantes: qual a localização da praia? Que acessibilidades necessitam de ser construídas ou reforçadas? Que infraestruturas devemos oferecer? Onde é que podemos conjugar uma área generosa para banhos com segurança e qualidade da água?
Durante vários anos, existiu uma espécie de praia fluvial (não podemos dizer efetivamente que o era, pois não cumpriria os critérios dos dias de hoje) junto ao Parque Verde. Há quem defenda esta localização, possivelmente com um açude a ser colocado a jusante, embora duvide da manutenção de um caudal que permita profundidade suficiente para ir a banhos no pico do verão. Para além disso, existe ainda o fator de as infraestruturas se encontrarem em leito de cheia, sendo frequentemente inundadas no inverno. Claro que esta opção ganharia pela centralidade e também, possivelmente, pelo menor custo associado, uma vez que já existem bar de apoio e balneários.
Outra opção seria expandir a obra já realizada em Macieira, que dispõe de algumas condições para funcionar como praia, mas seria necessário aumentar a área de areal e construir novas infraestruturas, melhorando também a acessibilidade. Esta opção ganha sobretudo pela soberba qualidade da água, que penso ser a melhor entre as discutidas.
Por fim, existem outras três opções (refiro-me apenas às principais e que parecem ter maior significado), todas na Aguieira: Falgaroso, Almacinha e Valongo/Breda.
Nas duas primeiras, parece-me óbvio que os acessos são a mais-valia face à última, embora me pareça existir mais dificuldade em obter uma grande frente de praia com espaço para infraestruturas e parque de campismo (que, a meu ver, seria de aproveitar englobar nesta empreitada).
A última opção é aquela que parece ser escolhida pelo executivo atual. Aí existe, claramente, espaço para construir infraestruturas, mas será necessário reforçar a acessibilidade ao local. É ainda de salientar que, face a estas três últimas opções, a qualidade da água é muitas vezes posta em causa, o que deverá ser motivo de preocupação para quem decidir pela adjudicação da obra.
De todas as opções, há apenas um dado relevante: a cada ano que passa, existe uma oportunidade perdida. É por isso que o meu único repto é: Faça-se!
Daniel Matos

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