terça-feira, setembro 28, 2010

Mundo à Parte (o teu)

Por detrás da cortina espreito
Rosa-carmim, vestido lilás
O peito ofegante, um deslize curvado
Uma trança escondida nesse sorriso rasgado
Mil sóis recordam, tempos de laranja-lima
Perdidos e encontrados no faz-de-conta,
No baú da memória que guardo na gaveta de cima
E abro para contar esta história.

Batem à porta,
E eu, ainda bêbedo de sono, pergunto nesse instante:
Quem bate assim, com tamanha força de gigante?
Do outro lado, a voz de menina,
A voz de mulher que entra no relâmpago
Da minha mente, galopante somente dizendo:
Daniel? Ainda não foi desta que mudei de mundo...

Recordo então quem me fala
E por vezes há ainda uma réstea de esperança
Que sobra neste meu ser,
Mas assim fico a olhar a porta,
Para as malas que ela já fez e desfez,
Disposta a mudar tudo e a sair deste nosso mundo
E eu digo: Não vás...
Mas ela parece não ouvir. Estou mudo.
Ela não quebra essa regra,
E assim fico eu vivendo as emoções de jovem,
Que num dia de devaneio, Se suicide por inteiro,
O seu coração que cai prostado, agora.
Nesse chão geladamente cheio.
Foste embora...

sábado, setembro 18, 2010

Eleição

Está na hora de mudar,
O Rumo da nação, do país,
É a hora de governar,
E tirar o rosto que não condiz
Não boicotes a nova eleição
Apesar de por vezes parecer a solução
Porque para elegeres alguem que não queres
Alguem sem ideias, sem imaginação
Que não luta, que promete
Mas no fundo não tem nada que interesse
Mas não!
Não uses a mesma solução
Não fiques em casa a dar aso à abstenção
Levanta-te e vota,
Luta e revolta é o prato do dia
Dá força a um novo candidato
Que não seja do governo ou da oposição
Usa antes um pequeno e dá-lhe a mão
Porque muitas vezes pode ser essa a solução
Essa mão que lhe dás pode ser
Aquilo que te vai fazer nascer,
Mas para este país será que há solução?
Desigualdade, Justiça, falta de aplicação
Divida, pedidos sem solução
Enquanto o PSD governa fica o PS na reserva
E quando acaba a bateria
Entra o PS para a chefia.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Relato(s)

Eu?... Dói muito.
Tenta
Mas dói muito muito.
Não me mexo...
A voz cala-se.
Eu acordo
Choque.
Derrapagem a fundo
Beco sem saída
Hospital? Nao chego na estância
Os alarmes soam
Por sirenes de ambulância
Eu estou deitado
No centro do alcatrão furaz.
Junto a berma está a mota
A mota? Não. Estou confuso
A mota está espetada na parte de traz
Do carro...
Tive sorte... talvez me salve
Ou não...
Tenho medo da morte.
Da não existência
Há minha mãe digam que a amo
Por favor...
É hora da decadência.
E agora sei... agora sei que não aguento
O meu coração arde na brasa
O corpo com tremores, e eu tento
Conter uma forte explosão nuclear
Que existe no meu cerebro
Parece-me a mim um traumatismo
Mas agora não sei bem o que é
Sei que vou morrer.
Quem pensa que morre aos 20 anos?
Mais imagens da minha vida a correr
Na minha cabeça
Lembro-me de tudo hoje.
E estou no ultimo folgo
Eu sei que estou. Acho que tenho um ferro
Na barriga enfiado...
Enquanto a morte não vem, os dentes cerro
Para aguentar... para aguentar...
Branco. Tudo branco. Acabou.

quarta-feira, agosto 18, 2010

Children's

Às vezes não me apetece escrever, ou melhor, não me apetece publicar o que escrevo, mas hoje vou fazê-lo porque acho que é certo.
Há pessoas que nos fazem sentir nós mesmos, que nos fazem sentir como crianças, e nos fazem regressar à inocência e à infinitésima infância. Regressamos ao ponto zero, a um novo mundo de realidades e sentidos, de escolhas, de prazeres e ideias.
O tom com que vos falo parece o de um puto apaixonado, mas não. Por enquanto não há ninguém que preencha esse espaço. No entanto a minha paixão é a própria vida, os amigos, as experiências entre tantas outras coisas. Os sorrisos cruzam o espaço quando estamos assim envolvidos por este clima.
É por isso que me lembra as crianças que riem de qualquer coisa mesmo quando estão com fome ou em estados muito debilitados. Eu gosto bastante de crianças e o sorriso delas é algo inesquecivel e sobretudo puro e inocente. É um sorriso verdadeiro.
Há pessoas que não descolam da nossa mente nem da nossa carne, mas também há as que nem chegam a tocar-nos com as unhas. As pessoas que não descolam, amamo-las, queremo-las. São essas que nos fazem sentir nós e por isso dizemos que não amamos só pelo que as pessoas são mas também do que nós somos quando estamos com elas.

segunda-feira, agosto 02, 2010

Mortágua, Agosto.

É certo que o numero de emigrantes a regressar no verão diminui um pouco em termos de tempo de férias e também no número que regressam. No entanto, Mortágua duplica a populção neste mês de Agosto onde regressam os trabalhadores filhos da terra emigrados alem-fronteiras. 
Em conversa com uma ou outra pessoa também fiquei a saber que vinham para cá pessoas francófonas (acho que se escreve assim) que nem sequer eram naturais de cá ou mesmo quem não tivesse raizes portuguesas. Vinham como amigos de emigrantes e ao que pude apurar essa afluência de pessoas gosta mesmo do nosso país pelas mais variadas razões. Tanto do país como Mortágua. Acho que podemos por os olhos nestes exemplos de que somos um país que as pessoas gostam de visitar, mesmo que, por vezes, em determinados sitios as pessoas tenham de pagar um pouco mais para ver, no entanto, fazem-no por gosto.
Mortágua, como disse eu, duplica. Não quer dizer que seja morta durante o ano, pois a actividade ao fim-de-semana nocturna e durante a semana diurna em Mortágua é francamente positiva comparada com concelhos vizinhos e também para o agregado populacional do concelho.
No entanto, Agosto é mês de férias e festas. Realiza-se agora a Festa da Juventude e Associações, conhecida por "Taskinhas" com um bom cartaz, apesar de surgirem sempre criticas porque não se pode agradar a todos. Um cartaz com nomes de relevância como Blasted Mechanism, Oquestrada, Tributo aos Queen, D'zrt e ainda por ultimo, a tradicional Gala Internacional de Folclore com rancho vindos de várias partes do mundo e que para os apreciadores (sobretudo mais velhos) também são um belo aperitivo.
Mas também os bares e cafés da vila e do exterior da vila tornam este mês de Agosto mais atractivo com muitas festas todos os fim-de-semana e muita animação mesmo quando não existem festas. Além disso as piscinas e o patrimonio natural e humanistico são bons para os turistas e emigrantes (re)visitarem e por isso se sentirem bem aqui. 
Ainda tem também a possibilidade de dar uma escapadela a Coimbra ou Viseu ou mesmo às Praias da Figueira, Mira, Tocha ou qualquer outro ponto de interesse (e há tantos!) no nosso país.
Portugal e Mortágua são por isso sustentados também na emigração por parte dos nossos e do seu turismo que no mês de Agosto aflui em grande escala.