sábado, outubro 25, 2025

Um oásis Rosa no país da Laranja Mecânica


Finda a contagem dos votos e apuramento oficial de resultados, é tempo de balanços quer a nível nacional, quer a nível local.

No âmbito nacional, há poucas dúvidas que o Partido Social Democrata é o grande vencedor destas eleições. Conquista mais câmaras, mais juntas e mais votos, contando as corridas a solo e em coligação. É aliás notável a dinâmica de vitória criada no PSD que contribuiu também para a maioria das eleições em grandes concelhos, onde pesa muito a política nacional, dados confirmados pelos estudos do ISCTE e da Fundação FMS.

O PSD ganha Lisboa e volta a conquistar o Porto, mas conquista também Sintra, Gaia e Braga. É uma grande vitória, somando a isto a maior conquista de câmaras.

Embora mais tímido, o PS acaba por ter uma derrota pequena, pois foi vaticinado uma hecatombe eleitoral com perdas irreparáveis. É verdade que perde Lisboa e o Porto, mas acabou por vencer Coimbra, Bragança e pela primeira vez conquistar Viseu. Acaba por terminar com a conquista de menos 9 câmaras para o PSD, o que não é o “terramoto” anunciado. Não se podia pedir muito mais a José Luís Carneiro.

Nota ainda para a 3ª força mais votada, os movimentos de Cidadãos que, apesar de muitos deles serem de dissidentes de PS ou PSD, mostram como a maturidade democrática existe no nosso país e como se escolhem pessoas e não partidos nestas eleições.

Deixando o mapa alaranjado, é possível ver um quadradinho rosa rodeado de pontos laranja e um ponto cinzento (independentes). Esse ponto é Mortágua, onde o PS acaba por conquistar uma vitória expressiva

Os mortaguenses deram um voto de confiança ao Melhor Mortágua e ao Partido Socialista, voltando a eleger a equipa do Ricardo Pardal, com expressividade também na Assembleia Municipal conquistada pelo Dr. Acácio e nas juntas de freguesias.

Os números são o que são. Há quem os use para desvalorizar, mas também há quem tenha vaticinado vitórias taco-a-taco que não foram confirmadas.

Há uma diferença clara: os votos do PSD e do Renovar Mortágua somados, não chegariam para derrotar o PS.

Sinal também da dimensão da vitoria é o PS ter ganho a Câmara em todas as freguesias, com excepção do Sobral (onde ganhou uma das mesas).

Nas Juntas de Freguesia há que destacar os resultados inequívocos: o Ernesto em Trezoi faz 6-1 e o Midões na Marmeleira faz mesmo 7-0, prova do excelente trabalho que foram desenvolvendo. Também vitória expressiva em Espinho do Zé António, que tem demonstrado ser o homem certo para aquela freguesia.

Nas juntas com novos presidentes, confirmou-se a vitória do Nuno em Cercosa, a excelente vitória do Mauro em Pala (que já merecia muito, depois do “quase” de há 4 anos) e a boa vitória do Miguel na UF, uma freguesia de caráter mais urbano com votação mais incerta e que alguns diziam que podia mudar de mãos.

Justiça seja feita ao Miguel, que não sendo um homem de floreados, é uma pessoa com uma capacidade de trabalho fantástica e dá imenso de si à vida autárquica.

No Sobral, terei de tirar o chapéu ao Eurico, que mantém o grande bastião do PSD em Mortágua. É de facto uma pessoa unânime na freguesia e conquista um resultado muito bom. Desejo-lhe as melhores felicidades.

Os resultados globais acabaram por dar 3 lugares no executivo ao PS e 2 vereadores ao PSD, sendo a Assembleia Municipal um espaço mais plural com 8 deputados socialistas, 5 sociais democratas e 2 do Renovar Mortágua.

Em termos de Juntas, destaque para a eleição do Renovar com um membro para a União de Freguesias e para o Sobral.

Em jeito de conclusão, parece-me óbvio que o PS foi o grande vencedor da noite. O Ricardo, o Luís Filipe e a Ilda têm agora uma grande responsabilidade para construir uma Melhor Mortágua com a ajuda de todos nós.

Por outro lado, a Laranja Mecânica parece ter sido prejudicada talvez pelos 4 anos que esteve ausente, uma quebra no ciclo político que não ajudou à afirmação do partido, mesmo que todos os esforços tenham sido feitos (também existe máquina no PSD) trazendo um ministro e um deputado aos eventos principais da campanha.

Honra seja feita aos vencidos, personificada na pessoa da Emília, a quem tenho muito respeito e consideração e ao André Faustino, uma pessoa de enorme valor nas suas ideias que não duvido que tenha tentado dar o melhor de si. Aos dois e às suas equipas, enalteço a coragem de dar a cara pela terra e pelas ideias em que acreditamos. A diversidade é boa e só com ela se constrói uma democracia forte e madura.

A quem faz política, posicionar-se como paladino da verdade e da campanha limpa, carrega por si só um manto de hipocrisia. A política é rebater, confrontar ideias. É dizer porque se devia ter feito de outra maneira e criticar o outro. Ninguém tenha dúvida que isto é assim, mesmo que depois se apregoe outra coisa. Embora para tudo, exista uma balança e linhas vermelhas até onde podemos ir…

O povo foi soberano e decidiu.

O povo deu a vitória ao PS.

O povo deu a vitória à Melhor Mortágua.

Viva Mortágua! Que sejam 4 anos de crescimento.


terça-feira, outubro 21, 2025

Praia Fluvial em Mortágua? Faça-se!



Finda a época mais movimentada no concelho de Mortágua, com o regresso de emigrantes e alguns turistas, voltamos à rotina. Com umas eleições à porta, e para que não pudesse ser acusado de proteger o atual executivo ou de fazer uma crítica precoce a quem vencer as eleições, proponho-me a refletir sobre um tema que é quase tão caro aos mortaguenses como o novo aeroporto é para os portugueses.

Falo, evidentemente, da construção de uma praia fluvial no nosso concelho.

As dimensões do problema são até bastante semelhantes: qual a localização da praia? Que acessibilidades necessitam de ser construídas ou reforçadas? Que infraestruturas devemos oferecer? Onde é que podemos conjugar uma área generosa para banhos com segurança e qualidade da água?

Durante vários anos, existiu uma espécie de praia fluvial (não podemos dizer efetivamente que o era, pois não cumpriria os critérios dos dias de hoje) junto ao Parque Verde. Há quem defenda esta localização, possivelmente com um açude a ser colocado a jusante, embora duvide da manutenção de um caudal que permita profundidade suficiente para ir a banhos no pico do verão. Para além disso, existe ainda o fator de as infraestruturas se encontrarem em leito de cheia, sendo frequentemente inundadas no inverno. Claro que esta opção ganharia pela centralidade e também, possivelmente, pelo menor custo associado, uma vez que já existem bar de apoio e balneários.

Outra opção seria expandir a obra já realizada em Macieira, que dispõe de algumas condições para funcionar como praia, mas seria necessário aumentar a área de areal e construir novas infraestruturas, melhorando também a acessibilidade. Esta opção ganha sobretudo pela soberba qualidade da água, que penso ser a melhor entre as discutidas.

Por fim, existem outras três opções (refiro-me apenas às principais e que parecem ter maior significado), todas na Aguieira: Falgaroso, Almacinha e Valongo/Breda.

Nas duas primeiras, parece-me óbvio que os acessos são a mais-valia face à última, embora me pareça existir mais dificuldade em obter uma grande frente de praia com espaço para infraestruturas e parque de campismo (que, a meu ver, seria de aproveitar englobar nesta empreitada).

A última opção é aquela que parece ser escolhida pelo executivo atual. Aí existe, claramente, espaço para construir infraestruturas, mas será necessário reforçar a acessibilidade ao local. É ainda de salientar que, face a estas três últimas opções, a qualidade da água é muitas vezes posta em causa, o que deverá ser motivo de preocupação para quem decidir pela adjudicação da obra.

De todas as opções, há apenas um dado relevante: a cada ano que passa, existe uma oportunidade perdida. É por isso que o meu único repto é: Faça-se!

Daniel Matos


quinta-feira, setembro 04, 2014

Maré Alta


Um dia eu vou deixar de contar os passos, de apagar a luz, de acabar o trabalho que deixei sobre a secretária acumulado por vários dias. Um dia eu vou deixar de ser adulto, ou vou deixar de ser criança, ou talvez não deixe de ser coisa nenhuma.
Já te falei de histórias, de rouquidão, de choros e de gritos. Já me contaste os sorrisos, lembraste os rostos acenaste-me as caras lavadas e as mãos esfoladas, os dias cinzentos e as noites que contavas estrelas que passavam lá longe no horizonte, intermitentes e repetentes de coisas, de gostos.
Às vezes a noite vem depressa de mais, às vezes o coração bate depressa de mais, às vezes acontece tudo depressa de mais. Mas por acontecer não significa que está errado. Significa que era isto que buscávamos incessantemente, ao luar com dois copos de vinho verde na mão, o teu cigarro na ponta da boca e um cheiro a creme hidratante nos rostos avermelhados do longo dia de praia.
O cansaço dos dias apagava-se por ali, de quem anda a correr incessantemente atrás de pessoas que não sabem a cor das estrelas nem o sopro do mar. Pessoas escuras e ocas, sem o mínimo cuidado de conhecer o castanho profundo do teu cabelo, ou a tua cor morena da pele. Pessoas que não sabem mais do que contar notas de 20, ou de seja lá o que for. Pessoas que não conhecem o cheiro do mar, ou o cheiro daquele teu champô de tampa preta que passas cuidadosamente no cabelo.
Às vezes preferia desfrutar do asfalto, ou de uma calçada, enquanto passeávamos na praça. Mas o que desfrutava mais era de olhar para o teu rosto. Fixava-o tanto que nem as palavras chegavam para dizer o quanto o queria por perto. E por vezes nem palavras tinha para ti, por vezes nem sinais tinha para ti.
Os meus medos contigo sempre foram o passado. O meu e o teu passado. O passado em que fomos felizes, mas principalmente o que fomos tratados como indiferentes, por rostos fechados, distantes e escondidos, instantes e desaparecidos. O meu medo é ser pequeno de mais. O meu medo é querer demasiado, o meu medo é deixar-te ir. O meu medo é ser eu. Porque eu sou os meus medos.

E todos os dias, a maré subia e descia naquela praia, como que afagando as suas gotas de água em rochas escarpadas e em areias subtis. E o cheiro a maresia era inconfundível.
Adormeceste sobre a areia, e o teu biquini as riscas confundia-se com os guarda-sóis que repousavam sobre a praia. De novo fiz questão de te afagar a cara, de olhar as tuas linhas, o teu rosto.
E saberia sempre que ao fim do dia, por mais horas que o sol tivesse dado luz aquele mar, por mais vento que tivesse soprado no teu rosto, por mais areia que tivesse entrado nos teus sapatos, eu saberia sempre que haveria uma lua e umas estrelas para nós, um banco e um sorriso para os dois, dois pratos e um jantar partilhado, uma cama quentinha e o teu rosto, o teu bonito rosto para um novo dia, uma nova manhã, um novo acordar, uma nova realidade que seria enfim nossa.
E aí estava eu. Eu sem os meus medos. E ai estavas tu. Tu sem os teus medos.
E aprendemos a escrever uma nova palavra com 4 letras, com as mesmas do teu nome, e tão simples como tu, como nós. Aprendemos a dizê-la e a usá-la. Aprendemos a ser felizes.
Porque mesmo encobertos por esses medos, o luar está sempre lá, sempre disponível para nos olhar outra vez e nos dar a luz que precisamos.

quarta-feira, julho 23, 2014

Rusga


Ataram-me as mãos,
Enlaçaram-me os pés,
Chamaram-me nomes e
Atiraram-me ao chão.

Não compreendia,
Não chorava, nem conseguia,
O corpo dormente,
A mente vazia,
Da torrente, da tortura,
Do fim de uma aventura.

Gaza, Kosovo, Ucrânia,
O sítio tem pouca importância,
Os cheiros, os ritmos,
Os roubos, a ganância,
De quem de tudo nada tem,
De quem teme alguém.

A mão que treme,
A guerra que se teme,
O barulho ensurdecedor
Do silêncio, da morte,
De mais um barulho de motor,
Mais um cheiro a queimado,
Mais um dia baralhado,
Na imensidão do terror
Jaz para sempre enterrado,
Nos braços do horror,
De um golpe nunca sarado,
Na Faixa do Temor.


segunda-feira, junho 23, 2014

Abraço


Rasgava uma luz ténue por entre os cortinados da janela na minha sala de estar, começando a percorrer o corredor devagarinho, como que tentando não acordar ninguém, vindo plantar-se por entre a porta do meu quarto e embatendo-me na roupa.
A mala estava prestes a ser fechada, depois de acomodar algumas roupas e aquilo que a meu ver seria essencial para alguns dias longe daqui. A última camisa dobrada, o ultimo fecho e pronto, tudo preparado.
Junto a mala ao banho fresco que tomei para acordar. São seis e meia da "matina" e o comboio da Beira Alta chegará em breve à estação.
Passo num caminhar lento, para não fazer barulho, pois no andar de cima repousam os meus pais, no seu quarto. Paro apenas no hall de entrada, deixando um bilhete como que a justificar uma saída com uns amigos para férias, a fim de não os deixar preocupados. A minha mãe de certo me telefonaria entretanto.
A pé e de mala às costas, como tantas vezes por esses caminhos fora o fizera em fins-de-semana longos, com mais um par de amigos e lenço ao pescoço, mas desta vez com um destino mais alargado.
O ar quente passou rapidamente com o chegar do comboio. As carruagens, ligeiramente mais frescas dispunham-se numa longa fileira de luzinhas e janelas, onde pude tirar o bilhete.
A viagem fez-me trocar de comboio na Pampilhosa e desembarcar posteriormente na Campanhã, no Grande Porto. Confesso que nunca tinha frequentado a linha roxa do Metro Porto, mas a viagem iria-me levar até ao destino final da mesma.
E foi assim, pela primeira vez que pisei o Francisco Sá Carneiro, um aeroporto em franca expansão e mais organizado e bonito que a conjuntura da Portela...

(...)

Memmingen-Munique, pela Ryanair ficava a algumas horas de distância, mas o placard marcava já a abertura do check-in. Teria de me despachar, pois chegar com pouco tempo para fazer tudo o que era necessário até ao embarque, mesmo bem à maneira "tuga".
O voo descolou passavam pouco mais de 15 minutos das 3 das tarde. Até lá, já tentara acalmar o estomago e passeado pela zona internacional do Aeroporto de Pedra Rubras. Farto de esperar...

(...)

Ao fim de tarde, Memmingen avizinhava-se simpática, a cidade da região da Suábia na Baviera, com pouco mais de 40 mil habitantes numa zona que servia de apoio à Grande Munique. Confesso que olhei de lado ao aterrar, pois as quatro bolas na baliza portuguesa pelos alemães ainda estavam bem na memória recente, vistas ainda por mim na mente há um par de semanas atrás.
Depois da saída do aeroporto, precisava de me localizar. Füssen, era o destino por aquele e os 80 e tal quilómetros era o que nos separava. Parecia pouco, mas seriam 3 horas de comboio devido a obras da principal via de acesso (que poderia fazer de autocarro) e por isso a viagem tornar-se-ia cansativa, com um acumular das imensas horas que passavam desde a saída de casa em Mortágua...
Adormeci, acordando com o Samsung a despertar, por volta das 21:30, com Füssen já à vista. A estação central, bem no epicentro de Füssen agradou-me, esta que mostrava a pouca distância que se separava da fronteira austríaca bem ali no final da curva do rio. O Hirsch, ficava umas ruas à frente e percorri a pé a distância que separava o edifício tradicional alemão.
Entrei. O seu interior combinava muito com o exterior, bem cuidado e com um travo a Baviera. Depois do check-in na recepção do hotel, subi ao quarto 52. Estava exausto apesar de na maior parte do dia ter estado sentado, deitando-me na cama só para "me esticar".
Acordei uma hora depois com o toque do telemóvel. Um  número alemão...
- Estou?
- Sim? É a Rose.
- Oh, olá Rose. Então como vai tudo?
- Por aqui tudo bem. E tu?
- Cheguei à pouco. Um bocado cansado... E os miúdos? E o Philipe?
- Estão bem. O Philipe, está ali a ressonar no sofá. O trabalho na estufa tem sido mais intensificado nestes dias, ainda mais com a expansão que decidimos fazer.
- Oh compreendo, claro. Vocês trabalham bem.
- Sim. Telefonei-te por causa...
- Dela, não foi?
- Sim. Amanhã é o dia de folga dela e de maior parte do pessoal da empresa. O Philipe e eu temos de ir lá de manhã, mas estávamos a pensar deixá-la em Neuschwanstein, porque ela ainda não viu o castelo.
- E vai sozinha?
- Sim, eu digo-lhe que voltamos rápido e ela fica por lá a visitar, pois como deves calcular aquilo já nos é bastante familiar.
- Tens toda a razão claro. Nem pensei nisso.
- Não te preocupes. Tudo bem. Então está por lá às 10 amanhã, sim?
- Claro que estarei... afinal porque raio teria vindo hoje de Portugal?
- Eu sei. Mas promete-me uma coisa...
- Então?
- Fá-la Feliz.

Neuschwanstein avizinhava-se imponente. Eram nove e trinta da manhã, e sabendo que os alemães seriam sempre mais pontuais que nós, decidi-me por ir mais cedo. Um frio na barriga, como me assolava sempre nestes momentos, prendeu-me a respiração. A rapariga dos cabelos castanhos...
O castelo, que esteve a concurso das 7 maravilhas do mundo, era mesmo maravilhoso, talvez um dos monumentos mais bonitos que tinha visitado. Faltavam alguns minutos...
Decidi-me por entrar no castelo. Saberia que ela ia acabar por encontrar-me, havia qualquer coisa que me dizia. E sendo assim dirigi-me até à torre mais alta do castelo, com uma vista fantástica para o Lago Forggensee, esperando e apreciando a vista.
Pareceu-me tê-la visto entrar no castelo, mas a longa distância que nos separava foi impossível distinguir tal visão. Saberia que ela própria não ia deixar de ver aquela vista de sentir aquele lugar. Era ela, e eu sabia o que ela era. Sabia como precisava de uma mão e de um beijo. E de alguém que fizesse valer a pena.
Ao olhar a porta, e estando a torre deserta, ouvi passos a aproximar-se. E a silhueta que me fazia reluzir os olhos, abrir um sorriso e tremer um pouco as mãos encostou-se à porta como que embasbacada, sem reacção.
Poderia imaginar a quantidade de perguntas que ia fazendo mentalmente, mas olhei-a com uma profundidade no olhar e aproximei-me. Em simultâneo, ela fez o mesmo.
E sem dizer uma palavra, cheguei-me ao pé dela e disse:
- O mundo todo e eu só preciso de ti.
E quase que com um bailar de lágrimas nos olhos, dois meses depois da partida de Portugal para trabalhar nas estufas da Alemanha, a rapariga dos cabelos castanhos abraçou-me, sussurrando-me ao ouvido:
- Nunca mais me largues.

O melhor abraço do mundo.