segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Nha Cretcheu

A gente nasce. A gente cresce. A gente brinca.
Joga a bola na rua. Rie-se da piada. Vê os desenhos animados e ri muito. A gente dorme e adormece vezes sem conta no sofá da sala. E toca viola no canto do quarto, sozinho pensando na vida. A gente não sabe o que espera. A gente ouve aquela musica que nos pões a chorar.
A gente separa-se dos país, a gente enfrenta a morte de alguem, a gente enfrenta a traição, a intriga e a mentira. Aí a gente Cresce e fica mais maduro.
A gente sabe que a vida é dura. Mas a gente luta e luta e luta. A gente vence sempre, porque vencer é o acto heroico de lutar cada dia. A gente quer e alcança. A gente leva horas a decorar aquela matéria complicada, a entender aquela conta dificil, a traçar aquele desenho que à muito se encontra na cabeça e a escrever aquele texto que faz todo o sentido na nossa vida.
A gente procura encontrar a felicidade. A gente conhece alguem novo. A gente conhece-se, fala-se, abraça-se. A gente olha-se nos olhos. A gente gosta-se.
A gente vive o dia e tenta encontrar uma saida para a sua vida. A gente consegue o trabalho que quer, o trabalho que não quer, mas que ainda assim tentamos ser felizes. A gente toma então a decisão de viver o resto da vida com aquela pessoa que apareceu na nossa vida. A gente procura, a gente encontra.
Se a gente gosta, a gente cuida. A gente quer e procura resolver os problemas, atenuar as discussões e agradecer nos momentos mais complicados. A gente acarinha quem nos acarinha. A gente ama. Simples.
E a gente pensa que vai envelhecer ao lado da pessoa que a gente cuidou, que a gente cuida e que a gente cuidará, e nada fará mais sentido se isso não acontecer. A gente ama e não reclama. A gente quer, a gente pode, a gente sabe, a gente gosta, a gente ama, a gente é a gente, e a gente somos todos.
A gente ama nossa mãe, nosso irmão, nossa namorada, nosso primo, nosso amigo, nossa amiga, nosso cunhado, nossa sobrinha, nossa tia... a gente ama qualquer pessoa que nos chegue perto.
A gente cresceu e aprendeu a dizer Nós. A gente aprendeu a Amar.

domingo, fevereiro 27, 2011

Infinitivo

Sou,
Eu sou,
Resultado,
Soma do quadrado
Raiz de quem não sabe
Dividir os multiplos de cada lado.
E
Ouço, não quero
De quem comunga, ser a sensação
O calculo algébrico da resultante das forças
De quem do mesmo sangue retira o resto da equação

Passo,
Corro apressado,
De quem joga tudo
Em cada jogada do baralho,
Em cada passo do meu retalho,
Simples
A emoção,
De quem procura no coração,
De outro, de outra, de tomar a direcção
De sarar a ferida curada, de queimar a pele furada
De,
Quem bebe da vida,
De tragos muito pequenos,
De gestos superiores mas tão terrenos,
E ouvir falar é mais do que ouvir dizer
Ouvir, é o dom.
A palavra é a força.
Amor infinitivo.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Latência

Passam segundos, minutos, horas, tantos dias já somados, tantos anos já passados.
O meu nome é nada, o meu tempo é vazio, porque já não conto os dias que somo. Sou eu e apenas eu. Vá, eu e a minha barba, as minhas rugas, as minhas olheiras, os meus cansaços, as pernas que já não podem, os braços que já estão cansados e este sofá. Oh velho e glorioso sofá! Quantas memórias não desfolhei aqui da guerra, dos sons aterradores que ouvi, dos aviões que me fustigavam os ouvidos... São os meus traumas e os velhos arrepios.
Divago no vazio dos dias e na televisão procuro a companhia que ja não tenho, a que já partiu e nunca mais me aconchegou o leito, nem me aqueceu a água para os pés, nem sequer a voz, suave e limpa, soou pela minha casa. Partiu.
Já não faz grande sentido existir, pois não?
A vida passa, e os sonhos, pouco a pouco, vão se desvanescendo. Há quem lhe chame desilusão com a vida, eu chamo-lhe crescer e ganhar maturidade. A palavra velho deveria ser um posto e não um estorvo na nossa sociedade.
O meu sonho sempre foi ter filhos. Tive-os é verdade. Mas para quê os ter agora, se não estão perto de mim? Se não os ouço, nem à mãe deles? São livres, e voaram do seu ninho como pássaros crescidos. A minha mulher tinha razão: para mim nunca sairam da moldura, nunca sairam de casa, do ninho onde eu com carinho os aconchegava, sorria.
Passeávamos tantas e tantas vezes aos domingos e dias santos de guarda. Umas vezes iamos até à praia, quando estava bom tempo, outras tantas visitávamos os pais da minha mulher à terra perdida no tempo. E agora, na cidade que cresce a todo o ritmo, estou eu, perdido no tempo. Perdido de quem já não conhece o bom da vida, perdido de quem não sabe o que são carinhos, afectos e beijos. Perdido.
O meu sonho é ainda um: morrer rodeado do Pedro, da Rita e do Tomás. Os meus queridos filhos. Quero sair deste mundo com a ultima memória deles. Mas a verdade é que não sei.
O que sei é que a morte virá. Tão cedo ou tão tarde. Não sei. Virá apenas, e disso não resta duvidas.

"A morte não me assusta, o que assusta é a forma de morrer" Boss Ac.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Principessa.

Bonjorno Principessa. É o filme que marca uma época e que para mim, é um filme de eleição e considerado dos melhores de sempre. É comico-trágico, uma metragem em que Roberto Benigni (realizador e actor) protagoniza o papel de Guido Orefice, judeu, que procura conquistar a sua principessa, Dora, protagonizada por Nicoletta Braschi, uma professora primária.
A personagem de Guido Orefice, pai amoroso e muito inteligente, é servente de mesa junto com o seu tio, e coloca charadas a um cliente, o dr. Lessing, que mais tarde voltam a ter um encontro no minimo estranho e inesperado.
Para quem não está enquadrado, este filme expande-se ao longo da 2ª Grande Guerra Mundial, época de perseguição cega aos judeus nas ditaduras de Benito Mussolini e Adolf Hitler que consideram a raça Italiana e Ariana como puras e superiores a qualquer raça.
Guido Orefice consegue fazer Dora desistir do casamento com o Perfeito da Camara Municipal da cidade, o que resulta numa união entre os dois que mostra um amor diferente, sempre cuidado e muito partilhado entre os dois. Dessa união vai nascer o pequeno Giosuè, ou em português Josué ou José.
Pai, filho e o tio de Guido são levados para um campo de concentração e aqui começa uma das maiores e melhores cenas de cinema e da coragem de um homem. Mas nesta viagem Dora também embarca provando novamente o amor que tem por Guido.
Então para Josué, inicia-se aqui um grande jogo segundo o pai. É preciso fazer mil pontos e todas as torturas sofridas pelos judeus são escondidas pelo pai, como jogos. Por exemplo, quando o general alemão vai explicar as regras do campo, Guido oferece-se para a tradução para dizer que aquilo é um jogo, que não devem pedir comida, para que o filho não se aperceba do horror que aquilo envolve.
É o desenrolar da acção conseguimos perceber que Guido consegue sempre ocultar a verdadeira razão.
Guido encontra o seu cliente de vários anos que é doctor no campo de concentração. O doutor parece disposto a ajudar Guido, mas depois tudo se torna apenas num meio para conseguir desvendar uma charada. Guido desespera e vê como naquele caso, um problema tão grave como o dele é submetido para segundo plano.
O fim trágico com a morte de Guido no último dia que o campo é controlado por fascistas, é um abalo para os espectadores do filme, mas que nos deixa com o sorriso o facto de Josué conseguir o primeiro prémio: um tanque de guerra real que aparece vindo do Exército dos EUA.
Uma história que mostra como a vida é mesmo bela, e a grande inteligência de Guido ao conseguir ocultar aquele verdadeiro horror, e como consegue tornar a vida perfeita para a mulher e para o filho. Um filme que aconselho a ver, um livro que aconselho a ler.
A força de um home resiste a qualquer guerra.
Arrivedeci, Principessa*

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Sporting Clube de Portugal, um fenómeno.

Olhando para o título que eu escrevi, os sportinguistas são atraídos com vista a que eu vá falar bem do sporting, visto que, o título que seleccionei parece francamente positivo. Os outros adeptos sabem está claro que eu vim apenas para o achincalhamento e denegrição da imagem deixada por este real clube. Ou melhor, Surreal (sublinhe-se bem).
Antes de ir propriamente ao forro da questão, é natural que eu comece a achar que o S.C.P. faz de facto justiça ao seu nome. Cada vez mais o Sporting é isso mesmo, apenas e só desporto. É aquela tipica frase que os professores ensinam aos alunos: "ganhar ou perder é tudo desporto." É um pensamento que deve começar a entrar rapidamente na mente dos Sportinguistas. Aconselho ainda assim aos mais velhos a deixarem o clube devido ao aumento de probabilidade de ataque cardíaco. Sofre-se sempre até ao fim, e por vezes para nada.
E acho bem que Sporting seja de Portugal. Faz toda a lógica nos tempos que correm. Portugal é um país de sucessivas crises, demissões de primeiros ministros e toda a espécie de trafulhices (atenção: será dificil ultrapassar o Porto neste aspecto) e por isto mesmo é que se ajusta tanto ao nome do Sporting.
Só é pena de clube continuar a ter pouco...
Reparemos no seguinte aspecto que eu queria focar: os sportinguistas estão descontentes. Paulo Sérgio encontra-se também ele descontente com o facto de o Sporting não poder oferecer-lhe alternativas. Costinha demite-se porque continua descontente com a direcção do Sporting. A direcção do Sporting encontra-se descontente com o presidente e toda a gestão do clube além da parte desportiva que os deixa indignados. Bettencourt demite-se porque se encontra descontente basicamente com o Bairro de Alvalade todo e porque rebentou um tubo na canalização da sua sanita.
Isto levou a demissões. Demissões que não foram umas quaisquer. Bettencourt abandonou o cargo sem de facto ter abandonado (sim, porque ainda ninguem percebeu porque e que ele tem sempre qualquer coisa para dizer ao Jornal A Bola), Costinha demite-se (ou é demitido?) por aparentemente dizer verdades à cerca de aspectos relativos à grande instituição que é o Sporting Clube de Portugal.
Ao ver tantos lugares vagos, há claro uma onde de novos candidatos sempre a quererem entrar na esfera para resolver problemas. No entanto o fenómeno Sporting faz com que os candidatos se demitam de candidatos. É surreal. A grandeza do Sporting Clube de Portugal permite a demissão de pessoas que por e simplesmente não ocupam quaisquer cargos. Irónico.
Já para não falar que Paulo Sérgio que ao que parece é achincalhado por membros da direcção e adeptos do grande Sporting Clube de Portugal. Paulo Sérgio no entanto refere que irá dar sempre a cara e "levar com as balas".
É curioso que o Sporting está a dar pequenos passos para conseguir o estatuto do grande F.C.Porto. Lembro-me que adeptos do Porto e pessoas contratadas para o efeito (à que dar emprego a quem quer trabalhar!) é que costumavam perseguir, esbofetear, pontapear e ameaçar com armas jogadores, dirigentes e outras coisas, já para não falar na calhoada habitual ao autocarro do Sport Lisboa e Benfica.
Ora P.S. afirma aqui que está sujeito a levar com as balas, o que me só me dá para concluir duas coisas parecidas com o F.C.P.: O Sporting joga mal e além disso parece ter adquirido 25% do passe dos SuperDragões. Qualquer dia já se fala em Campeonato dos Túneis para os lados do Lumiar.