segunda-feira, dezembro 30, 2013

Muito mais que a Vida ("Tu não és especial", reformulado)


Todos os dias vais acordar com aquela cara inchada, com aqueles olhos semi-cerrados, a cara ainda vermelha e quente e o cabelo desalinhado. Vais acordar com a vontade de voltar a dormir, de ficar por aí a fazer nenhum, mas sabes que tens obrigações.
Tomas um banho, desejando ficar sobre aquele calor da água quente durante muitos mais minutos que o teu dinheiro e o teu tempo te permitem. Sais pouco depois, apressado para um tal trabalho, uma tal posição de prestígio, uma reputação que tens a manter.
E sabes o que é mais irónico? Sabes? Às vezes nem gostas muito do trabalho e passas o tempo a pensar o que farás quando saíres a seguir. Entusiasmas-te muito mais com coisas como aquele almoço com a família ou os amigos, que deveriam ser coisas básicas e comuns. Passas o tempo triste, instável, mas certamente que os euros ao fim do mês permitem aliviar essas "dores".
Sais de novo com essa cara de vinagre e achas que todos te adoram. Achas que todos os teus amigos se riem das tuas piadas, te elogiam constantemente. Achas que aquelas brincadeiras em palavras que eles usam sobre ti, Não passam disso mesmo. Achas que toda a gente tem a obrigação de te amar. Achas que conquistaste um lugar no mundo porque tens um bom trabalho. Deixa-me dizer-te: estás enganado.
Estás enganado porque continuas a achar que o mundo se deve curvar para ti, porque achas que aquela pessoa com quem namoras te deve toda a atenção e amor ou porque achas que aquela pessoa de quem gostas deve tentar conquistar-te, deve tentar afirmar-te aquilo que sente. Achas que tudo gira a tua volta e digo-te... achas mal! 
Achas mal porque ninguém te deve absolutamente nada. Não conquistaste nada. Achas que o dinheiro que recebes é proporcional aquilo que é a tua felicidade? Pões o teu estatuto à frente do que te faz feliz? Tornas-te por isso apenas humano. Fraco e pouco digno.
Um dia escreveram um texto que se chamava "Tu não és especial". Pois eu decidi reformular, dizer-te que sim, que és, mas apenas que não aCreditas!
Acredita que tudo é possível, que mereces fazer aquilo que gostas, que dás tudo de ti nas coisas que fazes, que corres, que buscas, que lutas por aquilo que te faz feliz. Acredita que a vida é mais do que esta linha tão ténue, composta por milhares de fibras e milhões de átomos. A complexidade está naquilo que tu quiseres que esteja na tua vida. Ser feliz é mesmo isto: assumir que se errou, assumir que se tem defeitos e sobretudo assumir aquilo que se quer conquistar sem medos, com a certeza que tudo será bom, que tudo seguirá o seu curso. E se no fim de tudo, continues a achar que esse não é o caminho, então olha com atenção, pois está tudo no caminho, as coisas certas. Só as tens de saber usar.
Porque um dia serás feliz caso o queiras, e aí, só o teu sorriso pode derrubar qualquer obstáculo.
Será?

quarta-feira, dezembro 04, 2013

Malformação de Paul Walker



Quando vemos alguma publicidade ou algo alusivo a filmes com o título “Velocidade Furiosa” vem-nos logo algo à cabeça, que é… Vin Diesel.
Sinceramente, e falando desse tema, fico extremamente aborrecido por estas coisas acontecerem. Um homem anda toda a vida a tentar ser reconhecido e um tipo falece e ganha logo milhares de fãs. Estou a pensar falecer também, para ver se publicam videos meus no Youtube ou escrevem R.I.P. em tudo o que é rede social. Paul Walker é um fenómeno, gradual com os filmes que fazia, exponencial quando conseguiu arranjar uma certidão de óbito.
Já ando a tentar pressionar os senhores das finanças do meu município a fim de conseguir tal documento, que me parece ser a via mais fácil para chegar à fama, mas não tenho lá nenhuma prima nem nenhum cunhado. Com cunhas é que uma pessoa sobe na vida. Até lá dizem que não passam certidões de óbito a pessoas vivas, o que me parece um escandâlo dada a crise socio-económica do país.
O fenómeno pode ser mesmo comparado a séries telvisivas, pois tive a informação que irão haver alterações em determinadas séries. Óbviamente que teremos séries como Walker Dead ou Breaking Cars. Também surgiram passos de dança, bandas como os Crash Walker Dummies e por algum motivo o Star Wars produziu uma personagem chamada SkyWalker.
É incrível como as pessoas se lembram das mortes destes artistas. A morte de Mickael Jackson comemorou-se com fantasmas, passos de dança, moonwalker’s. Ficaram a faltar claro os jardins de infância associarem-se a estes eventos.
Os cientistas entretanto consideraram o fenómeno já como patologia, verificando-se um aumento de adrenalina no corpo da pessoa, espasmos, vontade enorme de movimentar os dedos em teclas de computador perante páginas sociais em que se divulguem fotos do actor, fazer corridas de carros e usar frases do autor para descrever os seus sentimentos.
Diferenciaram então de uma malformação com o nome Dandy-Walker. Hoje chama-se Paul Walker e parece ser a maior pandemia desde Mickael Jackson.(*)(**)

*- O autor opta por escrever na antiga terminologia

** - O autor não pretende ferir susceptibilidades, ficando-se apenas por um humor fraquinho e mórbido.

sexta-feira, novembro 29, 2013

Manifestis Probatum: Soares é fixe!


O que têm em comum o homem que levou um "banano" na Marinha Grande e aquele que é para nós já considerado um Papa afectivo e com proximidade? À primeira vista nada, embora todos tenhamos contemplado como têm ideias parecidas.
Afinal Mário Soares foi ridicularizado por alguns quando proferiu declarações que poderiam incitar à violência, quando falou na Aula Magna perante um encontro de políticos de esquerda. Mas Soares apenas está a tentar dar uma de "eu bem avisei", uma vez que o próprio sabe o que são traulitadas, sopapos e bananos no bucho. Soares sabe-lo como ninguém e tenta passar a experiências às gerações mais novas, desprovidas ainda de pancadaria e confusão. Já começo a acreditar que há um Presidente da República em Portugal, visto que do outro, apenas as reflexões silenciosas parecem passar.
Para muitos parece ser claro que "Soares é fixe", mas para outros trata-se de uma brasileirada recôndita que se traduziria por "Soares é f***". Fica ao critério do leitor interpretar. 
Estas palavras que pareciam serem acusadoras e ofensivas, num claro apelo à violência, foram agora reduzidas a palavras mais simpáticas e de alerta, uma vez que o Papa Francisco resolveu intervir usando palavras na linha de Soares. 
O que é um facto é que toda a gente pergunta o que Soares e Francisco querem dizerem com tais coisas, e se estão de facto a incentivar a violência. No entanto a pergunta essencial não é essa: Porque raio o Papa Francisco, mais conhecido por Paquito d'Argentina, se intrometeu na política portuguesa?
Afinal, um tipo que vive bem, com posses, numa catedral e palácios no meio de Roma, com um próprio país, tem necessidade de se meter num país como este que não interessa nem ao menino Jesus quanto mais aos seus súbditos? 
Analisando os principais temas, poderia ser algo relacionado com a discussão da Bola de Ouro. De facto CR7 e Messi estão em guerra acesa, e o facto de tentar diminuir Portugal, poderia indiciar um apelo ao voto no seu compatriota. Mas o homem não fez referência a Blatter, nem a Platini, o que exclui que tivesse a falar de prémios desportivos.
Então, depois de muita pesquisa, avanço em primeira mão a razão que levou Francisco a fazer tais afirmações protegendo Soares de todas as acusações que foi alvo: os dois têm em comum uns dos melhores pares de bochechas do Mundo. O papa Francisco está claramente atrás, mas mesmo assim parece ir amealhando pontos pelo mundo inteiro, enquanto Soares vai tentando solidificar o lugar nas principais praças europeias. 
Uma coisa é certa, sem violência ou não, com ou sem bola de Ouro, está para durar a competição pelas irregularidades anatómicas de certas figuras do Mundo e da nação.

segunda-feira, novembro 18, 2013

O Falecimento Económico


A notícia dos últimos tempos tem sido a bombástica inversão do crescimento económico! É verdade, estamos a crescer, e o melhor é fazer já bandeira disto e festejar como uns loucos.
Afinal o Euro 2004 não se compara nada a esta vitória, uma vez que antigamente éramos uns tipos pobres, com dinheiro que mal chegava para as contas, a pagar pesados impostos, num país francamente atrasado. Agora tudo mudou! Somos agora brilhantes tipos pobres, com dinheiro que mal chega para pagar as contas, com impostos ainda mais bonitos e rechonchudos para pagar, num país francamente atrasado mas com índice de crescimento positivo.
Mas calma! O estado continua a alertar que vivemos a cima das nossas possibilidades. Claro que o problema está na questão de a maioria da população não estar disposta a falecer, o que causa um impedimento ao desenvolvimento. Enfim, são aquele tipo de gente que se agarra ao programa da manhã do Manuel Luís Goucha e diz afincadamente que não quer falecer, pois o dinheiro mal chegou para pagar a TDT e agora têm de usufruir de tal serviço.
É preciso ver bem como o povo português é teimoso e persistente. É gente que é capaz de ganhar 500 euros por mês e os gasta em comida. Comida! Um verdadeiro escândalo, visto que não estamos propriamente em países nórdicos. E ainda reclamam do décimo terceiro mês.
As pessoas não se limitam a viver a cima das suas possibilidades, também gostam de comer, manifestar-se e mesmo falecer a cima das suas possibilidades. Essa gente que falece por aí, só traz despesa ao estado porque é gente que se pendura em cordas ou se bombardeia com fármacos, e não tem em conta as despesas que o estado tem com arrombamentos de porta, análises, autópsias. E este é um dos problemas de Portugal: gente que nem para falecer tem jeito.
No entanto, há sempre grandes vozes que percebem estas questões como Margarida Rebelo Pinto, famosa filósofa portuguesa que garante sentir "repulsa" por quem se manifesta contra o Governo, estando "profundamente triste" com a "falta de civismo" e de "responsabilidade civil" de quem "interrompe o trabalho" de quem governa para protestar.
Realmente este pessoal que faz greves e falta ao trabalho para se manifestar, ainda por cima contra o governo é de uma má criação e de uma falta de civismo completa. É gente que vai com garrafões de vinho, bombos e cornetas cantar coisas que prejudicam o governo para ao pé do Parlamento. Gente que não tem nível, labregos armados em heróis. Gente que não consegue escrever livros e publicar na Bertrand.
Mas Margarida Rebelo Pinto esqueceu-se de um pormenor importante: isto é gente que porventura também não tem trabalho a que possa faltar.
Gente que vive claramente a cima das suas possibilidades e se manifesta a cima das suas possibilidades, devendo optar por uma notinha na porta do frigorifico com um símbolo relativamente a policias do anos 60. Enfim, com uma PIDE talvez esta cambada de gente incomportável se digna-se a levar a democracia a peito e com respeito.
Porque é gente que pratica uma guerrilha social e não percebe a sua função para ajudar o país: abrir uma garrafa de champagne, festejar o crescimento e em seguida, se não houver mais nada, falecer. E a falecer que seja dentro das suas possibilidades.

terça-feira, outubro 29, 2013

Política Desportiva em Mortágua



As estruturas são profissionais se o quiserem ser. Por mais amadores que sejam os clubes, as suas estruturas podem descer ao seu nível ou entrar num nível maior de rigor financeiro e objectivos bem definidos. E é isso que tem acontecido em Mortágua? Não.
Sejamos sinceros, o futebol é o maior desporto do concelho, não desprezando outros que tentarei falar se não me alongar muito ou ficarão para outra crónica, e por isso vou dar especial atenção a este campo.
Começamos pelos 3 clubes. Sim, eu disse 3. Vou incluir neste leque a Casa do Benfica de Mortágua, porque na verdade pratica futsal feminino, uma modalidade popular também e que se encontra próximo do futebol. E é por aí que começo.
Gosto de ver uma equipa feminina, por mais talento ou menos que tenha a competir, a dar vitalidade às mulheres e a dizer um basta ao desporto exclusivamente masculino. E a opção da CBM ao optar apenas pelo feminino é discutível, mas aceita-se bem, uma vez que em épocas que existiam masculinos, muitas vezes os gastos foram mal divididos, injustamente. No entanto, perdeu-se um pouco, porque gostava que continua-se a haver futsal masculino em Mortágua, o que seria bom, se houvesse uma aposta para os jovens. No entanto é perfeitamente aceitável.
Olhando agora para o futebol podemos ver 2 clubes: o Sporting Clube de Vale de Açores e o Mortágua Futebol Clube. Têm duas origens e simpatizantes diferentes, pois o Mortágua cedo se assume como o clube do concelho, enquanto o SCVA como um clube bairrista e de paixão. Pessoalmente sempre gostei do SCVA pela maior proximidade afectiva que desperta nas pessoas, mas representei o Mortágua e sempre me orgulhei disso também e continuo a gostar. No entanto as coisas não estão bem.
O Mortágua resolveu ano após ano desperdiçar jogadores jovens, sem uma aposta afincada neles, desperdiçando muitos dos dinheiros que a Câmara atribui para as camadas jovens (que são muitas!) e retirando para o plantel sénior enorme fatia. É uma pena que assim seja, pois nos ultimos anos o Mortágua tem deixado de apostar na terra, e com tantos bons jogadores que por aqui se vêm, o desperdício muitas vezes faz parecer pecado. Se me vierem falar de resultados desportivos, tudo bem, posso aceitar que não conseguiríamos chegar à 3º Nacional na época passada, mas de que vale tudo isso se descemos logo? Uma equipa com vários jogadores de cá poderia perfeitamente conseguir bons lugares na Divisão de Honra Distrital da AFV e até lutar pela subida. Têm dúvidas? Eu não. E para isso há muitos exemplos por aí de clubes que o fizeram. É uma questão de gestão, uma questão de saber os passos que se dá. Afinal somos um clube de uma vila no centro do país e queremos o quê? Subir sem medida? Sinceramente não é esse o caminho, porque o Mortágua não terá nunca sustentação para tal, a menos que apareça um investidor desmedido, e assim tudo bem. Agora assim, apenas temos levado com decisões medíocres.
Quanto ao SCVA está a pagar uma factura de durante alguns anos ter deixado de apostar na enorme prata da casa que tinha (e com bons jogadores!) e encontra-se sem plantel sénior, apenas com camadas jovens. Este ano houve rumores de o lançamento de uma equipa amadora, sem custos praticamente para competir na  1ª Divisão (2º na prática) formada por gente local. E até parece haver boas predisposições para que isso aconteça, mas infelizmente o clube no início da época ainda estava demasiado condicionado para assumir tal compromisso. Esperemos que volte.
E é incrível tudo isto, numa altura em que se deu bastante dinheiro aos clubes e que se vêm modalidades que dão créditos como a Pesca e o Karate, serem tão mal apoiados. Afinal temos um atleta fenomenal ao nível dos melhores da sua idade no mundo como o Nuno Pardal, e na pesca vários atletas que tem representado a selecção nos Campeonatos Mundiais de Pesca... é altura de fazer alguma coisa por eles!
Já para não falar no ténis, visto que a modalidade também é pouco apoiada. Felizmente já se fizeram campos novos, pois os antigos já estavam absolutamente desprezíveis. Mas continua a faltar apoio, e um tanto de publicidade ao ténis em Mortágua. Tinhamos e temos jovens que querem praticar a modalidade, temos alguns talentos jovens e que poderiam chegar mais longe, não fosse a falta de aposta. Infelizmente continua-se a injectar dinheiro "fácil" e num desporto da dureza e nas condições que o ténis oferece não se aposta.
Há também uma aposta recente no Rugby, com ainda pouca expressão, mas já com alguns jovens a participar. Uma vez que apenas há formação, os apoios devem chegar para as necessidades do clube, uma vez que o objectivo é incutir e dar uma nova realidade desportiva ao concelho.
Temos ainda o Ciclismo, um desporto que tem ganho bastante visibilidade em Mortágua pelas participações dos irmãos Hugo e Bruno Sancho na volta à Portugal e até de algumas boas classificações, vencedores de troféus RTP, etc. A afirmação ganha também um nome: o Velo Clube do Centro. A equipa tem ganho uma dimensão de formação de nível e a aposta tem sido distribuída. Têm vários escalões, sendo que em praticamente todos eles existem elementos mortaguenses, o que não é muito fácil dada a difícil descoberta de talentos no ciclismo que queiram competir em vez de "andar de bicicleta". É por isso um desporto em ascensão, com a Maratona BTT organizada por este clube, e a Volta a Mortágua, que conta normalmente para o Troféu RTP e que se assume como uma rampa de lançamento de jovens. É um exemplo de uma obra bem gerida e com objectivos concretos.
É um problema de mentalidade claro, mas a própria Câmara deve incentivar programas que possam levar os mais novos a escolher outros desportos! As interacções com as escolas são fundamentais.
Agora se o dinheiro continuar a ser injectado nos clubes com esta finalidade de ir buscar e pagar ordenados a jogadores de fora do concelho e não serem direccionados para aquele que deveria ser o principal objectivo, não vale a pena.

Podem dizer por algum motivo que não tenho voto na matéria, mas fui atleta no Mortágua durante 3 anos, pratiquei natação durante muitos anos nas Piscinas Municipais e sonho um dia dar o meu contributo, se me permitir no desporto em Mortágua. Além disso fui sócio do Mortágua, e já não o sou pela política que o clube segue, pois as nossas cores ainda são azul e amarelo, mas por vezes parecem vermelho e azul, e não gosto da ideia de pertencer ao União de Coimbra B.

Porque se alguém sente a camisola, somos nós! Tenho dito.