quinta-feira, março 22, 2012

A vida faz-se de sonhos...

Um dia lembro-me de escrever sobre uma tal "rapariga de cabelos castanhos", e imaginá-la como um sonho que passa rápido numa nuvem. Talvez mais ou menos à um ano, comecei a escrever aqui e numa rede social, crónicas dessa rapariga. Acreditem ou não eu encontrei-a.
Mas nem se quer é isto que me causa mais surpresa... A surpresa maior é elas serem tão parecidas. A rapariga dos cabelos castanhos não é apenas um produto dos meus sonhos, ou então a minha vida tornou-se nesse produto. A mesma cor, o mesmo tom de voz, a mesma comunicação, o sorriso e até a própria vida é idêntica às palavras que faziam esses textos. Ela é produto de mim, ou eu produto dela.
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O meu quarto está vazio, a mala ao canto, as prateleiras cobertas de apontamentos e livros sobre protecções, intensidades e fotografias escuras médicas. Procuro ajeitar a cama, arrumar as sapatilhas do jogo de futebol e escuto as conversas que vem da rua. No pensamento já está a viagem que faço hoje, procurando sair e exilar-me por algumas horas do mundo. É sexta-feira, e a rapariga de cabelos castanhos procura-me num ápice, desenhando histórias e escrevendo no meu mundo com cores de amarelo e azul, olhando o céu redondo no horizonte, onde o sol se despede com um "até já", prometendo um breve descanso à guarda da lua.
Olho em volta e vejo fotografias de tempos felizes, de olhares distantes e alegres, de pensamentos brilhantes sobre homens e mulheres que o tempo levou, ou por este motivo, ou por aquele... Sinto-a abraçar-se a mim e olhar para as molduras, dizendo-me qualquer coisa impreceptivel. Sei que não está bem, sei que lhe custa ainda ouvir os paços dele no soalho da casa, ou a voz rouca e grave com que lhe diria bom-dia. Mas no final de contas, ela fez aquilo que de mais correcto podia fazer, e eu orgulho-me disso.
Procuro-a na moldura e comento a doçura da sua figura de criança, do sorriso sincero e mimado que fazia. Ela escuta-me longe, procurando o presente e deixando o passado de parte. E aí, ela olha-me nos olhos, procura-me na voz e vivemos o presente, na prespectiva de um futuro, de um tempo melhor que nos faça levantar todos os dias com a força da alegria. E o meu olhar dissolve-se no dela, permanecendo como o universo. Eterno.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Luz

Não tremas, nem temas. O frio desaparece e o medo dilui-se na noite. As vozes ecoam na igreja larga lá na Praça do Santo, na árvore de todos os sonhos. Nasceu, Ele. Yehi Or! Faça-se luz.
Do que vale ele nascer todos os anos quando a paz está longe? De que vale nascer ele se a igreja é a mesma, o ouro que percorre todas essas basilicas, que chegaria para dar de comer e de beber a tantos milhares de pessoas? De que vale?
É apenas um Deus vazio, escrito num livro de histórias, alteradas ao longo do tempo que eles querem encobrir, para vocês, homens de fé, que de pouca culpa têm, oferecem metade do vosso pão a quem já tem um banquete montado. É pena que seja sempre nesta altura que nos lembramos das pessoas. Os supermercados e as grandes marcas lembram-se sempre de mim, com grandes reclames para eu comprar, antecipando saldos e encobrindo uma crise que está no soalho do meu quarto. Alguns mais generosos ainda se lembram dos outros. A maioria da família. Vazio.
Velho ditado esse d' "O Natal é quando um homem quiser", mas cada vez há menos Natais, menos união, faternidade e todos aqueles adjectivos que estão em perigo de extinção, apenas perservados pelos dicionários.
É fundamental ajudar. Fundamental dar. Não só para eles. Para nós. Preencher o espaço Vazio e chamar-lhe aquilo que os Homens já não conhecem: o Amor, a Amizade, Lealdade... Tantas coisas que já não compreendemos. Porque na nossa mente existe apenas um longo e grande silêncio: Vazio.
Porque...
Eu não tento, eu consigo
Eu não procuro, eu encontro
Eu não protesto, eu exijo
Eu não caminho, eu galopo
Eu não recebo, eu dou
Eu não quero ser,
Simplesmente.
Sou.

terça-feira, novembro 29, 2011

Radiografia I

A espada cruza os ares na longínqua Alagaesia, terra de dragões e cavaleiros. Ninguém me manda ler Eragons, nem Eldests nem Brisingers. Ninguem. É apenas uma busca, um sonho, uma fuga ao dia-a-dia, na bitola de quem encaixa pedra sobre pedra, estaca sobre estaca, erguendo uma personalidade, uma mentalidade, um rosto.
"Jovem com talento sonha alto...", e eu procuro sonhar, procuro na base do encontrar, um poema num desenho, encontrar um estranho, com o Sam The Kid moldo personalidades, atribuo idades, procuro assim muitas e novas identidades. Procuro e encontro, porque a vida me dá, espécie de segredo que nos fará, viver, este enredo. Quero gostar, quero ver, quero amar, ser um miudo produtivo, ser profissional no bom sentido, no desenho da vida que escrevo com caneta sem apagar a tinta preta que me leva a loucura, vida dura que perdura sempre à perna, ela não é eterna.
No sentido busco a face na plateia, que me leva a outro lugar, numa outra dianteira, na base do creativo-lógico, eu crio e rimo e só jogo no analógico, dessas fases da vida bem ou mal passadas, elas não são erradas, mas estão atrofiadas, por outra vidas que passam e tu não vês, nem se quer a palavra que está escrita tu lês?
É facil e barato, procura no chinês, que a realidade vai surgir das duas às três. E é levado para outro mundo, outro tempo, outro segundo, uma realidade quadrada vamos do punhal a espada, e nada parece. Acordo e pergunto, não fujo do assunto, o teu órgão já foi doado, foste operado, a tua vida não tem mais lugar se não deitado, e enquanto tentas sobreviver, voltas a reviver, tudo aquilo que tens a perder. Espera aí, vou contigo! E a teu lado sigo o caminho, a morte e dura realidade, a capacidade de mortal de quem nunca vai ficar, de quem nunca vai errar, nem o buraco a si no chão cavar. Eterno.

quarta-feira, setembro 14, 2011

Dar

De palavras duras é feito o mundo, não fosse este cruel e instável, como a dureza do meu nome no dominio da mesma letra eu hoje ouço e apenas partilho.
Não se trata de massajar as missangas da rapariga dos cabelos castanhos, de olhar nos olhos dela, de pegar na mão dela: o problema é um e só um: mentalidade. Os dias correm bem, outros correm mal, conclusão brilhante como só podia ser, não é? É como as palavras que eu escrevo. Agradam, não agradam... enfim.
O mundo é redondo, tem oportunidades novas aqui e além fronteiras, onde o desconhecido espreita, mas enfrento sem medo porque começo a compreender a palavra Dar. Aliás quero-me esquecer da palavra receber. Porque eu olho para o rapaz que vai descalço buscar água a um poço na Etiópia que fica a quilómetros, com o risco de ser raptado ou levar uma bala, vejo uma menina na india privada de sair, de estudar porque os pais não querem simplesmente ou porque não tem dinheiro para isso, e apenas me pergunto: sou assim tão infeliz? Não, não sou.
As coisas mudaram e o tabuleiro está do meu lado embora tu penses que está do teu. Porque eu não desmotivo, moralizo-me, não volto a cair porque nunca cheguei ao chão nem nunca, mas nunca vou esquecer, porque eu perdo-o.
Perdoar não é esquecer, é apenas apagar ligeiramente para que não se repita, e hoje eu sei mais de ti do que alguma vez poderia saber. São ilusões, puras, simples e cruas. Começo a conhecer um universo que não é aquele que conheci e hoje acordei e pensando bem, sempre o soube. Mas o vento é forte, e os nomes que escrevi na areia já estão apagados.
As pessoas passam, mas apenas algumas permanecem. Não sei se será o caso, não sei qual é o teu caso. Mas agora sei que não conheces as pessoas, nem te sustentas na minha linha. Aliás tu não passas a linha da minha meta.
És capaz de Dar? Pois, talvez adiemos a pergunta, talvez nos devemos divertir com outras falsas histórias.
Porque eu hoje sei mais de ti.
Sei exactamente onde se encontra o peão nº5 ou onde está a torre que inicia na parte direita. A rainha essa desapareceu, e o cavalo perdeu-se no G6. Eu sei o teu jogo, sei o teu ritmo. Conheço-te com um promenor que tu não sabes, até porque se soubesses quem eu sou, jamais estarias do outro lado do tabuleiro.
Tudo isto porque precisamos de aprender a dar e a resistir a distâncias, tempos, enfim, problemas. Porque não nos queremos mentalizar do que realmente queremos. Porque a base de tudo é a mentalidade. Só e apenas isso. E a minha não sei se será evoluida, mas não será certamente a tua.
É por isso que um dia mais tarde quero partir como voluntario, conhecer outras pessoas e culturas e dar o valor aquilo que é a vida. AMI, VIDA ou ADDHU. São possibilidades.
Porque a palavra Dar é mais importante. Um dia tu vais perceber e espero que não seja tarde, porque eu já renasci, e assim assino o meu nome com a mesma letra que comecei e assim termino,
O meu nome é Daniel e quero ser feliz.
"In the End"
http://www.youtube.com/watch?v=eVTXPUF4Oz4&ob=av3e

segunda-feira, setembro 12, 2011

Two Towers

11/9

2001, Faro, Algarve, Portugal

É curioso nesse dia estar de férias no Algarve. Não é curioso porque estou cá todos os anos, normalmente. É curioso é estar em Faro. Posso dizer que entrei em contacto com esse mundo que é o terrorismo numa loja de electrodomésticos onde as televisões anunciavam um desastre aereo de um Boeing. Era mais novo, mas não foi esta a minha impressão quando chocou o segundo contra a outra torre. É evidente que um avião que vai com extrema velocidade e com um objectivo de acertar em determinadas vigas do edificio, não pode ser um desastre.
Humor é o facto de ninguém as ter reconstruido e eu já ter visto milhares de vezes, elas a desmoronarem-se. Ou então a fé derrubar edificios mas não mover montanhas.
A evolução da humanidade faz-se por momentos, e este foi um deles. Crescemos mais a nivel de segurança, não só os EUA mas também a Europa e cada um de nós. As pessoas cresceram e estão mais conscientes. É pena que nem todas :)
Mas que interesses políticos estarão por de trás de guerras abertas pelos EUA? Interesses económicos? Segurança Nacional, sim, mas não me convencem apenas com esse argumento.
É preciso repensarmos neste acontecimento, na horrivel sensação de perda e de pânico, de actos aberrantes para a humanidade, mas também nesse majestoso orgulho de ser dono do mundo exibido pelos States. Afinal, foram duas torres que mudaram o mundo?

Talvez haja outros momentos mais certos para o mudar.