Ninguém me diz o que se passa,
Ninguém me fala da conquista
Ninguém me diz o que me ultrapassa
E põe-me fora da pista.
Diz-me aquilo que me escondes,
Porque eu não sei se possa celebrar
Se vá cair eternamente num abismo
Até a eternidade me levantar.
Eu sei do que falo,
Sei o que tu dizes quando eu calo,
Sei que não me contas o que sabes...
Sei que nada sei, e nada saberei enquanto não me disseres
Que o pior pressentimento é esta ansiedade
E colorido vou ouvindo pelas ruas dessa cidade...
Que cada lágrima é uma cascata,
Que cada sorriso é um mundo.
quarta-feira, setembro 07, 2011
sexta-feira, julho 29, 2011
Saudade.
Combinamos palavras na inequivoca esperança de um regresso, de uma frase solta, de um grito que nao amplificamos ao mundo. Esperamos eternamente por volta a esse tempo, mas nada mais resta que uma palavra portuguesa, tao portuguesa como o Fado, ou serao estas duas uma so?
Interrogo-me e escrevo o que se passa no mundo, o que pode ser um futuro ou que acontecimentos passados se verificaram mas se escrevemos e porque a nossa alma tem um processo cognitivo de continua aprendizagem, no qual a memoria tem um significado propenso que auxilia nesta demanda. E na memoria que guardamos a saudade, que exultamos e por vezes ate demais, damos um novo brilho e toque pessoal de algo.
A saudade provem de coisas boas disso acho que podemos estar todos de acordo. Podemos recordar momentos tragicos e marcantes mas eles nao derivam da saudade que tambem temos. "Por favor, abraça-me", acabo de ouvir a expressao na televisao, mas a saudade trouxe-me a expressao para outros campos: a memoria de outros abraços, de outros beijos e sobretudo do que nao disse.
E as vezes arrependemo-nos tanto do que ja poderiamos ter dito... E acentua-se mais quando vemos que alguem esta longe. Fisicamente ou Espiritualmente.
Temos todos de ganhar coragem. Temos todos de deixar de ser-mos Seres humanos para passarmos a ser pessoas! Custa muitas vezes, mas tera de ser.
Saudade e assim a marca do passado no nosso presente.
Interrogo-me e escrevo o que se passa no mundo, o que pode ser um futuro ou que acontecimentos passados se verificaram mas se escrevemos e porque a nossa alma tem um processo cognitivo de continua aprendizagem, no qual a memoria tem um significado propenso que auxilia nesta demanda. E na memoria que guardamos a saudade, que exultamos e por vezes ate demais, damos um novo brilho e toque pessoal de algo.
A saudade provem de coisas boas disso acho que podemos estar todos de acordo. Podemos recordar momentos tragicos e marcantes mas eles nao derivam da saudade que tambem temos. "Por favor, abraça-me", acabo de ouvir a expressao na televisao, mas a saudade trouxe-me a expressao para outros campos: a memoria de outros abraços, de outros beijos e sobretudo do que nao disse.
E as vezes arrependemo-nos tanto do que ja poderiamos ter dito... E acentua-se mais quando vemos que alguem esta longe. Fisicamente ou Espiritualmente.
Temos todos de ganhar coragem. Temos todos de deixar de ser-mos Seres humanos para passarmos a ser pessoas! Custa muitas vezes, mas tera de ser.
Saudade e assim a marca do passado no nosso presente.
domingo, julho 24, 2011
Sometimes your smile is a Waterfall
I turn the music up...
Caminho devagar, a camisola encharcada da chuva miudinha que cai sobre a manha do Lago Como. Loucura em vir correr tao cedo, mas sobretudo um teste fisico a resistencia e um alimento para o corpo e para a mente: Saude.
O ipod deslizava sobre a bolsa pequena que trazia sobre o pescoço a descer na diagonal do tronco contendo aquilo que necessario era. A musica estava mais alta porque eu a quis por mais alta. Parecia que a ouvia cantar outra vez como na noite passada, mas nao ha nenhum Chris Martin, nenhuma Amy Winehouse nem qualquer outro que substitua a voz dela. O amor e cego, mas tambem e meio surdo e quantas vezes tambem nao e mudo?
I got my records on...
Mais e mais discos que tenho na estante, ao chegar a casa, ponho a tocar. O velho radio ainda le cd's apesar de mal apanhar as frequencias. E ai, I shut the world outside until the lights come on, e isolo-me do mundo, porque o mundo e um lugar cruel no qual somos postos.
And I feel my heart start beating to my favourite song, essa musica que nao e musica mas sim, o eterno regresso de dias felizes, de noites passadas, de sorrisos rasgados por entre lagrimas. E uma batida assim miudinha, uma viola e pouco mais que fazem esta magia, provando que nao e preciso muito para algo acontecer. And all the kids they dance!
E por isso ouço vezes sem conta cantar a rapariga dos cabelos castanhos, e sempre que ela se cruza comigo na vida a musica regressa com ela. Desde ontem que ouvi-la cantar no bar do tio me enche nao so de sorrisos como de orgulho.
Nao se deixem no entanto enganar pela voz dela, porque o sorriso da rapariga dos cabelos castanhos por muito belo que seja, nao e sempre feliz. As vezes esconde outros sentimentos, que eu ja começo a conhecer, mas duvido que voces saibam. Tambem porque nao a veem, eu sei, mas mesmo que a vissem. Ela e especial essa tal rapariga.
Ansioso espero sempre que ela rasgue o sorriso nas lagrimas e me conte tudo ao luar, como sempre o faz, fingindo estar tudo bem, fingindo estar contente, fingindo que From underneath the rubble, sing a rebel song que a alegra nesta mistura de ingles com portugues.
Porque por mais que ela queira, ela nao e essa "Cathedral" de pedra que tudo resiste, la no fundo eu sei e digo-lhe sempre que "it's allright" e a vida continua, cheia de esperança que melhore. Melhorou substancialmente desde que a conheci, e fica a esperança que ela ache o mesmo. Nao sei exactamente a definiçao de namorar, mas se me perguntarem se ando com ela eu respondo "As we soar walls, Every siren is a symphony"
E ela continua cuidando dos irmaos, fazendo o trabalho dela para ganhar o seu. E sei o esforço que faz! Sei mesmo, tanto que vou começar a trabalhar tambem para a ajudar, para pelo menos dar um auxilio. E se ela nao quiser aceitar, nem que eu tenha de enviar o dinheiro como segurança social, ou qualquer coisa do genero. Porque a rapariga dos Cabelos castanhos e teimosa, mas tem azar porque eu sou mais. E por tras daquele sorriso...
"Every teardrop is a waterfall"
Caminho devagar, a camisola encharcada da chuva miudinha que cai sobre a manha do Lago Como. Loucura em vir correr tao cedo, mas sobretudo um teste fisico a resistencia e um alimento para o corpo e para a mente: Saude.
O ipod deslizava sobre a bolsa pequena que trazia sobre o pescoço a descer na diagonal do tronco contendo aquilo que necessario era. A musica estava mais alta porque eu a quis por mais alta. Parecia que a ouvia cantar outra vez como na noite passada, mas nao ha nenhum Chris Martin, nenhuma Amy Winehouse nem qualquer outro que substitua a voz dela. O amor e cego, mas tambem e meio surdo e quantas vezes tambem nao e mudo?
I got my records on...
Mais e mais discos que tenho na estante, ao chegar a casa, ponho a tocar. O velho radio ainda le cd's apesar de mal apanhar as frequencias. E ai, I shut the world outside until the lights come on, e isolo-me do mundo, porque o mundo e um lugar cruel no qual somos postos.
And I feel my heart start beating to my favourite song, essa musica que nao e musica mas sim, o eterno regresso de dias felizes, de noites passadas, de sorrisos rasgados por entre lagrimas. E uma batida assim miudinha, uma viola e pouco mais que fazem esta magia, provando que nao e preciso muito para algo acontecer. And all the kids they dance!
E por isso ouço vezes sem conta cantar a rapariga dos cabelos castanhos, e sempre que ela se cruza comigo na vida a musica regressa com ela. Desde ontem que ouvi-la cantar no bar do tio me enche nao so de sorrisos como de orgulho.
Nao se deixem no entanto enganar pela voz dela, porque o sorriso da rapariga dos cabelos castanhos por muito belo que seja, nao e sempre feliz. As vezes esconde outros sentimentos, que eu ja começo a conhecer, mas duvido que voces saibam. Tambem porque nao a veem, eu sei, mas mesmo que a vissem. Ela e especial essa tal rapariga.
Ansioso espero sempre que ela rasgue o sorriso nas lagrimas e me conte tudo ao luar, como sempre o faz, fingindo estar tudo bem, fingindo estar contente, fingindo que From underneath the rubble, sing a rebel song que a alegra nesta mistura de ingles com portugues.
Porque por mais que ela queira, ela nao e essa "Cathedral" de pedra que tudo resiste, la no fundo eu sei e digo-lhe sempre que "it's allright" e a vida continua, cheia de esperança que melhore. Melhorou substancialmente desde que a conheci, e fica a esperança que ela ache o mesmo. Nao sei exactamente a definiçao de namorar, mas se me perguntarem se ando com ela eu respondo "As we soar walls, Every siren is a symphony"
E ela continua cuidando dos irmaos, fazendo o trabalho dela para ganhar o seu. E sei o esforço que faz! Sei mesmo, tanto que vou começar a trabalhar tambem para a ajudar, para pelo menos dar um auxilio. E se ela nao quiser aceitar, nem que eu tenha de enviar o dinheiro como segurança social, ou qualquer coisa do genero. Porque a rapariga dos Cabelos castanhos e teimosa, mas tem azar porque eu sou mais. E por tras daquele sorriso...
"Every teardrop is a waterfall"
sexta-feira, julho 22, 2011
De que cor sao feitos os sonhos?
O reflexo do lago faz-me confusao nos olhos e os pedaços de sal bailam-me sobre a vista. Sobre o lago, a imagem da rapariga dos cabelos castanhos faz-me regressar ao passado e os grossos pingos rolam pelo meu rosto de incompreensao e frustraçao. Nao queria nada discutir com ela, mas foi mais forte e as duvidas levaram-no a essa calamidade.
- Nao tens que ficar assim.
Quem falaria? Nao era possivel que ela o tenha seguido. As raparigas eram orgulhosas, raramente nos perseguem (talvez aquelas que nao tem um palmo de testa), mas sobretudo o facto de ela me ver chorar tornou-me mais embaraçado. Ela porem nao pareceu estranhar, pois os "homens nao choram". Mentiras, e claro que a rapariga dos cabelos castanhos nao acreditava nisso e ela propria tinha ido atras de mim. Se ainda nao acreditava que ela era diferente ai estava uma prova, e isso fez com que eu ainda me encolhesse mais.
- Mas... nao compreendo... Porque e que aquele tipo te obrigou a dar dinheiro? Porque e que tu aceitas-te sem mais nem menos?
- Ele e um cobrador. O meu pai devia-lhe.
Agora fazia mais sentido. Mas porque e que ela nao tinha dito isso mais cedo?
- Nao te disse porque como sabes ele morreu e... bem o meu pai morreu porque apanhou uma infecçao.
Infecçao? Que seria aquilo?
- O meu pai morreu de Sindrome de Imunodeficiencia Adquirida, aquilo a que tu e muitos chamam SIDA. Ele... ele...injectava-se... eu tinha treze anos... e eu... eu tentei... eu juro que tentei... mas ja era tarde... ele ja ha muito que estava fragilizado... eu juro que tentei... eu juro!
Finalmente o castelo desmoronou-se e as verdadeiras razoes da rapariga dos cabelos castanhos eram mais fortes e eu merecedor dessa confiança quando tinha questionado e chateado por uma ninharia, por um problema que era tao mais grave para ela e me deixava numa posiçao desconfortavel. Abracei-a mais uma vez porque ja se vira que os abraços sao o reconforto de uma alma angustiada e beijei-a. Senti nela um tremer, um gosto a sal misturado com o perfume que ela propria continha e mais que um beijo foi a certeza que ali estava. Ela precisava de tudo, e eu queria fazer tudo por ela.
- Eu... eu...
- Tu nao sabias, nem tinhas dever nenhum de o saber. Agora sabes porque es a pessoa em quem mais confio. E se um dia os meus sonhos premitirem quero que fiques comigo.
Era forte, tal como o monte que esculpia uma das margens do Lago Como, e nesse momento me parecia bem mais facil de trepar de que os problemas. Eu queria trabalhar, queria fazer alguma coisa para ajudar a rapariga dos cabelos castanhos, a minha rapariga dos cabelos castanhos, porque eu sabia que apenas podia ser minha, se o mundo tinha-me dado tao grande dadiva como alguem assim. Eu sabia que era o momento e nada mais fazia sentido do que ajuda-la.
- Nunca te abandonarei.
A palavra era certa e a noite tratou de a consolidar, de novo junto daquele lago tao unico como ela, a rapariga dos cabelos castanhos que agora apenas pertencia a mim. Tinha a certeza agora que ia dar tudo por tudo por ela e para a ajudar. Ela merecia mais do que a vida lhe dava, do empenho que cuidava dos irmaos, do afinco que trabalhava...
- Um dia vou saber de que cor sao feitos os teus sonhos
- Tenho a certeza que descobriras.
E sorriu.
- Nao tens que ficar assim.
Quem falaria? Nao era possivel que ela o tenha seguido. As raparigas eram orgulhosas, raramente nos perseguem (talvez aquelas que nao tem um palmo de testa), mas sobretudo o facto de ela me ver chorar tornou-me mais embaraçado. Ela porem nao pareceu estranhar, pois os "homens nao choram". Mentiras, e claro que a rapariga dos cabelos castanhos nao acreditava nisso e ela propria tinha ido atras de mim. Se ainda nao acreditava que ela era diferente ai estava uma prova, e isso fez com que eu ainda me encolhesse mais.
- Mas... nao compreendo... Porque e que aquele tipo te obrigou a dar dinheiro? Porque e que tu aceitas-te sem mais nem menos?
- Ele e um cobrador. O meu pai devia-lhe.
Agora fazia mais sentido. Mas porque e que ela nao tinha dito isso mais cedo?
- Nao te disse porque como sabes ele morreu e... bem o meu pai morreu porque apanhou uma infecçao.
Infecçao? Que seria aquilo?
- O meu pai morreu de Sindrome de Imunodeficiencia Adquirida, aquilo a que tu e muitos chamam SIDA. Ele... ele...injectava-se... eu tinha treze anos... e eu... eu tentei... eu juro que tentei... mas ja era tarde... ele ja ha muito que estava fragilizado... eu juro que tentei... eu juro!
Finalmente o castelo desmoronou-se e as verdadeiras razoes da rapariga dos cabelos castanhos eram mais fortes e eu merecedor dessa confiança quando tinha questionado e chateado por uma ninharia, por um problema que era tao mais grave para ela e me deixava numa posiçao desconfortavel. Abracei-a mais uma vez porque ja se vira que os abraços sao o reconforto de uma alma angustiada e beijei-a. Senti nela um tremer, um gosto a sal misturado com o perfume que ela propria continha e mais que um beijo foi a certeza que ali estava. Ela precisava de tudo, e eu queria fazer tudo por ela.
- Eu... eu...
- Tu nao sabias, nem tinhas dever nenhum de o saber. Agora sabes porque es a pessoa em quem mais confio. E se um dia os meus sonhos premitirem quero que fiques comigo.
Era forte, tal como o monte que esculpia uma das margens do Lago Como, e nesse momento me parecia bem mais facil de trepar de que os problemas. Eu queria trabalhar, queria fazer alguma coisa para ajudar a rapariga dos cabelos castanhos, a minha rapariga dos cabelos castanhos, porque eu sabia que apenas podia ser minha, se o mundo tinha-me dado tao grande dadiva como alguem assim. Eu sabia que era o momento e nada mais fazia sentido do que ajuda-la.
- Nunca te abandonarei.
A palavra era certa e a noite tratou de a consolidar, de novo junto daquele lago tao unico como ela, a rapariga dos cabelos castanhos que agora apenas pertencia a mim. Tinha a certeza agora que ia dar tudo por tudo por ela e para a ajudar. Ela merecia mais do que a vida lhe dava, do empenho que cuidava dos irmaos, do afinco que trabalhava...
- Um dia vou saber de que cor sao feitos os teus sonhos
- Tenho a certeza que descobriras.
E sorriu.
quinta-feira, julho 21, 2011
Review
Faz tres anos que os nossos destinos se cruzaram num bar no centro da cidade. Era entao ela um pouco mais nova como e suposto, desfilando com os olhos, com aqueles grandes olhos, no rodilho da carpete vermelha do centro de uma pista que nao era mais que a fila de duas ou tres pessoas que tentava chegar ao balcao. Captei-a como uma Canon capta a fotografia e gravei-a nesse momento no cartao de memoria. Nao podia perder aquela rapariga.
Os 16 anos da rapariga de cabelos castanhos nao eram distinguiveis ao tacto e na primeira impressao ela pareceu-me mais velha, tirando-me algumas hipoteses de tentar falar com ela, tal rapariga convencida que nao se da com miudos.
Olhei mais um pouco com atençao e reparei que passava agora para o lado de dentro do balcao do Platinum e atendia o homem atarracado que se encontrava ao canto. Nao conhecia aquela rapariga e certamente que ja tinha passado varias vezes por aquele bar. Nao perdia nada. Dirigi-me ao balcao.
Pedi uma cola e a rapariga olhou-me desconfiada mas nao questionou. Talvez ela pensasse que um rapaz daquela idade nao pedisse colas numa noite de diversao, mas se assim pensava estava bem errada a cerca do que eu sou. E cada vez mais quis saber o que aquela rapariga dos cabelos castanhos pensava de mim e ainda mal me conhecia.
As horas passaram e eu deixei-me adormecer na cadeira e ter um sonho com a rapariga dos cabelos castanhos. Durou pouco porque logo fui acordado. Estava sozinho e apenas a rapariga se encontrava. Melhor que o sonho e mesmo a realidade, pensei.
- Hey rapaz, olha ja e tarde e o meu tio ja foi. Fiquei eu a arrumar as coisas, mas vais ter de sair.
-Anh? Simm. Ah pois... Desculpa.
A rapariga achou talvez que a desculpa era sincera e ofereceu-me uma cola para me ir embora ao qual recusei e disse que preferia antes que ela me fizesse companhia a casa. Talvez o sono me tenha levado a tal pergunta, mas agora estava feita. Ela nao se sentiu muito a vontade mas perguntou:
- Onde moras?
A Rua Carmaloggi ficava a um quarteirao e era sensivelmente perto para um curto passeio a pe. A rapariga acedeu, superando as minhas melhores expectativas. Estava ganho a primeira batalha.
O relogio na Torre Fiori marcava as 4 e 50 quando a rapariga dos cabelos castanhos fechou a porta do bar e me conduziu a casa. As perguntas fervilhavam na minha cabeça e tinha que começar por algum lado a desbravar e a clivar o diamante que tinha encontrado.
- Pois... Ah... Entao e como te chamas mesmo?
Ela respondeu-me um nome, mas que nao interessa para o caso porque para mim sera sempre a rapariga dos cabelos castanhos e nada mais faria sentido que lhe chamar isso. Respondi-lhe com o meu nome, mas ela gravou outro. Talvez mesmo o do rapaz de olhos avela, mas isso nunca saberei.
Perguntei-lhe porque trabalhava ela, que idade tinha... enfim! Todas essas coisa que se perguntam nesta situaçao. E nao foi por menos: a rapariga trabalhava porque tinha irmaos mais novos e nao tinha pai. A idade era 16 embora para mim ela parecesse mais velha que eu. Era alguem que a vida tinha pregado uma partida.
Sentamo-nos nas escadas e começamos a falar de coisa que nunca esperara falar com a rapariga dos meus sonhos: economia, finanças, musica e ate desporto. Era impressionante aquela rapariga saber tanto de tantas coisas e a mim so me deixava estarrecido. Era uma perola.
As horas passaram rapido e o frio chegou. Na despedida lembro-me apenas de um abraço que foi o suficiente para eu saber que tinha ali dois braços frageis prontos a serem amparados na mais escura das noites...
E foi assim que descobri a rapariga dos cabelos castanhos.
Os 16 anos da rapariga de cabelos castanhos nao eram distinguiveis ao tacto e na primeira impressao ela pareceu-me mais velha, tirando-me algumas hipoteses de tentar falar com ela, tal rapariga convencida que nao se da com miudos.
Olhei mais um pouco com atençao e reparei que passava agora para o lado de dentro do balcao do Platinum e atendia o homem atarracado que se encontrava ao canto. Nao conhecia aquela rapariga e certamente que ja tinha passado varias vezes por aquele bar. Nao perdia nada. Dirigi-me ao balcao.
Pedi uma cola e a rapariga olhou-me desconfiada mas nao questionou. Talvez ela pensasse que um rapaz daquela idade nao pedisse colas numa noite de diversao, mas se assim pensava estava bem errada a cerca do que eu sou. E cada vez mais quis saber o que aquela rapariga dos cabelos castanhos pensava de mim e ainda mal me conhecia.
As horas passaram e eu deixei-me adormecer na cadeira e ter um sonho com a rapariga dos cabelos castanhos. Durou pouco porque logo fui acordado. Estava sozinho e apenas a rapariga se encontrava. Melhor que o sonho e mesmo a realidade, pensei.
- Hey rapaz, olha ja e tarde e o meu tio ja foi. Fiquei eu a arrumar as coisas, mas vais ter de sair.
-Anh? Simm. Ah pois... Desculpa.
A rapariga achou talvez que a desculpa era sincera e ofereceu-me uma cola para me ir embora ao qual recusei e disse que preferia antes que ela me fizesse companhia a casa. Talvez o sono me tenha levado a tal pergunta, mas agora estava feita. Ela nao se sentiu muito a vontade mas perguntou:
- Onde moras?
A Rua Carmaloggi ficava a um quarteirao e era sensivelmente perto para um curto passeio a pe. A rapariga acedeu, superando as minhas melhores expectativas. Estava ganho a primeira batalha.
O relogio na Torre Fiori marcava as 4 e 50 quando a rapariga dos cabelos castanhos fechou a porta do bar e me conduziu a casa. As perguntas fervilhavam na minha cabeça e tinha que começar por algum lado a desbravar e a clivar o diamante que tinha encontrado.
- Pois... Ah... Entao e como te chamas mesmo?
Ela respondeu-me um nome, mas que nao interessa para o caso porque para mim sera sempre a rapariga dos cabelos castanhos e nada mais faria sentido que lhe chamar isso. Respondi-lhe com o meu nome, mas ela gravou outro. Talvez mesmo o do rapaz de olhos avela, mas isso nunca saberei.
Perguntei-lhe porque trabalhava ela, que idade tinha... enfim! Todas essas coisa que se perguntam nesta situaçao. E nao foi por menos: a rapariga trabalhava porque tinha irmaos mais novos e nao tinha pai. A idade era 16 embora para mim ela parecesse mais velha que eu. Era alguem que a vida tinha pregado uma partida.
Sentamo-nos nas escadas e começamos a falar de coisa que nunca esperara falar com a rapariga dos meus sonhos: economia, finanças, musica e ate desporto. Era impressionante aquela rapariga saber tanto de tantas coisas e a mim so me deixava estarrecido. Era uma perola.
As horas passaram rapido e o frio chegou. Na despedida lembro-me apenas de um abraço que foi o suficiente para eu saber que tinha ali dois braços frageis prontos a serem amparados na mais escura das noites...
E foi assim que descobri a rapariga dos cabelos castanhos.
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